Yrlan Cavet (1915 – 1978), grafado ocasionalmente como Irlan Cavet, filho de Benjamin Delatre Cavet e Elisa Lesbat Cavagnari, foi um industrial e político brasileiro. Exerceu dois mandatos como vereador na Câmara Municipal de Curitiba, destacando-se nas décadas de 1950 e 1960 como uma das principais vozes nacionalistas do estado, autor de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) e figura influente na sociedade paranaense.
Biografia e Atuação Empresarial Em 1937, Yrlan Cavet concluiu sua formação acadêmica no curso de madureza do tradicional Gymnasio Parthenon Paranaense. A cerimônia de colação de grau ocorreu nos salões do Clube Curitibano.
Além da vida pública, Yrlan foi um empresário de destaque. Atuou no setor da indústria e comércio de trigo, chegando a capitanear a construção de um moinho de grande porte na cidade de Ponta Grossa no final da década de 1950.
Sua posição social o colocava entre a elite curitibana da época. Em 1957, figurou na lista dos "10 Senhores Mais Elegantes do Paraná", publicada em colunas sociais de grande circulação, ao lado de renomados juristas e médicos.
No âmbito esportivo, manteve laços com o esporte amador, chefiando delegações do Todeschini F.C. (agremiação ligada à família de sua esposa, Lyria Todeschini) em excursões pelo litoral do estado.
Carreira Política Yrlan Cavet foi eleito para sua primeira legislatura (iniciada em 1956) com 619 votos pela legenda do Partido Democrata Cristão (PDC). Sua trajetória foi marcada por posições firmes e rupturas ideológicas.
Rompimento com o PDC Inicialmente integrante da Mesa Diretora da Câmara (como 1.º e 2.º Secretário), Yrlan rompeu com o PDC em fevereiro de 1958. O estopim foi uma carta enviada ao presidente do partido, Joaquim de Mattos Barreto, onde criticava a entrada de "paraquedistas" na legenda e denunciava a "interferência indébita e despótica" do então prefeito Ney Braga na eleição da Mesa Diretora para favorecer aliados.
Liderança no PTB Após sair do PDC, aproximou-se do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), onde chegou a ocupar o posto de Líder da Bancada Trabalhista. Contudo, sua permanência foi breve. Em 31 de agosto de 1958, renunciou à liderança e desfiliou-se, afirmando em carta aberta que a direção partidária não oferecia suporte suficiente à sua luta pela nacionalização dos serviços públicos. Jornal O Estado do Paraná, Coluna "Yrlan Cavet Afasta-se dos Quadros Petebistas", 1958.
A "Batalha dos Telefones" e a CPI A atuação mais notória de Yrlan Cavet foi o enfrentamento ao monopólio da Cia. Telefônica Nacional (subsidiária da International Telephone and Telegraph - ITT), episódio conhecido como a "Batalha dos Telefones". Cavet cunhou e popularizou na imprensa o apelido "Major dos Automáticos" para referir-se ao prefeito Ney Braga, criticando sua suposta subserviência aos interesses estrangeiros.
Presidência da CPI Yrlan presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a telefonia. Seus trabalhos focaram em: A Fraude das Debêntures: Denunciou que a empresa emitia debêntures (títulos de crédito) "falsas" ou "nulas", obrigando os usuários a financiarem a companhia sem garantias reais, manobra que classificou como estelionato contra a economia popular. Conexão Nacionalista: Buscando apoio para a tese da Encampação (nacionalização) do serviço, Yrlan Cavet telegrafou ao então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, prestando solidariedade e alinhando a estratégia de Curitiba com a encampação da ITT promovida pelo governo gaúcho. Em seus artigos na seção "Secção Livre" dos jornais, Yrlan sustentou argumentos técnicos e econômicos: Superfaturamento: Denunciou que a avaliação dos ativos da rede telefônica teria sido inflada de 29 milhões para 44 milhões de cruzeiros, onerando as tarifas. Comparativo Tarifário: Apresentou estudos demonstrando que a assinatura telefônica em Curitiba (Cr$ 169,00) era superior à cobrada no ABC Paulista (Cr$ 120,00), onde operava a Cia. Telefônica da Borda do Campo com tecnologia mais moderna. Cavet, Yrlan. "Nossos Telefones e o Major dos Automáticos". Diário do Paraná, 1958. Debate Jurídico: Protagonizou embates públicos com o jurista Rubens Requião, consultor da Associação Comercial, questionando a legalidade da cobrança de debêntures compulsórias aos usuários.
Atuação Legislativa e Urbanismo Além da infraestrutura, seu mandato abrangeu: Urbanismo (Caso "O Mostrengo"): Cavet liderou a oposição à construção de um controverso edifício na Praça Zacarias, apelidado pela população de "O Mostrengo". O vereador alegava que a obra feria princípios básicos de estética urbana no centro histórico. Cidadania e Cultura: Foi autor do projeto que concedeu o título de Cidadão Honorário de Curitiba ao artista circense Othelo Queirolo, o popular palhaço "Chic-Chic", reconhecendo o valor da cultura popular. Defesa do Consumidor: Atuou junto à COAP contra a majoração abusiva nos preços de produtos farmacêuticos e da carne verde. Reforma Administrativa: Foi o portador do projeto de lei aprovado pelo Legislativo que reestruturou a composição orgânica da Prefeitura de Curitiba, entregando o texto final pessoalmente ao então prefeito Iberê de Mattos. Coluna "Aconteceu em Curitiba - Novos Órgãos Administrativos", Jornal Diário do Paraná, 1958. Cinemas e Cultura: Atuou na regulação das salas de cinema da capital, votando favoravelmente à proibição de propaganda comercial nas sessões e sendo autor da lei que tornou obrigatória a instalação de relógios visíveis ao público dentro das salas de projeção. Diário do Paraná, Coluna "Expediente", 1958.
Vida Pessoal Membro da elite social, Yrlan Cavet foi casado com Lyria Todeschini Cavet, com quem teve três filhos: Newton, Lyrian e Leyla. Faleceu em 27 de março de 1978. A missa de sétimo dia foi realizada na Igreja de Santa Terezinha.
Atualmente, possui uma rua em sua homenagem, localizada no bairro Alto Boqueirão, em Curitiba.
Referências