A Companhia de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (Cia DQBRN) é uma unidade especializada do Exército Brasileiro, subordinada ao Comando de Operações Especiais (COpEsp), com sede em Goiânia, Goiás. Criada em 2003 como 1º Pelotão DQBN, foi elevada à companhia em 2012, consolidando-se como a principal tropa de pronto-emprego do Exército para operações de detecção, monitoramento, proteção e descontaminação em ambientes afetados por agentes químicos, biológicos, radiológicos ou nucleares.Exército Brasileiro – Capacidade de Defesa Química do Exército Brasileiro. Eblog, consultado em 5 de setembro de 2025.ESA – Visita da ESA ao Comando de Operações Especiais. Escola de Sargentos das Armas, 2022. Consultado em 5 de setembro de 2025.

A unidade atua em apoio a grandes eventos e situações de risco, como a Copa do Mundo FIFA de 2014, além de missões de descontaminação e desinfecção durante a pandemia de COVID-19, quando realizou ações em aeronaves militares e instalações estratégicas em Brasília e Goiânia.DefesaNet – Militares do Exército realizam desinfecção em aeronave KC-390. Consultado em 5 de setembro de 2025.Força Aérea Brasileira – Instalações do COMAE passam por desinfecção. Consultado em 5 de setembro de 2025.

História A Companhia de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN) do Comando de Operações Especiais (COpEsp) do Exército Brasileiro teve sua origem moderna a partir de 2003, quando foi criado o 1º Pelotão de Defesa Química, Biológica e Nuclear (1º Pelotão DQBN) em Goiânia. Inicialmente subordinado à Brigada de Operações Especiais, o pelotão foi posteriormente reorganizado e elevado à atual Companhia DQBRN, tornando-se a unidade responsável pelas operações de defesa química, biológica, radiológica e nuclear no âmbito do COpEsp.

Desde sua criação, a Companhia DQBRN tem desempenhado papel ativo em operações nacionais e internacionais. Entre suas missões de destaque, participou das atividades de monitoramento e descontaminação preventiva em missões de paz no Timor Leste e no Haiti.

A unidade também tem atuado em colaboração com países vizinhos, como o Paraguai, oferecendo treinamento e suporte técnico em defesa química, biológica, radiológica e nuclear.

Em 2025, como parte de uma reforma do Comando de Operações Especiais, a Companhia DQBRN passou por mudanças estruturais, incluindo ajustes no efetivo e na organização interna, com o objetivo de aumentar sua capacidade operacional em situações de contraterrorismo e em grandes eventos nacionais.

Exercício Kramatorsk O Exercício Kramatorsk foi uma atividade de adestramento realizada pela Companhia de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (Cia DQBRN) do Comando de Operações Especiais (COPESP) do Exército Brasileiro, entre 14 e 18 de setembro de 2020, na guarnição de Goiânia. O objetivo principal foi aprimorar as técnicas, táticas e procedimentos dos integrantes da organização militar, proporcionando oportunidades para o desenvolvimento de atributos afetivos e o exercício da liderança militar em todos os níveis.

Durante o exercício, as frações operacionais da Cia DQBRN cumpriram missões táticas em um ambiente operacional simulado de guerra, incluindo:

Reconhecimento e vigilância QBRN Coleta de amostras em ambiente contaminado Tiro em situação de combate QBRN Descontaminação Comando e controle QBRN

Essas atividades visaram capacitar a tropa para cenários de emprego real, garantindo a eficácia operacional em situações de risco químico, biológico, radiológico e nuclear.

O exercício também contribuiu para o desenvolvimento da liderança militar, fortalecendo a coesão e a prontidão das unidades envolvidas.

Atuação durante a Pandemia Desinfecção contra a COVID-19 em Goiânia e Brasília pelo Exército Brasileiro

Durante a pandemia de COVID-19, o Exército Brasileiro desempenhou um papel significativo na desinfecção de locais públicos em Goiânia e Brasília, com o objetivo de prevenir a disseminação do coronavírus. Essas ações foram realizadas em colaboração com autoridades locais e federais, visando proteger a saúde pública e apoiar os esforços de combate à pandemia.

Goiânia Aeroporto Santa Genoveva Em março de 2020, o Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, passou por um processo de desinfecção realizado por militares do Exército Brasileiro. A equipe treinou cerca de 30 funcionários que atuam na limpeza do terminal, capacitando-os no uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e na aplicação de substâncias descontaminantes. A ação visava prevenir a disseminação do coronavírus em locais de grande circulação de passageiros.

Brasília Aeroporto Internacional de Brasília Em abril de 2020, o Comando Conjunto Planalto, composto por militares do Exército Brasileiro, realizou a desinfecção do Aeroporto Internacional de Brasília. Utilizando hipoclorito de sódio, álcool isopropílico 90%, fenóis e derivados, além de água e sabão, os militares aplicaram os produtos com jatos especiais. O acesso às áreas afetadas foi temporariamente interditado durante a limpeza.

Hospitais Públicos Militares do Exército realizaram a desinfecção das áreas externas de hospitais públicos do Distrito Federal, como o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) e o Hospital de Base de Brasília. Utilizando solução à base de cloro, as equipes aplicaram o produto nas áreas de circulação para prevenir a transmissão do coronavírus.

Rodoviária do Plano Piloto Militares do Exército Brasileiro realizaram a desinfecção da Rodoviária do Plano Piloto em Brasília. A ação incluiu a limpeza de áreas como banheiros e escadas, utilizando produtos à base de cloro. A operação visava reduzir o risco de contágio pelo coronavírus em locais de grande movimentação de pessoas.

Atuação na Copa do Mundo FIFA de 2014

Atuação do Comando de Operações Especiais na Copa do Mundo FIFA de 2014 Durante a Copa do Mundo de 2014, o Comando de Operações Especiais (COpEsp) do Exército Brasileiro foi encarregado pelo Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas de planejar, coordenar e executar, em ambiente conjunto e interagências, ações de prevenção e combate ao terrorismo, defesa química, biológica, radiológica e nuclear (DQBRN) e antidispositivos explosivos improvisados (Anti-DEI), contribuindo para a segurança do evento.“EB – Ação do Comando de Operações Especiais na Copa 2014”, DefesaNet, 19 de março de 2015. Disponível em: defesanet.com.br. Acesso em 5 de setembro de 2025.

Preparação e treinamento Em 2013, o COpEsp realizou um estágio de nivelamento para os coordenadores dos Centros de Coordenação Tático Integrado (CCTI), com o objetivo de unificar doutrina e planejamento para atuação nas cidades-sede.

Ao longo de 2014, foram realizados estágios específicos, incluindo:

Nivelamento de integrantes das células de Operações de Apoio à Informação (OAI); Treinamento do eixo DQBRN com foco nos novos equipamentos; Capacitação de pessoal de saúde para atendimento a eventuais incidentes terroristas; Preparação de frações dos Comandos Militares de Área para varredura contra agentes QBRN e atuação em postos de descontaminação.

Exercício Conjunto Interagências Entre 31 de março e 4 de abril de 2014, foi realizado em Goiânia um exercício com participação das equipes de operações especiais das Polícias Militar e Civil das 12 cidades-sede, da Polícia Federal (COT), do Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC), do Grupo Especial de Retomada e Resgate dos Fuzileiros Navais (GERR-MEC), do Comando de Aviação e do Centro de Avaliação e Adestramento do Exército. As atividades incluíram tiro sob estresse, resgate de reféns, progressão em áreas de alto risco, técnicas aeromóveis, planejamento de crise e ações temáticas de combate ao terrorismo, fortalecendo a integração interinstitucional.

Ensaios simulados nas cidades-sede Nas duas semanas que antecederam a Copa, o COpEsp realizou ensaios simulados nas diversas cidades-sede para revisar e validar técnicas e procedimentos em locais reais, considerando estádios, centros de treinamento, hotéis e itinerários de delegações e chefes de Estado.

Atuação no sorteio da Copa do Mundo FIFA de 2014 A Companhia de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (Cia DQBRN), subordinada ao Comando de Operações Especiais (COpEsp), participou das ações de segurança relacionadas ao sorteio da Copa do Mundo FIFA de 2014, evento preparatório de grande visibilidade para a competição. Essa atuação integrou a série de missões preventivas e de proteção contra ameaças QBRN executadas pelo Exército Brasileiro durante o ciclo de preparação para a Copa, juntamente com outros grandes eventos esportivos.

Contexto e responsabilidades As principais atribuições incluíram:

Realização de varreduras QBRN preventivas em locais de interesse, tais como estádios, centros de conferência e áreas de circulação de delegações e autoridades; Monitoramento e identificação de possíveis ameaças; Manutenção de prontidão para montagem de postos de descontaminação, se necessário; Coordenação com outras agências envolvidas na segurança do evento e implantação de protocolos integrados de resposta a incidentes.

Legado estratégico O emprego da Cia DQBRN durante o sorteio da Copa, assim como em outros grandes eventos como a Copa das Confederações (2013), RIO+20 (2012) e Jogos Olímpicos Rio 2016, permitiu ao Exército Brasileiro testar e aperfeiçoar seus procedimentos, equipamentos e protocolos operacionais de DQBRN. Essas experiências contribuíram significativamente para a evolução da doutrina, da capacitação profissional e da interoperabilidade entre forças militares e agências civis.

Atuação nas Olimpíadas Rio 2016 Durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, a Companhia de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (Cia DQBRN), subordinada ao Comando de Operações Especiais (COpEsp), foi empregada no esquema de segurança nacional como parte do Comando Conjunto de Prevenção e Combate ao Terrorismo (CCPCT), estrutura interagências ativada pelo Ministério da Defesa para coordenar a segurança do evento.

A missão da Cia DQBRN incluía:

varredura de arenas esportivas e locais de interesse com detectores portáteis e equipamentos especializados; emissão de alertas de ameaça, detecção e coleta de amostras de agentes QBRN; monitoramento e identificação limitada de agentes; instalação de postos de descontaminação para pessoas e materiais; gerenciamento de incidentes envolvendo substâncias químicas, biológicas, radiológicas ou nucleares; apoio a operações anti-DEI (Dispositivos Explosivos Improvisados).

Treinamento e preparação Antes do início dos Jogos, a unidade participou de diversos exercícios preparatórios:

Em março de 2016, ocorreu um exercício de simulação de descontaminação em massa na Escola de Instrução Especializada do Exército, com a participação das três Forças Armadas e órgãos civis. Em abril de 2016, um exercício na Base Aérea dos Afonsos validou protocolos DQBRN para cenários esportivos. Em junho de 2016, na Operação Águia Olímpica, a Força de Contingência realizou treinamentos finais, com a participação do 1º Batalhão DQBRN e da Cia DQBRN. Em Manaus, foram realizados exercícios interagências com cenários de retomada de instalações dominadas por terroristas, integrando as capacidades DQBRN.

Estrutura integrada A atuação da Cia DQBRN foi integrada a forças-tarefas distribuídas nas cidades-sede do futebol olímpico, como Brasília, Cuiabá e Manaus. O CCPCT articulou Centros de Coordenação Tática Integrados (CCTI) com comandos territoriais locais, além da cooperação com a Polícia Federal, Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Defesa Civil e demais órgãos de segurança.

Ao todo, cerca de 38 mil militares das Forças Armadas foram mobilizados para a segurança dos Jogos, sendo aproximadamente 20 mil no Rio de Janeiro. Dentre eles, os especialistas da Cia DQBRN tiveram papel central na prevenção e mitigação de possíveis incidentes QBRN.