Mário de Beaurepaire Aragão (Rio de Janeiro, 10 de maio de 1918 - Rio de Janeiro, 1º de outubro de 1999) foi um engenheiro agrônomo e pesquisador brasileiro, filho de Henrique de Beaurepaire Rohan Aragão e Maria Amélia Doria de Aragão.Beaurepaire Rohan. Anuário Genealógico Brasileiro, São Paulo, ano 5, p. 51-52, 1943. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/docreader/063665/1999. Acesso em: 18 ago. 2025. Seu pai, considerado um dos mais importantes nomes da ciência do país, atuou no Instituto Oswaldo Cruz realizando estudos sobre protozoários, vírus, bactérias e ixodídeos (carrapatos).

Contribuições científicas

Mário Aragão destacou-se por suas pesquisas no campo da entomologia aplicada à saúde pública, com ênfase no estudo de insetos vetores de doenças. Seus trabalhos investigaram, entre outros aspectos, o comportamento de mosquitos do subgênero Kerteszia, incluindo padrões de voo, habitat e relação com fatores ambientais, como microclima e presença de bromélias.ARAGÃO, Mário B. O comportamento dos anofelinos do subgênero Kerteszia, no sul do Brasil e o efeito do inseticida DDT. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, 1974.

Essas pesquisas contribuíram para o entendimento da dinâmica de transmissão da malária em regiões do sul do Brasil, especialmente em áreas de mata atlântica, onde a associação entre mosquitos e bromélias desempenha papel relevante na manutenção do ciclo da doença.ARAGÃO, Mário B. Algumas medidas microclimáticas em área de bromélia-malária. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, 1958.

Estudos sobre controle de vetores

Ao longo de sua carreira, Aragão também se dedicou à investigação de estratégias de controle de vetores, incluindo o uso de inseticidas como o DDT e a análise de sua eficácia em diferentes contextos ecológicos. Seus estudos enfatizavam a necessidade de compreender as condições ambientais específicas para o sucesso das medidas de controle, antecipando abordagens mais integradas no combate às endemias.ARAGÃO, Mário B. O comportamento dos anofelinos..., 1974.

Além disso, participou de pesquisas relacionadas ao mosquito Aedes aegypti, contribuindo para o mapeamento de criadouros urbanos e para o desenvolvimento de estratégias de vigilância epidemiológica no Brasil.LIMA, Milton Moura; ARAGÃO, Mário B.; AMARAL, Ronaldo dos Santos. Criadouros de Aedes aegypti.... Cadernos de Saúde Pública, 1988.

Atuação institucional e interdisciplinar

A trajetória de Aragão foi marcada pela atuação em diferentes instituições científicas e governamentais, o que lhe permitiu integrar pesquisa acadêmica e políticas públicas. Sua participação no Projeto RADAMBRASIL, na década de 1970, exemplifica essa interface, ao contribuir com estudos sobre o uso potencial da terra em escala nacional.Dados biográficos e institucionais. Fundação Oswaldo Cruz.

Também integrou grupos de trabalho voltados à elaboração de diretrizes em saúde pública, como o manual Praguicidas em saúde pública, refletindo seu envolvimento na formulação de políticas e normativas relacionadas ao controle de vetores e uso de substâncias químicas.Conselho Nacional de Saúde, 1979.

Relação entre meio ambiente e saúde

Os estudos de Aragão evidenciaram a importância da relação entre fatores ambientais e a propagação de doenças, destacando como alterações no ecossistema podem influenciar a distribuição e o comportamento de vetores. Sua abordagem integrou conhecimentos de ecologia, climatologia e saúde pública, contribuindo para uma visão mais ampla e interdisciplinar das endemias rurais no Brasil.ARAGÃO, Mário B. Algumas medidas microclimáticas..., 1958.

Essa perspectiva antecipou discussões contemporâneas sobre saúde ambiental e a necessidade de políticas integradas para o controle de doenças transmitidas por vetores

Legado científico

A produção científica de Mário Aragão está associada ao avanço dos estudos sobre vetores de doenças no Brasil, especialmente no âmbito das instituições vinculadas à saúde pública, como a Fundação Oswaldo Cruz. Seus trabalhos contribuíram para consolidar bases empíricas importantes para o planejamento de ações de controle da malária e de outras doenças transmitidas por insetos.Fundação Oswaldo Cruz – histórico institucional.

Sua atuação também reforça o papel da pesquisa científica na formulação de políticas públicas de saúde, especialmente em contextos de endemias associadas a fatores ambientais e territoriais.

Formação acadêmica Em 1942 formou-se engenheiro agrônomo pela Escola Nacional de Agronomia, atual Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Entre 1971 e 1972 frequentou o Curso de Pós-Graduação em Entomologia da Universidade Federal do Paraná e obteve o título de mestre em ciências biológicas com a tese O comportamento dos anofelinos do subgênero Kerteszia, no sul do Brasil e o efeito do inseticida DDT.ARAGÃO, Mário B. O comportamento dos anofelinos do subgênero Kerteszia, no sul do Brasil e o efeito do inseticida DDT. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, v. 72, n. 3/4, p. 147-172, 1974. Disponível em: https://www.scielo.br/j/mioc/a/B6trX6FpRhtmc4df3W7gt7H/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 23 ago. 2025.

Trajetória profissional Em 1943 iniciou sua trajetória profissional como assistente do Serviço Florestal da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Três anos depois foi nomeado chefe do Posto Agrícola da Secretaria de Agricultura da Prefeitura do Distrito Federal (Rio de Janeiro). Em 1949 passou a exercer a função de pesquisador da Seção de Ecologia do Instituto de Malariologia, subordinado ao Serviço Nacional de Malária do Departamento Nacional de Saúde. Nesse instituto realizou pesquisas sobre microclimas, bromelecidas e o raio de voo de mosquitos vetores da malária nos estados do Paraná e Santa Catarina.Preenchidas as chefias de serviços na Secretaria de Agricultura. Diário Carioca, Rio de Janeiro, ano 19, n. 5.527, p. 8, 2 jul. 1946. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/docreader/093092_03/25140. Acesso em: 19 ago. 2025.ARAGÃO, Mário B. Algumas medidas microclimáticas, em mata da região "bromélia-malária", em Santa Catarina, Brasil. I - Temperatura do ar, umidade relativa e evaporação. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, v. 56, n. 2, p. 415-451, dez. 1958. Disponível em: https://www.scielo.br/j/mioc/a/LM395qT3GvPFzxhH5d3zfWJ/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 19 ago. 2025.

Em 1956 tornou-se pesquisador do Instituto Nacional de Endemias Rurais (INERu), órgão de pesquisas do Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu). De 1964 a 1968 trabalhou na Universidade de El Salvador como professor e diretor do Departamento de Ciências Biológicas. Em 1970 foi assessor do Instituto de Conservação da Natureza do estado da Guanabara.

Entrou para o quadro de servidores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 1975, com lotação no Instituto de Endemias Rurais, nova denominação do INERu, que passou para a estrutura organizacional da instituição após a extinção do DNERu, ocorrida em 1970. Entre 1976 e 1978 integrou o Projeto RADAMBRASIL, desenvolvido no âmbito do Ministério das Minas e Energia, na condição de assessor técnico da Divisão de Uso Potencial da Terra. Ainda na década de 1970 fez parte do Conselho de Valorização de Parques do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (1976) e do Grupo de Trabalho do Conselho Nacional de Saúde responsável pela elaboração do manual Praguicidas em saúde pública (1979).Ecologia. Conselho para valorização dos parques. Diário do Paraná, Curitiba, ano 22, n. 6.436, p. 4, 11 nov. 1976. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/761672/115060. Acesso em 18 ago. 2025.

Em 1980 transferiu-se para a Escola Nacional de Saúde Pública, também da Fiocruz, onde atuou como pesquisador titular no Departamento de Ciências Biológicas até sua aposentadoria em 1990. Durante esse período deu continuidade às pesquisas sobre insetos vetores de doenças e os meios de combatê-los.LIMA, Milton Moura; ARAGÃO, Mário B.; AMARAL, Ronaldo dos Santos. Criadouros de Aedes aegypti encontrados em alguns bairros da cidade do Rio de Janeiro, RJ, Brasil, em 1984-85. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 4, n. 3, p. 293-300, jul./set. 1988. Disponível em: https://cadernos.ensp.fiocruz.br/ojs/index.php/csp/article/view/198/396. Acesso em: 23 ago. 2025.

Ligações externas

Arquivo Pessoal de Mário Aragão sob a guarda da Casa de Oswaldo Cruz / Fundação Oswaldo Cruz

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