O cerco de Campo Maior, em 1712, foi um episódio da Guerra da Sucessão Espanhola, em que Campo Maior, defendida pelo governador Estevão da Gama, resistiu a um cerco imposto por um exército espanhol comandado pelo francês Alexandre Maitre, marquês de Bey.Nuno Severiano Teixeira, Francisco Contente Domingues, João Gouveia Monteiro: História Militar de Portugal, A Esfera dos Livros, 2017, pp. 365-366.

O ataque a Campo Maior fez parte de uma tentativa de invasão de Portugal e foi o último episódio bélico de grande escala para as armas portuguesas na guerra. Ao aproximar-se o exército do marquês de Bey, o governador Estevão da Gama pediu apoio à praça de Moura e recebeu a meio da noite um reforço de 500 homens comandados por Miguel Hogan, um oficial irlandês.

Os espanhóis sitiaram a praça escavando uma linha não de circumvalação mas apenas em semi-círculo.Moisés Cayetano Rosado: "Del Asedio de Badajoz en 1705 al de Campo Maior en 1712", in Revista de Estudios Extremeños, 2013, Tomo LXIX - N.º III I.S.S.N.: 0210-2854, pp. 1731-1738 dip-badajoz.es. O ataque centrou-se entre o baluarte de Santa Cruz e São João. Para aqui os espanhóis apontaram uma bateria de 24 canhões e outra de 4 canhões e 11 morteiros. No baluarte de Santa Cruz tinham os portugueses 2 canhões, 11 morteiros de granadas e 2 de bombas, ao passo que no de São João 3 peças. À direita do Baluarte de São João, no baluarte da Bixa Torta, havia mais 4 canhões. Para além do mais, os fossos tinham sido inundados pela população.

O bombardeamento espanhol espalhou o terror na vila e as mulheres refugiaram-se nos conventos mas apesar do ataque ser enérgico, a defensa também era e o resto da população, dos oficiais de engenharia e artilharia e o governador mantinham-se com boa disposição. Enquanto prosseguia o bombardeamento, os soldados e guerrilheiros portugueses assediavam as linhas espanholas, levando a cabo surtidas de cavalaria, golpes de mão e contraminas.

Uma brecha foi aberta no baluarte de São João e a 25 de Outubro os espanhóis preparavam-se para dar o assalto mas os portugueses acenderam uma grande fogueira para barrar a passagem. A 27 entraram em Campo Maior 700 homens de reforço comandados pelo conde da Ericeira Luís Carlos Inácio Xavier de Meneses e pelo general Paulo Caetano de Alburquerque, após enfrentarem os sitiantes. miniaturadaimagem|Defesa de Campo Maior. Os espanhóis ainda tentaram tomar Campo Maior por assalto duas vezes comandados pelo tenente-general Pedro de Zuñiga mas foram repelidos com pesadas perdas. O general pediu então um armistício para recuperar os mortos e feridos. Apesar de terem os espanhóis conseguido abrir uma brecha no baluarte de São João e de estar eminente a capitulação, a notável resistência dos defensores obrigou os espanhóis a retirarem-se ao fim de um mês por cansaço e ausência de progresso.

O rei D. João V gratificou os defensores de Campo Maior com promoções e nomeou Estevão da Gama seu embaixador em França. A feliz defesa de Campo Maior permitiu que as negociações de paz decorressem sem que Portugal se apresentasse em desvantagem. A história do cerco encontra-se bem registada pelo próprio governador da praça, Estevão da Gama, conde da Ribeira Grande, que contabilizou, entre outras coisas, o número de defensores, atacantes e até as munições dispendidas pelos dois lados, tendo sido disparadas sobre a praça-forte 10,870 balas de canhão, 1309 bombas, 350 morteiradas de pedra e grande número de granadas.

Ver também Batalha de Almansa Praça-Forte de Campo Maior Portugal na Guerra da Sucessão Espanhola

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