Paulo de Mayo (n. 1836), originalmente Paolo di Majo, foi um padre católico italiano que atuou em Minas Gerais e São Paulo no século XIX. Sua trajetória é conhecida principalmente por relatos preservados pela tradição oral de seus descendentes e compilados pelos autores Celso Prado e Junko Sato Prado no blog Razias. As narrativas atribuem ao sacerdote uma vida marcada por conflitos com autoridades eclesiásticas, relações controversas e atuação política no interior do Brasil.
A maior parte das informações sobre sua vida provém de registros paroquiais citados pelos autores e de tradições familiares da região de Campos Novos Paulista.
Biografia
Origem e formação De acordo com os relatos compilados por Celso e Junko Sato Prado, Paulo de Mayo nasceu em 1836 na localidade de Bosco, Província de Salerno, Itália, filho de Rocco di Majo e Rachele Viviani di Majo. Pertencia a uma família que se dizia de “fidalguia italiana”.
Foi ordenado padre em 1859, recebendo autorização para conferir ordens sacras em 1861. Em 1862, chegou ao Brasil e foi incardinado na Diocese de São Paulo, sendo posteriormente enviado para Minas Gerais.
Atuação em Minas Gerais Em 12 de maio de 1862, Mayo foi nomeado Capelão da localidade de São Pedro, em Jacuí (MG). Entre 1862 e 1865, exerceu o cargo de Vigário Encomendado e atuou também em Campestre (MG). Registros datados entre 1864 e 1865 indicam sua assinatura em documentos da Paróquia de Nossa Senhora da Assunção, em Cabo Verde.
Relação com Florinda Maria de Jesus Segundo a tradição preservada por seus descendentes, Mayo teria adquirido a escravizada Florinda Maria de Jesus em Cabo Verde, concedendo-lhe posteriormente a alforria. As narrativas familiares indicam que os dois teriam mantido uma relação estável por mais de quarenta anos, com filhos e netos descendentes do casal.
Florinda teria nascido por volta de 1846, em Jacuí, e convivido com o padre desde sua juventude. Essa relação é apresentada como o centro de grande parte das tensões que envolveram o sacerdote.
Controvérsias e denúncias As fontes familiares relatam que Mayo foi alvo de diversas denúncias por “procedimentos irregulares na vida privada e religiosa”, incluindo: convivência marital com Florinda; comportamento público considerado impróprio; cobranças excessivas por serviços religiosos; disputas políticas e conflitos com moradores; posse de arma; abandono de funções religiosas.
Em razão das repetidas denúncias, autoridades eclesiásticas teriam solicitado medidas disciplinares, resultando na transferência do padre para diversas freguesias entre 1873 e 1880.
Transferência para São Paulo Em 1880, Paulo de Mayo mudou-se para São José dos Campos Novos, atual Campos Novos Paulista (SP), acompanhado de Florinda e dos filhos. Entre 1881 e 1896, serviu como Vigário Encomendado da localidade.
Durante sua atuação na região, foi eleito vereador e, em 1887, tornou-se Presidente da Câmara Municipal. Renunciou ao cargo alegando incompatibilidade entre suas funções sacerdotais e a vida política, mas sua família permaneceu influente na política local.
Últimos anos Florinda faleceu em 25 de agosto de 1906, deixando testamento registrado em cartório local. Após sua morte, o padre teria reduzido sua atuação pública. Registros sugerem que deixou a paróquia em 1911, mudando-se para Conchas (SP) e, possivelmente, para Chavantes em 1912. Esta é a última informação confirmada sobre ele.
Recepção histórica A biografia de Paulo de Mayo permanece controversa. Seu relacionamento com Florinda e as denúncias contra ele não são amplamente documentados em estudos acadêmicos, baseando-se majoritariamente em tradições familiares e citações de documentos arquivísticos mencionados pelos autores.
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Referências
PRADO, Celso; SATO PRADO, Junko. Razias – Padre Mayo e a escrava Florinda. Publicado em 20 de dezembro de 2009 no blog Razias. Disponível em: https://celsoprado-razias.blogspot.com/2009/12/razias-padre-mayo-e-escrava-florinda.html. Acesso em: .