A Comunidade Amijai é um congregação religiosa do judaísmo conservador argentino com base em Buenos Aires.
História Em 1993, um grupo de famílias judias do bairro de Belgrano em Buenos Aires, fundou uma nova comunidade afiliada ao movimento Masorti. A comunidade recebeu o nome de Amijai ([/ˌa.miˈχai/]; em hebraico: אמיחי) que significa "meu povo vive", refletindo seu compromisso com a continuidade e a vitalidade da tradição judaica.
Primeiros anos Nos primeiros anos, a comunidade Amijai realizou seus serviços religiosos nas instalações do Seminário Rabínico Latino-americano. Em 2001, graças à doação de capital do empresário Natalio Garber, ex-proprietário da Musimundo, uma rede argentina de varejo de móveis e eletrodomésticos, a comunidade adquiriu uma antiga fábrica de cofres localizada ao lado da Chinatown de Belgrano, onde construiu sua sede própria.
A Sede Para a contrução do edifício, foi contratado em 2002, o estudio Urgell-Penedo-Urgell, ganhador do Premio Konex de Arquitetura 2002-2006. A obra levou 16 meses para ser concluída, tendo diversos arquitetos como contribuidores.
Para projeto deles, várias ideias centrais foram levadas em conta. Por um lado, teria que ser uma construção segura, à prova de possíveis atentados, visando maior segurança como sequela do Atentado contra a AMIA. Por outro, para tirar as quinas, havia o desejo de que o templo parecesse uma tenda no deserto. Além disso, uma premissa fundamental era que o design pudesse contribuir para melhorar a acústica. No terreno se encontram dois setores bem definidos e diferenciados. Na frente fica a sede social, depois uns grandes jardins arborizados e, atrás, no fundo, no meio do terreno, o templo.
A área total construída é de 3.500 m². No térreo fica o refeitório comunitário, vários parques que incluem brinquedos para crianças, um pequeno templo de vidro, banheiros, e no fundo o templo principal. Nos andares superiores construíram salas de aula para estudantes, o espaço para os escritórios administrativos e o do rabino, uma biblioteca e espaços para reuniões. O edifício é construído com concreto armado aparente. No total, trata-se de uma forma única e envolvente com uma viga em forma de "V" com 25 metros de vão livre que sustenta o telhado de concreto protendido, organizando o espaço principal em duas zonas bem diferenciadas que abrange, no térreo, uma grande área livre sobre pilotis.
O templo principal serve como auditório pra concertos porque tem uma acústica que é comparável à dos melhores teatros do mundo. alt=AMIJAI|miniaturadaimagem|Comunidade Amijai Em 2008, o edifício ganhou o Primeiro Prêmio de Arquitetura concedido pelo Governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires às melhores obras arquitetônicas da cidade. As portas do templo principal foram feitas de bronze natural. O altar foi esculpido em madeira e suas peças foram criadas por artistas plásticos renomados. Nele cabem 900 pessoas sentadas e mais que o dobro em pé. A obra arquitetônica foi selecionada pra participar da exposição da Bienal de Veneza de 2012 e fez parte do livro-catálogo de arte e arquitetura daquele ano.
Ideias principais A Comunidade Amijai se dedica ao estudo da Torá, toda a comida servida respeita ao kashrut e, sendo um sinagoga Masorti, as mulheres possuem os mesmo direitos e deveres que os homens.
As mulheres são incluídas no minian, um quórum de no mínimo dez adultos que é necessário para as cerimônias, e são chamadas para a Torá nos serviços religiosos, quando os rolos são retirados para a leitura. As mulheres podem, se quiserem, usar o talit, colocar o tefilin e usar o quipá, igual aos homens. A doação de órgãos também é aceita e é considerada uma grande mitsvá. Segundo a própria congregação, "nós acreditamos num judaísmo que está longe do conforto burguês, da ignorância, do individualismo, da compulsão e do medo".
Os Amijai consideram que "no mundo em que vivemos, é fundamental educar e nos educar em relação ao cuidado e à preservação do meio ambiente". É por isso que existe uma área de ecologia que ensina os fiéis a preservar a natureza e reciclar o lixo. Na comunidade, são realizados workshops educativos para crianças e jovens sobre o cuidado com os animais e o meio ambiente. Em 2012, foi feito um acordo com a Cooperativa de catadores El Ceibo RSU, que toda semana passa para recolher materiais recicláveis como garrafas de vidro, plásticos, papelão, papel e latas.
A comunidade oferece diversas atividades que promovem bem-estar, cultura e espiritualidade. São realizadas aulas de ginástica, atividades esportivas para jovens, acampamentos para todas as idades e oficinas de música e arte. O coro e o ciclo de cinema com debates estimulam a expressão cultural, enquanto cursos de introdução ao judaísmo, Talmud Torá, hebraico e cabala aprofundam o conhecimento. A escola de madrikhim forma líderes comunitários. No âmbito social, pratica-se tsedacá com coletas mensais, apoiando a ONG Sorrisos em Esteban Echeverría e um refeitório comunitário para pessoas de baixa renda. No inverno, são coletados cobertores e roupas para vulneráveis. A comunidade celebra casamentos, Brit Milá, Simjá Bat, Benei Mitzvá, Simchat Torá e todas as festividades judaicas, com serviços de Kabalat Shabat, Kadish e uso da Mikvá para banhos rituais. Há departamentos para juventude, adultos e idosos, além de grupos de reflexão para mulheres e conferências culturais regulares, fortalecendo laços comunitários e a identidade judaica.
A comunidade Amijai também apoia o Movimento Ecumênico Argentino e participa do Plano Nacional Igualdade Cultural.Nossa missão é promover o crescimento espiritual e o bem-estar geral dos nossos membros, fazendo deles pessoas melhores, através da aceitação do Pacto (Brit) de serem parceiros de D'us na recriação de um mundo melhor (Tikkun Olam), cumprindo os preceitos (Mitzvot), costumes e tradições judaicas de acordo com a interpretação Masorti, estudando e praticando a Torá e seus valores sagrados, acompanhando seus membros nos ritos de passagem, num contexto igualitário e inclusivo de religiosidade, respeito e harmonia, e com um profundo compromisso com a sociedade argentina em geral, com o Estado de Israel e com o Povo Judeu.O rabino Alejandro Avruj, em 2014, viajou para acompanhar o Papa Francisco na viagem inter-religiosa de visita ao Oriente Médio. O rabino Amijai, que tem um relacionamento com Jorge Bergoglio há anos porque fez trabalho social sob sua orientação, foi convidado a participar da delegação que acompanhou o Papa em todo o seu percurso pela Terra Santa.
Arte e cultura Durante a construção do prédio, eles decidiram fazer um concurso para o projeto e a construção de uma "Árvore da Vida" para honrar a memória de entes queridos. Os concorrentes apresentaram seus projetos em envelopes fechados, usando um pseudônimo. O júri, sem saber de quem era, escolheu o projeto de Clorindo Testa, que embeleza o jardim do templo. Essa obra de arte tem como objetivo perpetuar a memória de familiares falecidos através de cada uma de suas folhas de bronze sob a luz da chama eterna, que está sempre acesa.
A comunidade Amijai acredita que a arte, presente em todas as ações humanas, é uma poderosa ferramenta de transformação da realidade. Com essa visão, promove concursos de contos solidários e música, além de espetáculos musicais semanais que elevam o espírito, aproximando o ser humano do divino, conforme a crença de que “através da música, o espírito do homem se eleva, o aproximando de D'us”. O espaço sedia apresentações de balé, teatro, contação de histórias, dança clássica e contemporânea, concertos de música clássica, popular, jazz, klezmer, zarzuela, tango, folclore, rock, country, ópera e concertos de câmara, incluindo eventos musicais internacionais. Guiada por um ideário ecumênico, a comunidade organiza atos, encontros, conferências, concertos e festivais que celebram valores éticos, religiosos e tradições populares, promovendo a unidade entre diferentes religiões e acolhendo todas as formas de expressão musical e cultural.
Um dos principais bens musicais deles é um piano Steinway do início do século XIX, doado por um mecenas anônimo. Já se apresentaram, entre outros, artistas do calibre de Darío Volonté, Daniel Barenboim, Luis Alberto Spinetta, a Camerata Bariloche, Pinchas Zukerman, a Orquestra Nacional da Rússia, The Harlem Opera Theater, a Orquestra Sinfônica Juvenil da Província de Hessen na Alemanha, a Kammerphilarmonie de Frankfurt, Martha Argerich, Sandra Mihanovich, Bruno Gelber, a Orquestra israelense Netanya Kibbutz, The Big Town Blues Boys, a orquestra de câmara Virtuosi di Praga, Víctor Torres, a Opal Sinfonietta de Boulogne-sur-Mer, França, a Orquestra Juan de Dios Filiberto, o Trio Guarneri de Praga, Atilio Stampone, Hermeto Pascoal, o Chango Spasiuk, a Orquestra Sinfônica de Salta, Oscar Araiz, os Zukerman Chamber Players, a Orquestra Da Vinci, a Orquestra Filarmônica dos Kibutz de Israel, Jaime Torres, o Ensamble de Madrid, Cecilia Milone, Estúdio Coral de Buenos Aires, Pedro Aznar, o Duo Amal, formado pelos pianistas Bishara Haroni, palestino e Yaron Kohlberg, israelense, a Orquestra Estudantil de Buenos Aires, o Balé Folclórico Nacional Argentino e a Camerata da Universidade Católica de Salta.
Em 2008, o ciclo "Grandes Virtuosos do Violino" foi destacado como o fato de maior importância do ano pela Associação de Críticos Musicais da Argentina. Na sede Amijai, é realizado o Concurso Internacional de Violino de Buenos Aires com o patrocínio do Mecenato Cultural da Cidade de Buenos Aires e da Secretaria de Cultura da Presidência da Nação.
A comunidade Amijai, guiada por seu compromisso com a paz e a convivência harmoniosa, promove a reconciliação entre palestinos e judeus. A sinagoga organiza recitais e shows que reúnem artistas judeus e palestinos em apresentações conjuntas, celebrando a diversidade cultural e reforçando valores de união e diálogo por meio da arte. Essas iniciativas refletem o ideário ecumênico da comunidade, que busca fortalecer laços entre diferentes tradições religiosas e culturais, promovendo a paz e a solidariedade.
Referências
Categoria:Fundações na Argentina em 1993 Categoria:Judaísmo