O Assassinato de Kauã e Joaquim refere-se à morte dos irmãos Kauã Sales Butkovsky (6 anos) e Joaquim Alves Sales (3 anos), ocorrida em 21 de abril de 2018, na residência da família, no Centro de Linhares, Espírito Santo. A investigação policial concluiu que o ex-pastor Georgeval Alves, pai biológico de Joaquim e padrasto de Kauã, estuprou, torturou e agrediu os meninos antes de atear fogo no quarto onde eles dormiam. O caso teve ampla repercussão devido à gravidade e às circunstâncias do crime.
Detalhes do caso
Crime A morte das crianças Kauã Salles Butkovsky e Joaquim Alves Salles ocorreu em 21 de abril de 2018 em decorrência de um incêndio na residência da família, em Linhares, Espírito Santo. Inicialmente, o ex-pastor Georgeval Alves Gonçalves — pai de Joaquim e padrasto de Kauã — declarou ter acordado com os gritos das vítimas e tentado resgatá-las, sendo impedido pela intensidade do fogo. Contudo, as perícias e reconstituições do local descartaram a hipótese de acidente.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o réu agrediu, torturou e abusou sexualmente das vítimas. Em seguida, colocou os meninos desacordados em uma cama beliche e ateou fogo ao cômodo utilizando um acelerante de combustão. Segundo a tese sustentada pela acusação, a motivação do crime estaria ligada à intenção de Georgeval de utilizar a comoção causada pela tragédia familiar para atrair fiéis, consolidar sua imagem religiosa e expandir sua igreja.
Poucos dias após o crime e antes de sua prisão, Georgeval voltou a pregar na igreja em que atuava como pastor. O comportamento do réu durante esse período — que incluiu idas a lanchonetes e o registro de fotos sorrindo em um elevador de hotel onde estava hospedado — causou forte repercussão pública e foi apontado pela acusação e pelas investigações como evidência de frieza emocional e dissimulação.
Os laudos necroscópicos confirmaram que as crianças inalaram fuligem e estavam vivas quando o incêndio começou, vindo a óbito por carbonização. Durante a investigação, os exames periciais identificaram traços de antígeno prostático específico (PSA) no corpo das vítimas, confirmando o abuso sexual, além de vestígio do sangue de Joaquim no banheiro da casa, comprovando as agressões que antecederam o incêndio.
Georgeval foi preso temporariamente em 28 de abril de 2018 sob a acusação de atrapalhar as investigações e, posteriormente, indiciado por duplo homicídio triplamente qualificado, duplo estupro de vulnerável e tortura.
Mãe das vítimas A mãe, Juliana Pereira Sales Alves, estava em Minas Gerais participando de um congresso religioso com o filho mais novo do casal. Ela foi presa preventivamente sob acusação de omissão e por supostamente ter ciência do risco ao qual as crianças estariam expostas. Em 2019, Juliana foi absolvida e não respondeu pelos crimes.
Julgamento e Condenação O ex-pastor foi submetido a júri popular e, em abril de 2023, recebeu a pena de 146 anos e 4 meses de prisão em regime fechado, pelos crimes de:
homicídio duplamente qualificado, tortura, e estupro de vulneráveis.
A defesa de Georgeval declarou que recorreria da sentença.
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