Carta de Natal e Fim de Ano é um artigo escrito por Plínio Salgado, fundador e "Chefe Nacional" da Ação Integralista Brasileira (AIB), publicada originalmente a 25 de dezembro de 1935 no jornal A Offensiva.

O texto, segundo seu autor, não é uma mensagem às "massas integralistas", porém às "elites integralistas", isto é, os chefes e doutrinadores do Movimento. Salgado o considerou sua epístola de Natal, inspirando-se na imagem cristã do nascimento de Cristo, bem como, no Congresso, foi o artigo a que se referiu o escritor e deputado de modo a proclamar-se o primeiro a se levantar contra o nazismo no Brasil.

Contexto histórico O Integralismo vinha ganhando força e adesão das massas populares que buscavam numa terceira posição entre os liberais oligárquicos da República Velha e os comunistas da Aliança Nacional Libertadora (ANL) a defesa de seus ideais nacionalistas, cristãos e corporativistas, a que encontravam, na égide da AIB e no lema "Deus, Pátria e Família" a síntese de um pensamento político do século XX por eles procurado. Na Europa, se deflagrava regimes de tipo fascista, com caráter totalmente totalitário, dos quais, entre eles, a Alemanha Nazista (1933-1945) liderado por Adolf Hitler e pelo NSDAP, porquanto, na Ásia, movimentos comunistas de caráter igualmente totalitários se desencadeavam e eram impulsionados diretamente pela União Soviética (1922-1991).

É nesse contexto nacional e mundial, que o chefe integralista Plínio Salgado, a 25 de dezembro de 1935, dirige-se aos líderes do seu movimento e aos "Chefes futuros" em uma carta natalícia de fim de ano, denunciando, em suas palavras, o caso da "perigosa tendência pagã do hitlerismo" que "solapou os fundamentos cristãos da sociedade". Salgado menciona a "guerra às religiões" propagada pelo regime, dizendo ser uma "consequência natural" do misticismo criado pelo Partido Nazista e por Hitler sem base religiosa alguma:

O texto condena o que chama de "misticismo do campo religioso, onde sempre deveria estar e de onde nunca deveria sair para o campo das atividades políticas". Define o cesarismo do Führer como dominado pela "concepção do Chefe, como um homem diferente dos outros, um semideus, a encarnação de Odin" ("a própria concepção de Estado Totalitário [...]: Chefe Militar, Chefe Civil e Pontífice"), e os seus adeptos como "seres inumanos, superreligiosos", porém sem um fundamento cristão sincero, ultrapassarando, destarte, a "linha hipócrita do velho puritanismo", atingindo, porém, um outro extremismo — um local onde a "explosão de todos os recalques acaba se manifestado como negação da própria virtude".

E continua discorrendo, fazendo analogias com o Integralismo, dizendo que este não buscava, como aquele, "construir o Estado Totalitário", mas o "Estado Integral, o Estado Harmonioso, o Estado Imutável", entidade essa que "tem de considerar os grupos naturais: a Família, a Corporação Econômica e Cultural, e a Nação", e finaliza mencionado o evangelho de Mateus (Mt. 22,21), "a César o que é de César" e "a Deus o que é de Deus", delimitando a partir desse ensinamento, o conceito de Estado:

Legado

Alguns historiadores modernos, como J. Chasin, utilizam a carta como método de Plínio Salgado afirmar sua posição perante linhas doutrinárias diversas dentro do Movimento Integralista e do trabalho que este tinha em relação a elas.

Ver também Ação Integralista Brasileira Plínio Salgado Ligações extrernas A Carta:

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