Crame () foi uma cidade do Reino da Armênia, situada na província de Vaspuracânia, no distrito (gavar) de Naquichevão, na margem direita do rio Aras.

História

Crame localizava-se na província de Vaspuracânia, no distrito (gavar) de Naquichevão, na margem direita do rio Aras. Foi variadamente reconhecida como cidade ou fortaleza, a depender do cronista. Foi mencionada pela primeira vez por Moisés de Corene sob o nome Haquerame (, Haxram), em seguida, foi atestada pelos cronistas Sebeos e Leôncio, em conexão com as incursões árabes. O geógrafo Vardanes, que considera Crame uma cidade, escreve: "Crame é o vale de Xambi". Tomás Arzerúnio também a considera um cidade e, sobre sua localização, escreve: “…fica abaixo de Astatapol, nos confins do Aras”.

Łevond Ališan, apoiando-se no testemunho de Vardanes e levando em conta o significado de xram ("depressão, fenda, vale estreito"), considera plausível a identidade entre a cidade e o vale; por isso, nas fontes armenológicas o lugar também aparece como Xambi e vale de Xambi. Crame é por vezes identificado com a aldeia de Daraxambe situada não longe de suas ruínas. E. Lalayan e outros localizam-na no posto de guarda de , às margens do Aras, explicando o nome Crame por etimologia árabe. Em época moderna, ao se identificar erroneamente o posto de Necrame com a aldeia de Netrã (Naquichevão), situada cerca de oito quilômetros ao norte, Crame passou a ser colocado nesse local, na margem esquerda do Aras.

Crame possuía uma fortaleza homônima, bem como igreja. Em várias ocasiões (643–644, 688–689, 703–704) foi alvo de campanhas árabes. Segundo Leôncio, em 705 o comandante árabe Alcácime, sob o pretexto de um juramento de fidelidade, reuniu nobres armênios e, enganosamente, após confiná-los nas igrejas de Naquichevão (800 pessoas) e de Crame (400 pessoas), incendiou-as. O local foi definitivamente destruído em 972. Na ocasião, da cidade arrasada foi transferido o relicário-memorial manuscrito das relíquias de São João Batista. Segundo a tradição, após derrotar Ajedaque, Tigranes teria assentado aqui cativos trazidos de Média. No fim do , ainda se conservavam as ruínas da igreja e um amplo cemitério antigo.

Bibliografia

Categoria:Naquichevão (distrito) Categoria:Localidades do Reino da Armênia (Antiguidade)