Os Antigos celeiros da EPAC de Mértola consistem num complexo agrícola e industrial encerrado, situado perto da vila de Mértola, na região do Alentejo, em Portugal. Na década de 2020, o edifício foi convertido num centro de investigação do ambiente, a Estação Biológica de Mértola.

Descrição e história O antigo complexo da EPAC está situado na margem esquerda do Rio Guadiana, no lado oposto de Mértola. Devido à sua localização, tem um grande impacto visual para quem observa a margem oposta a partir do centro histórico da vila. Era formado por celeiros, silos e uma fábrica de moagem.

Foi construído entre 1938 e 1956, como parte dos programas estatais de fomento à agricultura no Alentejo, tendo chegado a ser a maior fonte de rendimento para a vila. funcionou até 1961, tendo depois sido integrado na EPAC - Empresa Pública de Abastecimento de Cereais, que por seu turno foi extinta em 1999, deixando a unidade de Mértola ao abandono.

Pelo menos desde os inícios da década de 2010 que o município de Mértola procurou adquirir o imóvel ao governo central para promover a sua requalificação, mas o processo arrastou-se devido a vários problemas. Segundo o presidente da Câmara Municipal, Jorge Rosa, o imóvel deveria ter sido desde logo cedido à autarquia, de acordo com a legislação em vigor, mas acabou por ser posto em hasta pública, tendo sido então comprado pelo município.

Em 2021, a autarquia de Mértola anunciou que nesse ano iria converter o antigo complexo dos celeiros numa estação biológica, intervenção que iria custar cerca de 4,5 milhões de Euros. José Rosa explicou que a estação biológica iria funcionar em colaboração com o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, da Universidade do Porto, prevendo-se que fossem ali trabalhar cerca de trinta a quarenta investigadores, nas áreas da diversidade ambiental e da natureza. Em Junho de 2021 foi criada a Estação Biológica, que foi provisoriamente instalada na Casa dos Azulejos. Em Outubro de 2022 já se tinham iniciado as obras de conversão dos antigos celeiros. Esta intervenção foi concebida de forma a preservar os antigos edifícios da EPAC, devido ao seu valor como símbolo do passado recente da região, quando foi um grande centro de produção de cereais durante o Estado Novo.

Previa-se que a estação biológica iria ser composta por laboratórios, alojamentos e um auditório, entre outros espaço. Dentro do complexo dos antigos celeiros iria ser igualmente instalada a Galeria da Biodiversidade de Mértola – Centro de Interpretação da Biodiversidade do Vale do Guadiana, além de áreas destinadas aos arquivos e museu municipais, intervenção que iria aumentar em cerca de 1,7 milhões de Euros o investimento total. De acordo com a autarquia, a Galeria da Biodiversidade iria ser «um espaço de interpretação da paisagem e biodiversidade em presença no território que se constitui como valência turística de relevância para a salvaguarda do património natural e para a afirmação de Mértola e do Alentejo como destinos de excelência para o turismo de natureza».

Ver também Lista de património edificado em Mértola Moinho do Alferes Fábrica do Miranda Fábrica de Moagem de Sabóia Museu de Vila do Bispo Portinho da Casa Branca

Ligações externas

Categoria:Património edificado em Mértola Categoria:Fundações em Portugal em 1938 Categoria:Extinções em Portugal em 1999