Reign in Blood é o terceiro álbum de estúdio da banda norte-americana de thrash metal Slayer. Foi o seu primeiro lançamento numa grande gravadora, sendo lançado em 7 de outubro de 1986 pela Def Jam Recordings, é também a primeira colaboração do Slayer com o produtor Rick Rubin, uma parceria que ajudou a evoluir o som da banda.

Reign in Blood foi bem recebido pela crítica e pelos fãs, sendo responsável por dar ao Slayer o alcance de um público mainstream de heavy metal. O lançamento do disco foi atrasado devido a arte da capa e da temática das letras. O Slayer decidiu abandonar os conteúdos satânicos que aparecem no álbum anterior, para escreverem meditações sobre a morte, anti-religiosas, loucura e assassínios. A faixa "Angel of Death", refere-se a Josef Mengele (oficial e médico alemão que ganhou notoriedade pelos seus experimentos científicos usando seres humanos), e descreve atos, como experiências em humanos, que Mengele cometeu no campo de concentração de Auschwitz, provocando alegações de nazismo contra a banda até os dias atuais, apesar desta afirmar várias vezes que não apoiavam o nazismo, apenas se interessavam no assunto.

Considerado "o álbum mais pesado de todos os tempos" pela Kerrang! e amplamente descrito como o pináculo do speed metal, Reign in Blood ajudou a definir o som do movimento thrash metal norte-americano durante a década de 1980, e desde então tornou-se um álbum muito influente. Foi o primeiro álbum do Slayer e entrar na tabela Billboard 200, alcançando a posição #94, e certificado com Ouro pela RIAA (Recording Industry Association of America) em novembro de 1992.

Início Mudança de editora Depois da reacção positiva que Hell Awaits conseguiu, Brian Slagel, o produtor e agente da banda, notou que estava na altura correcta desta ter um "grande momento" com o próximo álbum. Slagel negociou com várias gravadoras, incluindo a Def Jam Recordings, propriedade de Rick Rubin e Russell Simmons. No entanto, apesar do interesse de Rubin, Slagel estava muito relutante em ver a banda assinar para uma gravadora, que na altura era essencialmente de hip hop. "Havia pontos fortes e outros mais fracos," lembra King, "Pensávamos: quem é este garoto que pensa que vai pegar a mais pesada banda de metal da altura, colocá-la numa gravadora de hip-hop, e fazer alguma coisa de bom?" O baterista de Slayer, Dave Lombardo, sabia do interesse de Rubin, e iniciou contato com o produtor. Porém, os outros membros da banda estavam apreensivos em deixar a Metal Blade Records, com a qual já tinham contrato.

Lombardo contactou a Columbia Records, que era a distribuidora da Def Jam, e conseguiu entrar em contacto com Rubin, que juntamente com o fotógrafo Glen E. Friedman, aceitaram assistir a um concerto de Slayer. Friedman tinha produzido o álbum homónimo de estreia da banda Suicidal Tendencies, em que Tom Araya, o vocalista de Slayer, aparece a empurrar o vocalista de Suicidal Tendencies, Mike Muir, no video musical da canção "Institutionalized". Por esta altura, Rubin tinha perguntado a Friedman se conhecia Slayer.

O guitarrista Jeff Hanneman, estava surpreendido pelo interesse de Rubin em Slayer, para além de impressionado pelo trabalho do produtor nas bandas de hip hop Run DMC, Beastie Boys e LL Cool J. Durante uma visita de Slagel à Europa para uma convenção, Rubin falou directamente com a banda, e convenceu-os a assinar pela Def Jam. Slagel pagou um tributo pessoal a Rubin, e disse que Rubin foi o mais apaixonado de todos os representantes de gravadoras com que a banda tinha estado em negociações. Na sequência do acordo, Friedman levou os membros da banda para Seattle para dois dias de fotos publicitárias, fotos para gravações, e fotografias para um livro de digressão; Rubin sentiu que a banda nunca tinha tirado boas fotos. Uma dessas fotos foi usada para a capa traseira do álbum South of Heaven (1988). O álbum tonou-se propriedade da American Recordings, depois de Rubin terminar a sociedade que tinha com Russell Simmons. Devido à natureza do material gráfico, o distribuidor original recusou-se a lançar trabalhos da banda, tonando-se assim um dos dois álbuns da Def Jam distribuídos pela Geffen Records através da Warner Bros. Records.

Gravações

Reign in Blood foi gravado e produzido por Rubin durante três semanas em Hollywood, Los Angeles. Foram as primeiras gravações da banda durante as horas do dia, visto que nos álbuns anteriores devido ao pouco orçamento, a banda só podia gravar durante a noite. Foi a primeira experiência profissional que Rubin teve com o heavy metal, o que fez com que a sua perspectiva fresca e nova transformasse de forma substancial o som de Slayer. Steve Huey do Allmusic acredita que Rubin desenhou canções mais pequenas e rápidas a partir da banda, criando um som mais claro que contrastava bastante com os seus álbuns anteriores. Tal mudou de forma drástica o som de Slayer, e mudou a percepção do público sobre a banda. Araya desde então admite que os dois primeiros álbuns não tiveram uma produção sábia.

O guitarrista Kerry King refere mais tarde que "Parecia que, 'Wow—conseguimos ouvir tudo, e não estão só tocando rápido; as notas estão dentro do tempo.'" King dá muito crédito a Rubin pela evolução que a banda teve, "Ele limpou o nosso som," explica King, "Ele percebeu o já tínhamos feito, mas disse-nos que não precisava de todo o ‘reverb’ e outras coisas que estávamos usando na altura. Ele foi mais cara-a-cara."

Hanneman diz que na altura quando ouviam Metallica e Megadeth, achavam a repetição dos riffs da guitarra cansativos. "Se fizermos um verso duas ou três vezes, ficamos logo cansados de o ouvir. Não estávamos a criar canções mais curtas — era apenas o que queríamos," esta atitude levou a que o álbum tivesse a duração curta de 29 minutos. King refere que enquanto os discos de uma hora parecem ter uma tendência: "Você pode perder esta parte; você poderia cortar a música completamente, e fazer um disco muito mais intenso, que era o que se queria."

Quando completaram as gravações, a banda encontrou-se com Rubin, que perguntou: "Vocês já viram o quão curto é?" Os membros de Slayer olharam uns para os outros e responderam: "E então?" O álbum inteiro estava apenas num dos lados de uma cassete; King afirmou que estava "ótimo", porque "Podia ouvi-lo, virar o lado e ouvi-lo de novo." A música era mais abrasiva e rápida que os lançamentos anteriores o que a ajudou a estreitar a lacuna entre o thrash metal e o seu antecessor hardcore punk. Reign in Blood é tocado a uma média de 210 batidas por minuto.

Digressão e saída de Lombardo Slayer começaram a digressão Reign in Pain com a banda Overkill nos Estados Unidos e Malice na Europa; também foram a banda de abertura para W.A.S.P., durante a digressão norte-americana de 1987. Depois de um mês de concertos, Lombardo deixou a banda; justifica: "Não estava a fazer dinheiro nenhum. Acabei de casar, e pensei se vamos fazer isto de uma maneira profissional - sobre a chancela de uma grande marca - gostava de conseguir pagar a minha renda e outras utilidades." Para continuar a digressão, Slayer colocou o baterista de Whiplash, Tony Scaglione.

Rubin ligava diariamente para Lombardo insistindo para que regressasse, dizendo: "Moço, tens de regressar à banda." Rubin ofereceu a Lombardo um salário, mas mesmo assim este continuava hesitante; nesta altura, Lombardo já estava fora da banda havia muitos meses. A esposa de Lombardo convenceu-o a regressar em 1987; Rubin foi buscá-lo a casa no seu Porsche e levou-o para um ensaio da banda.

Recepção Resposta da critica

Reign in Blood foi bem recebido pela imprensa musical, tanto a de mainstream como a menos popular, e desde o seu lançamento que é amplamente descrito como muito influente e o ponto mais alto do speed metal. Analisando para o Allmusic, estabelecido em 1991, Steve Huey deu a pontuação perfeita ao álbum, descrevendo-o como um "clássico instantâneo", uma "obra-prima indiscutível" que "instantaneamente elimina qualquer coisa no seu caminho" e que "por si só, é inspirador para todo o género death metal". O critico da Stylus Magazine, Clay Jarvis, deu a classificação A+, chamando-o "definidor de um género," assim como "original, inspirador, lancinante e adorado, Reign in Blood é o melhor álbum de metal de todos os tempos. Ponto final." Jarvis também diz que a canção "Angel of Death" "esfuma por completo todas as bandas que hoje em dia tocam rápido e/ou pesado. Liricamente descreve os horrores que estão por vir, enquanto musicalmente prepara o terreno para o resto do disco: rápido, magro e sujo." A revista Kerrang! diz que é o "o álbum mais pesado de sempre" e um avanço no thrash metal e speed metal, e colocou-o na posição #27 entre os "100 Melhores Álbuns de Heavy Metal". A revista Metal Hammer disse que é "o melhor álbum de metal dos últimos vinte anos." A revista Q colocou Reign in Blood entre os "50 Álbuns Mais Pesados da História", a revista Spin mete-o na posição #67 na lista dos "100 Melhores Álbuns, 1985-2005", e a norte-americana Decibel coloca-o na posição #2 na lista dos "50 Melhores Álbuns de Thrash". O site WhatCulture, colocou Reign in Blood em primeiro lugar nos "10 Melhores Álbuns de Sempre do Thrash Metal", e em quarto nos "20 Melhores Álbuns de Sempre do Metal". Está presente no livro de Robert Dimery 1001 Álbuns Que Tem de Ouvir Antes de Morrer, bem como na posição #3 na edição de Martin Popoff dos Melhores 500 Álbuns de Heavy Metal de Sempre. Em 2017, foi eleito o 6º melhor álbum de metal de todos os tempos pela revista Rolling Stone. Adicionalmente, o website sobre heavy metal Noisecreep, classificou a canção “Raining Blood” em #2 entre as "10 Melhores Canções de Metal dos Anos 80".

O critico Chad Bowar do About.com diz que "Reign in Blood é provavelmente o melhor álbum de sempre de thrash", e coloca-o na 2ª posição na lista dos "Álbuns Essenciais de Thrash Metal" comentando que "Isto é speed metal no seu melhor, com músicas compactas com riffs e intensidade para abanar a cabeça. As letras também estão cheias de imagens sombrias e perturbadoras. Slayer lançou diversos álbuns fantásticos, mas este é a sua obra-prima." Dan Marsicano, para o mesmo website, coloca Reign in Blood em 1º na lista dos "Melhores Álbuns de Slayer" com a justificação de que "influenciou não apenas o thrash, mas a sua influência no death e no black metal é enorme."

Adrien Begrand do PopMatters diz que "Não há melhor canção para começar as coisas do que a magistral ‘Angel of Death’, uma das músicas mais monumentais da história do metal, em que os guitarristas Kerry King e Jeff Hanneman dão-nos uns riffs intricados, o baterista Dave Lombardo desempenha uma das melhores percussões já alguma vez gravadas, e o baixista/vocalista Tom Araya grita e rosna a história do criminoso de guerra Nazi Josef Mengele." Dom Lawson, deu cinco estrelas em cinco quando analisou a reedição em vinil do álbum para o The Guardian, e refere que são "29 minutos e 3 segundos de selvajaria indomável, horror lírico e um nível físico intenso que nunca foi correspondido, começa com o melhor hino de sempre do thrash – Angel of Death – e acaba com o segundo melhor – Raining Blood. As outras oito também são todas clássicos. Um álbum perfeito em qualquer formato." Nathan Brackett e Christian Hoard também deram a pontuação perfeita ao escreverem para a The Rolling Stone Album Guide e dizem que "Os velhos fãs estavam emocionado e os punks que evitavam o metal não podiam ignorar a fúria e a velocidade. Articulado, rude e de novo mesmo, mesmo muito rápido como a porra! Reign in Blood foi o grande momento para o speed metal, para os seus fãs e para os seus parentes que tinham medo deles."