Assucena Halevi Assayag Santos Araújo (Vitória da Conquista, 1988) é uma cantora, atriz e artista transgênero brasileira, de ascendência judaica marroquina. Durante seis anos, fez parte do grupo musical As Baías, desfeito em 2021. Em 2019 e 2020, recebeu indicações para o Grammy Latino, estando entre as primeiras pessoas trans indicadas para a premiação. Em 2023, lançou seu primeiro álbum solo, "Lusco-Fusco".

Assucena é colunista da Vogue Brasil, e integra a bancada do programa "Precisamos Conversar", do Instituto Conhecimento Liberta.

Biografia Nascida em Vitória da Conquista, Bahia, informa ter começado a cantar por volta dos "três ou quatro anos" de idade. Embora sua família não tivesse nenhum relação direta com a música, por influência paterna ouvia em casa cantores da Jovem Guarda, como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, e posteriormente, Gal Costa, bem como cantores populares nordestinos, como Luiz Gonzaga, Elomar Figueira e Edigar Mão Branca. Pela origem judaico-marroquina da sua família, também ouviu a cantora israelense de origem iemenita Ofra Haza. Outra de suas influências musicais foi Whitney Houston, que descobriu aos nove anos de idade assistindo em fita alugada ao filme O Guarda-Costas (1992).

Na adolescência, Assucena mudou-se para São Paulo, e foi estudar História na Universidade de São Paulo (USP). Ali, em 2011, conheceu Raquel Virgínia e Rafael Acerbi, ao lado dos quais criou a banda universitária "Preto por Preto", posteriormente "As Bahias e a Cozinha Mineira" (que se tornaria "As Baías" em sua fase final). Embora não tenha concluído a graduação, Assucena declara que "o curso de História foi fundamental na minha trajetória e na produção da sujeita que eu sou hoje". Em 2015, durante a produção do primeiro álbum do trio ("Mulher"), ela começou o seu processo de transição. A decisão não foi bem aceita em sua família, cujo núcleo ela classifica como "religioso e conservador", e a cantora conta que recebeu apoio principalmente da mãe, da irmã, e da avó, a qual usou um argumento judaico para convencê-la de que ela poderia ser o que quisesse, tomando o profeta Samuel como exemplo: "Deus não quer saber o que você veste ou o batom que você usa, quer saber do seu caráter, ela me disse".

Assucena nem sempre teve uma relação fácil com o judaísmo, com o qual rompeu na juventude. O seu reencontro com a religião se deu em São Paulo, e teve influência da música, particularmente do seu contato com o repertório sefardita da cantora Fortuna. Acolhida pela comunidade judaica paulistana, em 2020 ela integrava a comissão LGBTQ+ da Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo) e colaborava com o IBI (Instituto Brasil-Israel). Assucena via sua atuação institucional como uma forma de combater o que considerava um discurso mal informado e uma "crença preguiçosa", de que a comunidade judaica apoiava Jair Bolsonaro.

Carreira artística Musical Assucena iniciou sua carreira musical em 2011, enquanto estudava na USP. Com os amigos Raquel Virgínia e Rafael Acerbi, formou a banda universitária Preto por Preto (posteriormente As Bahias e a Cozinha Mineira, e As Baías), com os quais gravou quatro álbuns ("Mulher", 2015; "Bixa", 2017; "Tarântula", 2019 e "Enquanto estamos distantes", 2020). Em 2021, ela deixou o grupo para seguir carreira solo.

Também em 2021, de volta à Bahia, apresentou o show "Rio e também posso chorar – Fatal 50", uma homenagem aos 50 anos do álbum "Fa-tal – Gal a Todo o Vapor" (1971), de Gal Costa. Em 2022, lançou seu primeiro single autoral, "Partido alto", e realizou o show "Minha voz e eu", acompanhada de Rafael Acerbi no violão, com repertório de Elis Regina e Gal Costa.

Em 2023, levou o show "Rio e também posso chorar – Um tributo a Gal Costa" para o Rio de Janeiro, e lançou seu primeiro álbum solo, "Lusco-Fusco", com dez faixas autorais, incluindo os singles "Menino da pele cor de jambo", "Nu" e "A última quem sabe".

Artes cênicas Em 2022, Assucena interpretou Medeia na peça "Mata teu pai, ópera-balada", adaptação da obra clássica de Eurípedes. Por sua interpretação, foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro, na categoria Melhor Atriz.

Discografia

Carreira solo Título DetalhesLusco-FuscoLançamento: 2023 Formatos: Streaming Gravadora: Álbum independente

Filmografia Cinema Ano Título Personagem 2018 Bixa Travesty Ela mesma

Prêmios e indicações Grammy Latino 2019 +CategoriaIndicaçãoResultadoMelhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua PortuguesaTarântula (com As Bahias e a Cozinha Mineira) Grammy Latino 2020 +CategoriaIndicaçãoResultadoMelhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua PortuguesaEP Enquanto estamos distantes (com As Baías) Prêmio Shell 2022 +CategoriaIndicaçãoResultadoMelhor atrizMedea (em Mata Teu Pai — Ópera Balada)

Referências

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