A eleição parlamentar na Argentina em 2025 foi realizada em 26 de outubro para renovar 127 das 257 cadeiras na Câmara dos Deputados para o período legislativo de 2025 a 2029 e 24 das 72 cadeiras no Senado para o período de 2025 a 2031. As 24 cadeiras renovadas do Senado são todos os senadores dos seguintes distritos eleitorais: Cidade Autônoma de Buenos Aires, Chaco, Entre Rios, Neuquén, Rio Negro, Salta, Santiago del Estero e Terra do Fogo, Antártida e Ilhas do Atlântico Sul.
Esta eleição de meio de mandato foi a primeira eleição nacional em que se usou a cédula única de papel (em espanhol: Boleta Única Papel, BUP), instaurada pela Lei n.º 27.781 de outubro de 2024, substituindo as cédulas partidárias. Além disso, em 20 de fevereiro de 2025 foi aprovado, com promoção pelo governo Milei, o projeto de suspensão temporária das eleições primárias (PASO) para o pleito de 2025. Apesar disso, as províncias tem liberdade de realizar primárias para eleger suas autoridades locais e continuarão a realizá-las a não ser que essas também sejam suspensas.
A eleição foi vencida de forma surpreendente pela coalizão do presidente Javier Milei, A Liberdade Avança (LLA), com mais de 40% dos votos, obtendo pouco mais da metade das cadeiras em disputa. A vitória deu ânimos ao mercado argentino e foi vista como uma possibilidade de solidificar as reformas liberais do governo.
Contexto Esta eleição de meio de mandato é a primeira desde o início da presidência de Javier Milei. Durante uma reunião na Casa Branca com o presidente argentino em 14 de outubro, o presidente dos EUA, Donald Trump, condicionou o resgate financeiro da Argentina pelos Estados Unidos em 2025 ao sucesso eleitoral da coalizão de Milei. No dia seguinte, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse a repórteres que US$ 20 bilhões adicionais em ajuda financeira poderiam ser destinados à Argentina por meio de fundos soberanos e investimentos de bancos privados.
Sistema eleitoral A eleição parlamentar é realizada a cada dois anos para renovar parcialmente as duas câmaras do Congresso Nacional. Em cada eleição, renova-se quase metade dos cargos da Câmara de Deputados e os senadores de 8 dos 24 distritos eleitorais, o que corresponde a um terço do Senado.Constituição da Argentina, art. 50 e art. 56. A eleição se realiza mediante voto direto,Código Nacional Eleitoral, art. 156 e art. 158. secreto e obrigatório,Constituição da Argentina, art. 37. apesar de não haver sanção para a abstenção de pessoas menores de 18 anos ou maiores de 70 anos.Código Nacional Eleitoral, art. 18.
A Câmara de Deputados, segundo o art. 45 da Constituição Nacional, é formada por deputados eleitos por cada distrito eleitoral (23 províncias e 1 cidade autônoma). Cada distrito teria um número de deputados proporcional à população que se atualiza a cada 10 anos, de acordo com o Censo argentino. No entanto, essa regra constitucional não foi aplicada depois de 1983: o número atual de deputados da cada distrito foi estabelecido pela ditadura militar naquele ano pelo Decreto-lei 22.847/83, de acordo com o censo de 1980 e sem cumprir a regra de proporcionalidade, de modo que alguns distritos como a cidade de Buenos Aires e as províncias menores têm mais deputados dos que corresponder-lhes-iam segundo a Constituição, e outras, como a província de Buenos Aires, Córdoba, Santa Fé, Mendoza e Salta, têm menos. Em cada distrito, os cargos distribuem-se de maneira proporcional aos votos obtidos por cada força política, usando o sistema D'Hondt, excluindo as forças que obtivessem votação inferior a 3% dos eleitores registrados em cada distrito.Código Eleitoral Nacional, art. 161. Os mandatos dos deputados duram quatro anos, com a possibilidade de reeleição ilimitada.Constituição da Argentina, art. 50. Para ser deputado, deve-se ter mais de 25 anos.Constituição da Argentina, art. 48.
O Senado, segundo o art. 54 da Constituição Nacional, é composto por três senadores de cada província e três da cidade de Buenos Aires. Dois dos senadores devem corresponder à força política com maior número de votos e um dos senadores deve corresponder à com o segundo maior número. Os mandatos dos senadores duram seis anos, também com a possibilidade de reeleição ilimitada.Constituição da Argentina, art. 56. Para ser senador, deve-se ter mais de 30 anos.Constituição da Argentina, art. 55.
Cronograma O cronograma para as etapas da eleição ficou estabelecido da seguinte forma: Data Evento 19 de abril Encerramento do registro eleitoral provisório 29 de abril Publicação do registro eleitoral provisório 13 de maio Prazo para correção do registro eleitoral 7 de agosto Prazo final para formação de alianças e confederações 17 de agosto Prazo final para envio das listas de candidatos 27 de agosto Início da campanha eleitoral 1º de setembro Prazo final para realização de audiência pública para exposição do desenho da Cédula Única de Papel 16 de setembro Publicação do registro eleitoral 21 de setembro Início da campanha eleitoral em meios audiovisuais 1º de outubro Início da proibição de eventos públicos governamentais 18 de outubro Início do período de proibição de publicação de pesquisas eleitorais 24 de outubro Fim da campanha eleitoral e início do silêncio eleitoral 26 de outubro eleição parlamentar nacional 28 de outubro Início do escrutínio definitivo 10 de dezembro Posse de senadores e deputados eleitos.
Cargos a eleger
Cadeiras por distrito
DistritoCâmara de DeputadosSenadoTotalA renovarTotalA renovarBuenos Aires70353—Cidade Autônoma de Buenos Aires251333 Catamarca533— Chaco7433 Chubut523— Córdoba1893— Corrientes733— Entre Ríos9533 Formosa523— Jujuy633— La Pampa533— La Rioja523— Mendoza1053— Misiones733— Neuquén5333 Rio Negro5233 Salta7333 San Juan633— San Luis533— Santa Cruz533— Santa Fe1993— Santiago del Estero7333Terra do Fogo, Antártida e Ilhas do Atlântico Sul5233 Tucumã943—Total2571277224Fuente:
Cadeiras por bloco partidário BlocoCâmara de DeputadosSenadoTotalA renovarTotalA renovarUnião pela Pátria98463415A Liberdade Avança8235152Províncias Unidas3119207Democracia para Sempre129––Inovação Federal8331Coalizão Cívica64––FIT-Unidade54––Coerência40––Independência32––Movimento de Integração e Desenvolvimento20––Produção e Trabalho21––Defendamos Santa Fé11––Movimento Popular Neuquino11––Republicanos Unidos11––
Pesquisas de opinião
Reações O ex-presidente Mauricio Macri parabenizou Javier Milei e disse que os argentinos escolheram “renovar as esperanças” para o país.
O presidente dos Estados Unido, Donald Trump, felicitou Milei pela sua "vitória esmagadora", acrescentando que o povo argentino justificou a confiança e o apoio dos Estados Unidos a Milei. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também felicitou Javier Milei e destacou a Argentina como um "aliado vital" na América Latina. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu expressou suas "mais calorosas felicitações" aos argentinos e ao presidente Milei por sua "vitória extraordinária". O presidente paraguaio Santiago Peña expressou sua satisfação pela vitória de Milei e parabenizou o povo argentino. O presidente eleito da Bolívia Rodrigo Paz Pereira parabenizou Milei, dizendo que sua vitória "confirma o apoio dos cidadãos argentinos à sua liderança", expressando que espera fortalecer as relações entre os dois países.
Ver também
Eleição parlamentar na Argentina em 2023 Eleição presidencial na Argentina em 2023
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