Francisca Ametista Cristóvão (; Cap-Français, – Pisa, ) foi uma Princesa Real do Haiti, filha do rei Henrique I e de sua consorte, Maria Luísa Coidavid.
Biografia Francisca Ametista Cristóvão () nasceu no dia 9 de maio de 1798 em Cap-Français, São Domingos, durante um período de turbulência política e militar. Seu pai, Henrique Cristovão, atuava como general e líder na luta pela independência do Haiti, enquanto sua mãe, Maria Luísa, administrava sua propriedade em Saint-Michel.
Em 1811, seu pai foi oficialmente elevado ao título de rei do Haiti, com o estabelecimento do Reino do Haiti. No dia 2 de junho daquele ano, Henrique, sua esposa Maria Luísa, e seu filho Jaime Vítor Henrique, de sete anos, participaram de sua magnífica cerimônia de coroação, conduzidos em uma carruagem puxada por oito cavalos. Suas filhas adolescentes, as futuras princesas Ametista e Ana Atenas, seguiram em uma carruagem separada, puxada por seis cavalos. A coroação ocorreu durante uma missa dominical longa e opulenta, presidida pelo Padre Cornélie Brelle, da Bretanha, que anteriormente havia servido como Prefeito Apostólico do Estado do Haiti sob o governo do outrora presidente Henrique Cristovão.
miniaturadaimagem|esquerda|230px|Retrato dos filhos do rei Henrique: o príncipe real Jaime Vítor Henrique e as princesas Francisca Ametista e Ana Atenas, por pintor deconhecido, 1811. Com a elevação do seu pai ao estatuto de rei, Ametista foi intitulada "Princesa Real" e, como primogênita, era a conhecida na corte omo Madame Première. A Condessa d'Ouanaminthe foi designada governanta de Ametista e foi responsável por sua educação formal.
Em 1812, a situação política e militar do Haiti permanecia instável. O Princess Royal (ou Royal Améthyste), um dos navios mais valiosos do rei (nomeado em homenagem à Ametista) foi enviado juntamente com outros dois para patrulhar as águas do sul do país. Essa ação reacendeu as tensões entre a monarquia do norte e a república do sul. O navio foi capturado e entregue à República, supostamente em um ato de conspiração e traição envolvendo um homem chamado Paparelli, que o rei mais tarde mandou executar. A fragata inglesa Southampton, após consulta com o presidente Alexandre Pétion, atacou a embarcação em Miragoâne, mas esta foi posteriormente tomada pelas forças de Henrique I e levada para Porto Príncipe. Esses acontecimentos alimentaram rumores sobre uma expedição do norte contra o sul e provocaram agitação generalizada, com o tratamento severo dispensado às tripulações dos navios aprofundando ainda mais a desconfiança e o conflito.
Circulavam rumores na Europa de que Francisca Ametista, ou sua irmã Ana Atenas, poderia se casar com o príncipe Pedro de Bragança. O jornal monarquista Le Drapeau Blanc, de Paris, teria omitido uma notícia sobre ele casar-se com uma princesa filha do negro Cristóvão do Haiti:
No entanto, sugere-se que a suposta união com uma princesa do Haiti nunca foi discutida seriamente e funcionava apenas como uma forma de ridicularizar tanto o Haiti, o primeiro país ocidental moderno a ter um chefe de Estado negro, quanto o Reino do Brasil, por sua composição étnica miscigenada e por ter recebido a família real portuguesa em seu território após a transferência da corte para o Rio de Janeiro, em retirada das tropas de Napoleão.
Em 1820, após anos em que o rei Henrique se tornara um monarca autocrático e impopular, e cujo reino vivia em constante beligerância com o sul, ele preferiu tirar a própria vida com uma bala de prata a enfrentar a possibilidade de um golpe. Segundo relatos, ajoelhados silenciosamente ao seu lado, chorando, estavam seus filhos adolescentes, as princesas Ametista e Atenas e o príncipe Jaime Vítor Henrique. Diante do corpo sem vida do rei, a rainha orava, tomada pela dor e pelo luto. Seu irmão, o príncipe real, então com dezesseis anos, não teve oportunidade de suceder ao pai, sendo preso e executado a estocadas de baioneta por revolucionários no Palácio de Sans-Souci.
Em agosto de 1821, Ametista deixou o Haiti acompanhada de sua mãe e irmã, sob a proteção da Marinha Real Britânica, com destino a Londres. No entanto, o clima inglês e a poluição decorrente da Revolução Industrial prejudicaram a saúde de Ametista, o que levou a família a buscar outro local para se estabelecer. Em 1824, a família mudou-se para Pisa, no Grão-Ducado da Toscana (atualmente parte da Itália), onde Ametista faleceu pouco tempo após a chegada, em 15 de outubro de 1831, em decorrência de complicações associadas a um coração aumentado.
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