Atenógenes (; ) foi um nobre armênio do , ativo durante o reinado de . Era filho do católico Hesíquio I e irmão de Papa. Ao contrário de seu pai, seguiu vida laica e serviu no exército até sua eventual morte.
Nome
Atenógenes (, Athе̄nogénе̄s) é um nome de origem grega que significa "nascido de Atena". Foi registrado em armênio como Atanaguines (, At’anagines).
Vida
Atenógenes era irmão gêmeo de Papa e filho de Hesíquio com sua esposa, cujo nome não foi registrado. Fausto, o Bizantino afirmou que tratava-se de uma princesa, filha do príncipe Tigranes e neta do rei . Alega-se que foram concebidos na primeira noite que o casal permaneceu junto e que seu pai teria recebido uma visão, segundo a qual eram ineptos para seguirem a vida ministerial. Entretanto, um anjo supostamente apareceu diante de Hesíquio e o alertou de que da descendência deles surgiriam pessoas aptas ao ofício sacerdotal:
Em data incerta, Atenógenes e Papa casar-se-iam, respectivamente, com Bambišn e Varazducte, irmãs de Tigranes. Essa informação, associada à identidade alegada por Fausto da mãe deles, suscita problemas genealógicos, pois ambas seriam tias-avós de Atenógenes e Papa. Cyril Toumanoff corrigiu o problema ao assumir que a esposa de Hesíquio, na verdade, era filha de . Nina Garsoïan considerou que o relato pode ser genealogicamente confuso por alguma imprecisão de Fausto, mas também pode ser evidência da preservação da influência dos casamentos consanguíneos zoroastristas na Armênia cristã. Seja como for, Fausto afirmou que Atenógenes e Bambišn conceberam Narses, que tornar-se-ia católico no reinado de .
Em 347/8, depois de seu pai ser morto espancado numa igreja sob ordens do rei Tigranes VII , um conselho foi reunido para decidir quem deveria sucedê-lo e ambos foram desconsiderados por serem insubordinados e insubmissos; Fausto afirma que agiam com grande libertinagem e impureza e desprezavam e zombavam dos mandamentos de Deus. Atenógenes e Papa foram presos e forçados a receber a ordenação como diáconos, contra a própria vontade, mas por supostamente desprezarem a vida religiosa, seguiram carreira militar e serviram como soldados. Nina Garsoïan sugeriu que sua recusa decorreu do receio que tinham da ortodoxia teológica inflexível de sua família perante a postura arianizante do rei e da corte, que culminou no assassinato de seu pai.
Em data incerta, dirigiram-se a Astisata, em Taraunitis, onde realizaram um grande festim, regado em bebidas. Bêbados, entraram na residência episcopal da igreja com cantores e palhaços e profanaram o local com sua presença. Supostamente, quando reclinaram-se em sofás, um anjo surgiu e os incinerou com um raio. Todos os presentes abandonaram o recinto e os corpos deles foram deixados lá por meses até que foram eventualmente recolhidos e sepultados num vinhedo pertencente a uma igreja chamada Agaraque. Jean-Pierre Mahé propôs que eles foram assassinados, provavelmente por sua recusa a assumir a posição sacerdotal.
Bibliografia
Categoria:Armênios do século IV Categoria:Dinastia arsácida da Armênia Categoria:Família gregórida