O tiroteio no Colégio Municipal Eurides Sant'Anna foi um tiroteio escolar ocorrido no dia 26 de setembro de 2022, quando um estudante não identificado com 14 anos na época invadiu uma escola e matou uma aluna cadeirante a facadas e depois foi gravemente ferido por policiais.

Ataque Por volta das 5h, um estudante de 14 anos do Colégio Municipal Eurides Sant'Anna saiu de casa e se dirigiu à instituição e aguardou por horas até que o horário dos estudantes começasse. Ele aguardou na lateral da instituição. Por volta das 7h, o atirador tirou um casaco da mochila, o qual usaria para se vestir no ataque. Ele estava vestido com roupas escuras, óculos e capuz.

Dez minutos depois, ele iniciou os primeiros tiros. Ele tentou atingir o porteiro, mas a arma falhou, fazendo com que os alunos que estavam chegando na escola começassem a fugir. Durante a fuga, um morador filmou o momento em que estudantes da escola começaram a fugir. Um guarda da instituição que percebeu o atirador correu para chamar ajuda e 40 dos 400 estudantes que estudavam no horário da manhã estavam no local, boa parte deles no ginásio.

Após o primeiro disparo, os estudantes e professores que estavam dentro da instituição imediatamente correram para as salas para se barricarem e impedir a entrada do atirador.

Estudantes que não conseguiram se esconder nas salas fugiram e tentaram se proteger na quadra da escola, mas o instrutor mandou os alunos saírem e irem pelos fundos da escola, conseguindo escapar.

Durante a fuga dos estudantes, Geane da Silva Brito, uma aluna de 19 anos, que era cadeirante, acabou ficando para trás. Mesmo Silva não sendo alvo do ataque, o atirador aproveitou a falta de locomoção dela antes de começar a atingi-la. Silva foi atingida por tiros até a munição do atirador acabar e, depois, a facadas, morrendo ainda no local do ataque.

Quando a polícia chegou na escola, o atirador resistiu, de acordo com um funcionário da instituição. O que fez com que um deles disparasse e atingisse o estudante armado. Dois policiais militares foram mais tarde identificados como os autores dos disparos que feriram gravemente o atirador, O atirador foi baleado na coluna e acabou ficando quadriplégico. O primeiro policial era vizinho da instituição e o segundo foi chamado por um funcionário.

Autor Mais tarde, o atirador e filho de um policial foi identificado como um estudante de 14 anos do colégio atacado. Ele tinha um suposto plano de assassinar cerca de 10 pessoas e tinha uma conta extremista no X (antigo Twitter) e se identificava como um ser "iluminado" e ser descarregado em "um ato sanguinolento".

Em seu manifesto de 29 páginas escrito pelo atirador e postado na rede social, três dias antes do ataque, ele desprezava a vida humana. Em uma postagem estava escrito: "Eu vivi com meu pai na maior parte da minha vida, pois meus pais eram separados e não tinham nenhum sentimento mútuo.", "Desde pequeno, sentia-me superior aos demais, alimentava nojo e ódio de grupos do meu convívio, simplesmente não aceitava estar no mesmo lugar que eles, sentia que merecia mais, ou eles mereciam menos, o que importava era estar por cima". O atirador postava postagens homofóbicas e xenofóbicas contra a região nordestina do Brasil, já que ele tinha se mudado para Barreiras. O atirador postou sua última postagem anunciando o ataque a tiros às 3h22 daquele dia. Pouco tempo depois do ataque, a rede social deletou a conta do atirador, o Hannya_88 ou @TheAlgizGod.

A arma de fogo utilizada no ataque pertence ao seu pai, que trabalhava em Brasília e se mudou recentemente para Barreiras. O revólver estava debaixo do colchão.

O estudante mostrava seu rosto na rede social, postava críticas contra seus professores e assumia ódio para ser descontada, e demonstrou tristeza pela reação de sua família ao cometer o ataque. O estudante era seguido por 186 usuários e tinha postado 103 vezes desde setembro de 2021.

Uma das professoras da escola atacada descreveu o atirador como um aluno "introspectivo" e "calado", que se expressava pouco na sala de aula, mas tinha muito capricho nas atividades.

Uma investigação foi tomada pelas autoridades e foi descoberto que o atirador tinha contato com um outro jovem, Henrique Lira Trad, 18, que também cometeu um outro ataque em sua antiga escola, em Vitória, Espírito Santo. O que fez a investigação ver se existem outros membros de grupos de ódio.

Vítima Geane da Silva Brito (15 de outubro de 2003 - 26 de setembro de 2022), de 19 anos na época do ataque, era uma das sete filhas de Luciene da Silva Brito e José Ferreira de Brito. Silva sonhava em ser uma policial e estudava na instituição há quatro anos. Uma cuidadora de Silva, Vitória Sales, descreveu-a como uma aluna participativa, esforçada e sorridente. Em um vídeo gravado de Silva na escola, ela revelou o quanto prezava pelos estudos, disse que tinha uma relação positiva com os colegas e que gostava do colégio porque era um local em que "as pessoas não podiam fazer coisas erradas". Silva não tinha relação com o atirador. Silva cursava a 9ª série do ensino fundamental e se destacava entre a turma por sua trajetória da inclusão. Ela nunca faltou às aulas e queria permanecer estudando na escola, mesmo os pais dela querendo tirá-la, por ela ter que percorrer 26 quilômetros para poder chegar à instituição.

Os pais de Silva deram entrevista aos jornais, Ferreira comentou: “Eu peço ao Senhor que não deixe acontecer tragédias como essa nas escolas. Eu não quero ver o pai sofrer e sentir a dor que eu, como pai, e a família estamos sentindo nesse momento”. Já Brito disse: “Se vocês parassem hoje e pensassem numa criança que vive em uma cadeira de rodas e que vocês olhassem para o brilho dos olhos dela, no sorriso dela. Gente, isso é espelho para cada um de nós. Eu quero que esse legado não fique só para mim, que sou mãe, mas para cada um de vocês”.

Consequências O atirador foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), após não responder aos comandos médicos, mas conseguia respirar e, assim, foi levado ao Hospital Geral do Oeste e chegou por volta das 8h10, após ser baleado no ombro, abdômen e perna, ficando em estado grave e passou por uma cirurgia. Ele recebeu alta e, mais tarde, fez medidas socioeducativas em casa. Atirador ficou tetraplégico por causa dos graves ferimentos que sofreu após ser baleado.

A vítima fatal, identificada como Geane da Silva Brito, 19, foi sepultada na comunidade Ilha da Liberdade, e o enterro ocorreu depois, no cemitério do povoado de Cantinho do Senhor dos Aflitos. A presença de alunos de diversas escolas participou do velório, assim como representantes da direção administrativa do colégio, que é cívico-militar, também participaram da cerimônia.

Os estudantes da instituição fizeram orações e se emocionaram sobre o ataque que ocorreu e que resultou na morte de uma cadeirante.

No dia 4 de outubro, as aulas no Colégio Municipal Eurides Sant'Anna retornaram sob forte comoção. No dia anterior, as pessoas fizeram um culto e uma homenagem da vítima morta no ataque. Pais de alunos, funcionários e pastores participaram do culto.

Um ano após o ataque, policiais mantinham a vigilância e a segurança na escola. A comunidade escolar fez um culto na quadra em uma outra homenagem à vítima fatal.

Reações A prefeitura de Barreiras se manifestou após o ataque: "Em tempo, solidarizam-se com a família da aluna vitimada, expressando os mais profundos sentimentos neste momento de profunda dor e consternação".

A Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) comentou sobre o ataque: "Neste momento de dor, a SEC se solidariza com os familiares, amigos, estudantes, educadores e trabalhadores da instituição de ensino".

O candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, escreveu em suas redes sociais: "Minha solidariedade à família e amigos da jovem estudante Jeane da Silva, que morreu hoje num atentado a uma escola em Barreiras. Que Deus possa confortá-los e que a comunidade escolar, assim como toda a cidade, possa superar este momento de dor". Ver também

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