Maria Luísa do Haiti (nascida Maria Luísa Coidavid, ; Ouanaminthe, 1 de agosto de 1778 — Pisa, 11 de março de 1851), foi a esposa do rei Henrique I e Rainha Consorte do Haiti de 1811 até 1820.Louis Marceau, María Luisa de Haití, 1778-1851, Buenos Aires: Editorial Raigal, 1953.
Biografia Primeiros anos Maria Luísa nasceu em uma família negra livre; seu pai era proprietário do Hotel de la Couronne, em Cap-Henri. Henrique Cristovão foi um escravizado comprado por seu pai. Supostamente, ele ganhou dinheiro suficiente em gorjetas pelos serviços prestados no hotel, o que lhe permitiu comprar sua liberdade antes da Revolução Haitiana. Eles se casaram em Cap-Henri, em 1793, tendo mantido um relacionamento desde o ano anterior. Tiveram quatro filhos: Francisco Fernando Cristovão (1794–1805), Francisca Ametista (fal. 1831), Ana Atenas (fal. 1839) e Jaime Vítor Henrique (1804–1820).
Com a nova posição de seu marido, em 1798, ela mudou-se para o Palácio de Sans-Souci. Durante a invasão francesa, ela e seus filhos viveram em refúgio até 1803.
Reinado thumb|230px|Retrato dos filhos do rei Henrique: o príncipe real Jaime Vítor Henrique e as princesas Francisca Ametista e Ana Atenas, por pintor deconhecida, 1811. Em 1811, Maria Luísa recebeu o título de rainha com a criação do Reino do Haiti. Seu novo estatuto lhe conferiu funções cerimoniais, damas de companhia, uma secretária e sua própria corte. Ela levava sua posição a sério e afirmou que o título "conferido a ela pela nação" também lhe atribuía responsabilidades e deveres a cumprir. Atuou como anfitriã da vida cerimonial da corte real em Sans-Souci. Não se envolvia nos assuntos de Estado. Foi-lhe concedido o cargo de Regente, caso seu filho sucedesse ao pai ainda menor de idade.Louis Marceau, María Luisa de Haití, 1778-1851, Buenos Aires: Editorial Raigal, 1953, pp. 2–18. Contudo, como seu filho atingiu a maioridade antes da morte do pai, tal previsão não se concretizou.
Após a morte do rei, em 1820, ela permaneceu com as filhas Francisca Ametista e Ana Atenas no palácio, até serem escoltadas por seguidores do rei, junto com seu corpo; após sua partida, o palácio foi atacado e saqueado. Maria Luísa e suas filhas receberam a propriedade Lambert, nos arredores de Cap-Henri. Foi visitada pelo presidente Jean-Pierre Boyer, que lhe ofereceu proteção; ele recusou as esporas de ouro que ela lhe entregou, afirmando ser líder de um povo pobre. Foi-lhes permitido estabelecer residência em Porto Príncipe. Maria Luísa foi descrita como calma e resignada, mas suas filhas, especialmente Ana Atenas, foram descritas como vingativas.Quoted in Louis, Marie-Louise d’Haïti, 43; see also Hénock Trouillot, "La République d’Haïti entre la francophonie et l’américanisme (19e siècle et du début du 20e)", Revista de historia de América, no. 80 (July–Dec. 1975): 87–145.
Exílio thumb|left|200px|Placa azul em homenagem à rainha na casa nº 5 da Exmouth Place, Hastings A rainha viveu no exílio por 30 anos. Em agosto de 1821, Maria Luísa deixou o Haiti com suas filhas sob proteção da Marinha Real Britânica, viajando para Londres. Circularam rumores de que ela procurava os três milhões supostamente depositados por seu marido na Europa. Seja como for, ela viveu o restante de sua vida sem dificuldades financeiras.
Na Inglaterra, moraram em Blackheath, onde foram recebidas por importantes abolicionistas, e depois mudaram-se para o número 49 da Weymouth Street, em Londres, onde residiram entre 1821 e 1824. Em outubro de 1822, ela se estabeleceu em Hastings, East Sussex, na atual casa nº 5 da Exmouth Place, com suas filhas, que, como muitos aristocratas e abastados londrinos, buscavam fugir da poluição e do ritmo intenso do centro da cidade. Em 2022, placas azuis foram instaladas em homenagem à passagem da rainha pela Inglaterra.
thumb|right|200px|Placa memorial instalada em frente à Igreja de San Donnino, Itália, em homenagem à rainha e princesas do Haiti O clima inglês e a poluição durante a Revolução Industrial foram prejudiciais à saúde de Francisca Ametista, e eventualmente decidiram partir.
Em 1824, Maria Luísa e suas filhas mudaram-se para Pisa, no Grão-Ducado da Toscana (atualmente Itália), onde viveram pelo resto de suas vidas. Francisca Ametista faleceu pouco após a chegada, e Ana Atenas em 1839. Viveram discretamente na maior parte do tempo, embora ocasionalmente fossem assediadas por caçadores de fortunas e pretendentes ao trono interessados em seus bens.
Morte Pouco antes de sua morte, Maria Luísa escreveu ao Haiti pedindo permissão para retornar. Contudo, ela faleceu antes que isso ocorresse, em 11 de março de 1851, na Itália. Está sepultada na Igreja de San Donnino. Uma placa memorial foi instalada em frente à igreja em 23 de abril de 2023, em homenagem à rainha, suas filhas e sua irmã.
Ver também Maria Clara do Haiti Adélina Soulouque
Ligações externas
Le Fabuleux Destin de la Reine Marie-Louise d'Haïti (em francês). Consultado em 19 de outubro de 2025. Miriam Franchina, "Marie-Louise of Haiti in Pisa". Age of Revolutions (em inglês). Consultado em 7 de agosto de 2023.
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