Carlos Alberto Gonçalves Dugos Baptista (Lisboa, 1942 – Alcabideche, 17 de junho de 2025) foi um pintor, escritor e jornalista português. Expôs em espaços institucionais, nomeadamente no Mosteiro dos Jerónimos em 2008 (no âmbito do Ano Vieirino), e publicou vários álbuns e livros ao longo de cinco décadas. A sua morte foi assinalada na imprensa portuguesa.
Biografia Nasceu em Lisboa, em 1942. Em 1958, foi viver para Lourenço Marques, em Moçambique, onde passou a expor com regularidade. Entre 1962 e 1974, exerceu o jornalismo em Moçambique, na África do Sul e em Portugal. Regressou definitivamente a Portugal em 1977 e instalou ateliê em Lisboa.
Em 1974–1975 viveu e trabalhou em vários países da Europa; de regresso, passou longas temporadas em Sintra e na Ericeira. Morreu em Alcabideche, Cascais, a 17 de junho de 2025.
Formação e estudos Segundo o catálogo do Museu da Água/EPAL, matriculou-se num curso de teologia (Leoninum Orthodoxum Institutum) e desenvolveu estudos de simbólica; em 1984 dirigiu a galeria São Bento. Em 1988 manteve, a convite, um atelier temporário no Palácio Nacional da Pena (Sintra). A partir de meados da década de 1980 lançou edições serigráficas e realizou estudos cromáticos aplicados a edifícios de bairros sociais do Estado.
Carreira artística Ao longo de várias décadas, apresentou ciclos e séries em espaços institucionais e galerias. Em 2000 expôs Jogos Reais no Museu da Água (Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, Lisboa). No ano seguinte apresentou O Eterno Feminino no Espaço Art for All (Porto). Em 2008, a série Vieira – O Verbo e a Luz foi inaugurada no Mosteiro dos Jerónimos, no âmbito do 2008 Ano Vieirino; o livro-catálogo regista apresentações associadas, incluindo no Museu da Água de Coimbra.
Estilo e temas Segundo Manuel Cândido Pimentel (professor na Universidade Católica Portuguesa (UCP) e diretor do Centro de Estudos de Filosofia da UCP), o trabalho de Dugos persegue “o despojamento ou a translucidez das relações reais, o que num mais antigo sentido se chamará aletheia ou mística visão da verdade”.
Exposições selecionadas 1994 — Individual, Galeria Escada 4, Cascais (11–28 fev.). 2000 — Individual, ciclo Jogos Reais – Museu da Água, Lisboa (20 jan.–10 fev.). 2001 — Individual, O Eterno Feminino – Espaço Art for All, Porto (17 mai.–30 jun.). 2006 — Individual, Sala Damião de Góis, Embaixada de Portugal, Bruxelas. 2008 — Individual, Museu da Água de Coimbra. 2008 — Individual, Vieira – O Verbo e a Luz – Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa.
Catálogos e álbuns Jogos Reais – Em Vinte Pinturas (álbum gráfico). Lisboa: Hugin, 2001. Lisboa — Os Mitos da Memória (álbum gráfico). Lisboa: ACD Editores, 2005. O Eterno Feminino (catálogo de exposição). Porto: Espaço Art for All, 2001. Vieira – O Verbo e a Luz (livro-catálogo). Coimbra: Gráfica de Coimbra 2, 2008.
Representações em coleções Segundo o catálogo do Museu da Água/EPAL, obras de Carlos Dugos encontram-se na Câmara Municipal de Maputo, na Caixa Geral de Depósitos e no IGAPHE – Instituto do Património Habitacional do Estado, entre outras instituições, bem como em várias coleções particulares em Portugal e no estrangeiro.
Outras ações 1988 — Execução de um conjunto de painéis no átrio da sede do IGAPHE, em Lisboa. 1986–2006 — Lançamento de diversas edições serigráficas (Lisboa). 1988 — Estudos cromáticos para edifícios dos bairros sociais do Estado em várias cidades e vilas portuguesas.
Publicações Revolução em Perigo (Acrópole, 1975) Comunismo? — O povo é quem mais ordena (Acrópole, 1975) Descolonização Portuguesa: o malogro de dois planos (Acrópole, 1975) MDLP & ELP — O que são? (Acrópole, 1976) Tradição e Simbólica do Princípio Real (Hugin Editores, 1999) Lisboa: os Mitos da Memória (ACD Editores, 2005) O Ferro de Marcar Escravos (CreateSpace, EUA, 2012) A Rosa de Aragão (Lema d’Origem, 2018) O Rio da Balada dos Leões (Lema d’Origem, 2020) Simbolismo e Tradição Espiritual (Lema d’Origem, 2022) Autópsia de um Equívoco Histórico (Lema d’Origem, 2022) 30 Mil Dias (Lema d’Origem, 2024)
Receção e imprensa “Pinto o lado claro das coisas”. Peça/entrevista em Dona (revista), 1987 (recorte de imprensa).
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