Gyrostigma rhinocerontis (nomeada, em inglês, rhinoceros bot fly ou rhinoceros stomach botfly; na tradução para o português: "mosca-do-rinoceronte" ou "mosca-do-estômago-do-rinoceronte") é uma espécie de inseto; uma mosca (Diptera; Brachycera) distribuída pela África subsaariana e pertencente à família Oestridae. Foi classificada por Richard Owen, em 1830 (no passado se creditando a F. W. Hope, em 1840, sua classificação); originalmente denominada Oestrus rhinocerontis, conhecida por sua relação de endoparasitismo; suas larvas encontradas no estômago de rinocerontes brancos e negros. É considerada a maior mosca do continente africano, medindo entre 3.5 e 4.1 centímetros de comprimento, com uma envergadura próxima aos 7 centímetros. Como a mosca depende dos rinocerontes-de-dois-chifres africanos para a reprodução, seus números diminuíram junto com o declínio da população de rinocerontes, outrora amplamente distribuídos por toda a África, exceto na Bacia do Congo.

Descrição O dimorfismo sexual em Gyrostigma rhinocerontis é pouco evidente, ambos os sexos apresentando a coloração de suas cabeças variando do laranja ao castanho escuro. O corpo é de coloração enegrecida e suas pernas avermelhadas. Quando em repouso a ponta de seu abdômen se direciona para baixo.

Ciclo de vida O ciclo de vida de Gyrostigma rhinocerontis se inicia com a fêmea depositando seus ovos no chifre e no rosto do animal. Após cerca de 6 dias, dos ovos, eclodem pequenas larvas medindo apenas 2.5 milímetros; usando seus ganchos bucais e espículas (pequenas estruturas anatômicas em forma de agulha) para migrar para o estômago do rinoceronte, sem que se saiba, ainda, se migram para sua boca e narinas ou se simplesmente se enterram através da pele. Dentro do estômago elas se alimentam de sangue e tecido, passando por 3 estágios: no estágio 2 medindo 2 centímetros e penetrando ainda mais profundamente na mucosa gástrica e no estágio 3 medindo praticamente o mesmo comprimento do adulto, deixando sua coloração rosada e sendo de coloração amarelada com áreas castanhas. Quando estão prontas para iniciar suas metamorfoses em pupa, elas deixam o corpo do rinoceronte pelo trato intestinal e saem com suas fezes, se enterrando no solo pelas próximas 6 semanas até se transformarem em moscas que vivem por cerca de 3 a 5 dias em busca de acasalamento e locais para oviposição, não se alimentando durante esse período. Essa relação entre a mosca e o rinoceronte parece causar pouco ou nenhum dano ao hospedeiro e há a cogitação se essa relação não poderia trazer algum benefício (auxílio na digestão) para o rinoceronte.

O gênero Gyrostigma O gênero Gyrostigma foi proposto por Friedrich Moritz Brauer, em 1885 e, além desta espécie descrita em meados do século XIX, inicialmente a partir de larvas encontradas em fezes de rinoceronte e no intestino de animais abatidos, contém mais duas espécies, provavelmente extintas: Gyrostigma conjungens e G. sumatrensis. A última observação de G. conjungens data de 1961 e apenas uma larva de G. sumatrensis é conhecida, através de um rinoceronte-de-sumatra que viveu no Zoológico de Hamburgo, na Alemanha, em 1884.

Presença de G. rhinocerontis na América Na década de 1990, em um zoológico localizado no Rio Grande do Sul, Brasil, houve um relato da ocorrência de larvas de G. rhinocerontis nas fezes de um rinoceronte-branco (Ceratotherium simum) trazido da África do Sul; também encontradas mais ao norte, em 2005, nas fezes de um grupo de rinocerontes-brancos legalmente importados da África do Sul, no zoológico da cidade de Itatiba, estado de São Paulo, sendo tratados por veterinários para evitar a sua dispersão na natureza.

Categoria:Insetos descritos em 1830 Categoria:Insetos de África Categoria:Estrídeos Categoria:Parasitas