Daniel Bueno Vorcaro (Belo Horizonte, 6 de outubro de 1983) é um empresário brasileiro com atuação nos setores financeiro, imobiliário, de saúde e varejo. Formado em economia, com MBA pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), destacou-se como acionista majoritário e presidente do Banco Master, instituição que liderou processos de expansão e diversificação de investimentos. Ao longo de sua carreira, ampliou seu portfólio empresarial com participações em empresas como Biomm e Veste S.A. Estilo, além de integrar o grupo de investidores da Sociedade Anônima do Futebol do Clube Atlético Mineiro. Também é conhecido por sua atuação no setor imobiliário e por iniciativas empresariais de grande porte por meio da holding Viking Participações.

É autor de uma das maiores fraudes no sistema bancário e financeiro como um todo no Brasil, o que resultou na liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central e na sua prisão em março de 2026. O esquema é descrito como um dos maiores da história do sistema financeiro brasileiro. O esquema possuía modus operandi baseado em uma pirâmide de crédito que emitia títulos de investimento sem nenhum lastro real, atraindo assim bilhões em investimentos através de ofertas enganosas e absurdas, com falsas promessas de rentabilidade altamente acima do mercado com alcances percentuais de 130% ou 140% do CDI. O esquema contava ainda com forte setor interno atuando na prática de atos de extorsões, coerções, ameaças, agressões graves com atos de violência física, moral, econômica, psicológica, patrimonial, profissional, calúnias, difamações, injúrias, exposição caluniosa, tráfico de influências, direcionados a quaisquer desafetos, concorrentes comerciais, de influência política, adversários, críticos que representassem qualquer possibilidade de barreira, de regulação, de fiscalização ou tentativa de aplicação das normativas e regulações legais para cumprimento em totalidade e conformida com a lei.

Além de variados tipos de impactos, danos, prejuízos, déficits e agressões extremamente graves ao sistema legal, político, social e econômico brasileiro de perspectivas imensuráveis na sua totalidade, o esquema causou um rombo financeiro estimado em 56 bilhões de reais só na fase inicial da investigação e com as provas preliminares já descobertas, ameaçando fundos de pensão e aposentadorias. Para tentar conter o risco sistêmico, bancos brasileiros fecharam um acordo de antecipação de 32,5 bilhões de reais para cobrir os pagamentos aos correntistas e investidores.

Vorcaro passou a ser mencionado em investigações da Polícia Federal (PF) relacionadas a um suposto esquema de fraude financeira bilionária. A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro de 2025, levou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a estimar um desembolso de cerca de 41 bilhões de reais para a cobertura das garantias, valor apontado pelo próprio fundo e pela imprensa como o maior já previsto em sua história. Em março de 2026, Vorcaro assinou com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e com a PF um termo de confidencialidade, com objetivo de firmar um acordo de colaboração premiada. No mesmo dia, foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Em 1 de junho de 2026, a defesa de Daniel Vorcaro apresentou uma nova versão de delação premiada do banqueiro durante uma reunião com integrantes da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR). A reunião ocorreu após a primeira proposta de delação premiada dele rejeitada pela PF em 20 de maio do mesmo ano. A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro incluiu informações sobre o financiamento do filme Dark Horse e sobre a relação com o senador Ciro Nogueira na segunda proposta de colaboração premiada. Em 11 de junho de 2026, a PF rejeitou a segunda proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro. Os policiais da PF disseram que “o próprio celular de Vorcaro já é uma delação premiada”, numa referência ao volume de informações já obtidas pela investigação. Em 15 de junho de 2026, a PGR rejeitou a segunda proposta de delação de Vorcaro.

Biografia e carreira

Primeiros anos e início da carreira Daniel Vorcaro nasceu em Belo Horizonte, filho de Henrique Vorcaro, corretor de imóveis, e neto de Serafim Vorcaro, imigrante italiano e pastor protestante. Durante a adolescência, estudou na Fundação Torino, em Belo Horizonte. Recebeu uma bolsa para estudar em uma escola de negócios em Turim, na Itália, mas optou por permanecer em Belo Horizonte, onde formou-se em economia no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais e posteriormente concluiu, em 2007, um MBA em finanças. A família tem vínculo com a Igreja Batista da Lagoinha. Entre 2008 e 2009, ele apresentou um programa musical chamado Supersônica na Rede Super, uma emissora de televisão adquirida pelo seu pai e vinculada à igreja. Sua irmã, Natalia Vorcaro Zettel, é pastora numa das filiais da igreja na capital mineira.

Primeiros negócios e setor imobiliário O primeiro empreendimento de Vorcaro ocorreu aos 19 anos, quando passou a administrar o curso PQS Empreendimentos Educacionais, em Nova Lima, e uma editora de livros didáticos, ambos adquiridos por seu pai. Posteriormente, o negócio foi vendido após relatos de divergências na gestão. A partir de 2004, ingressou no setor imobiliário por meio de empresas da família, como a Multipar e a Mercatto.

Atuação no setor financeiro e investimentos Em 2018, Vorcaro adquiriu a opção de compra do Banco Máxima, então controlado por Saul Sabbá, que havia sido inabilitado pelo Banco Central do Brasil. Em associação com os irmãos Conte, obteve a aprovação regulatória da transferência de controle em 2019 e, em 2021, a instituição passou a operar sob o nome Banco Master. Além do setor financeiro, Vorcaro ampliou seus investimentos com participações na farmacêutica mineira Biomm e na empresa de varejo paulista Veste S.A. Estilo (antiga Restoque). Em 2023, investiu também na Sociedade Anônima do Futebol do Clube Atlético Mineiro.

Estratégia operacional e expansão do Banco Master Sob a gestão de Vorcaro, o Banco Master cresceu de forma exponencial: entre 2019 e 2024, o patrimônio líquido saltou de R$ 200 milhões para 4,7 bilhões de reais, enquanto a carteira de crédito avançou de 1,4 bilhão para 40 bilhões de reais. Essa expansão foi apoiada pela emissão massiva de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com retornos significativamente acima da média de mercado, que chegaram a 130% do Certificado de Depósito Interbancário. Os recursos captados eram frequentemente direcionados a fundos geridos pelo próprio banco, compostos por ativos de empresas em reestruturação financeira, como a Oi, Gafisa, Light, CVC e a Ambipar.

Para atender às exigências de liquidez relacionadas aos títulos, o banco teria estruturado uma operação envolvendo a venda de uma carteira de crédito ao Banco de Brasília (BRB). Apurações do Ministério Público Federal (MPF) indicaram que o BRB realizou aportes de aproximadamente 16,7 bilhões de reais no Banco Master entre 2024 e 2025, dos quais cerca de 12,2 bilhões de reais estavam associados a essas operações, posteriormente analisadas pelas autoridades. Em um primeiro momento, Vorcaro afirmou que esses créditos eram originários de associações de servidores públicos da Bahia; posteriormente, a origem passou a ser atribuída à empresa Tirreno. Investigações do MPF indicaram que a Tirreno teria sido constituída a partir de uma empresa previamente classificada como irregular e que não apresentava atividade financeira compatível, o que levou à apuração sobre a existência dos créditos.

Em dezembro de 2024, o então presidente do Banco Central do Brasil (Bacen), Roberto Campos Neto, convocou Vorcaro para uma reunião de emergência, na qual foi solicitado um aporte de capital diante do risco de liquidação. Em resposta às exigências regulatórias, foram avaliadas alternativas que incluíam a possibilidade de venda do Banco Master ao BRB. Nesse contexto, passaram a atuar na representação dos interesses envolvidos profissionais de destaque no meio jurídico e político, entre eles o ex-presidente Michel Temer e o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, este na condição de consultor. A operação foi vetada pelo Banco Central em setembro de 2025, após análises sobre sua viabilidade financeira. Após o episódio, o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo.

Liquidação e desdobramentos judiciais

Em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi conduzido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos, quando se preparava para embarcar em seu jato Falcon 7X com destino a Malta. Horas antes, o Banco Central havia decretado a liquidação extrajudicial do Banco Master, o que tornou sem efeito o anúncio, feito na véspera, de sua venda para um consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira. Embora a defesa de Vorcaro tenha afirmado que o destino final era Dubai, para uma reunião com investidores, e que o deslocamento havia sido previamente comunicado ao Banco Central, autoridades judiciais brasileiras interpretaram a viagem como possível risco de evasão. Em 28 de novembro de 2025, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou a soltura de Vorcaro mediante medidas cautelares. Em dezembro de 2025, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou sigilo máximo para o pedido de defesa de Vorcaro.

A liquidação do Banco Master afetou aproximadamente 1,6 milhão de clientes. O FGC estimou um desembolso de cerca de 41 bilhões de reais para cobertura das garantias, valor que representou aproximadamente 30 por cento de suas reservas. Entre os investidores institucionais impactados estavam a Oncoclínicas (433 milhões de reais), a CEDAE (200 milhões de reais) e o fundo de pensão Rioprevidência (970 milhões de reais).

Em 14 de janeiro de 2026, a Polícia Federal do Brasil realizou a segunda fase da operação Compliance Zero sobre um suposto esquema de fraudes financeiras no banco que incluiu buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, e parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele. A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. A PF bloqueou 5,7 bilhões de reais e apreendeu bens como carros, relógios de luxo e outros itens de valor em endereços de Daniel Vorcaro e parentes. O empresário Nelson Tanure foi um dos alvos de busca e apreensão da operação e localizado pelos policiais no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando embarcaria em um voo nacional. Os agentes da Polícia Federal suspeitaram de vazamento de informações na operação após a localização do cunhado de Vorcaro, que estava no Aeroporto de Guarulhos.

Em 18 de julho de 2026, a PF acionou a Interpol para tentar localizar bens e ativos de Daniel Vorcaro na América do Norte e na Europa, em uma nova frente da investigação no escândalo do Banco Master.

Em 14 de setembro de 2026, a PF informou que entregou as cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do STF. Um arquivo compactado dos dados extraído do celular apreendido de Daniel Vorcaro, que foi enviado pela PF por determinação de ministros do STF, tem 500 gigabytes (GB).

Prisão thumb|right|Daniel Vorcaro na prisão

No dia 4 de março de 2026, foi preso pela PF na terceira fase da Operação Compliance Zero. O motivo da prisão foi ameaças ao jornalista do O Globo Lauro Jardim, ocultação de patrimônio e pagamento de despesas vinculadas a atividades criminosas. Cerca de 2,2 bilhões de reais foram ocultados na conta do pai do Vorcaro em janeiro de 2026, valor bloqueado pela justiça na operação.