Joseph Feldman (1899–1978) foi um artesão, fotógrafo, antiquário e fabricante de objetos rituais judaicos (Judaica) judeu brasileiro, nascido na Bielorrússia. Ativo no Rio de Janeiro entre as décadas de 1920 e 1970, tornou-se conhecido pela produção artesanal de hanukiot (lâmpadas de Hanucá) e outros objetos cerimoniais que, posteriormente, formaram o núcleo da Coleção Feldman no Museu Judaico do Rio de Janeiro.
Vida precoce Joseph Feldman nasceu em 1899, Na Bielorrússia.
Em uma dessas visitas, conheceu Esther Ita Cukierkorn em Varsóvia, onde ela estudava e trabalhava na época. O encontro ocorreu por meio de conhecidos mútuos dentro da comunidade judaica.
Carreira Feldman exerceu diversos ofícios ao longo de sua vida, incluindo fotografia, mineração em pequena escala, comércio de antiguidades e metalurgia artesanal. Sua contribuição mais duradoura foi a criação de objetos rituais judaicos, particularmente hanukiot (candelabros de oito braços para a festa de Hanucá). Motivado pelo desejo de que “cada lar judeu tivesse uma hanukiá”, ele começou a produzir réplicas inspiradas em designs europeus dos séculos XVIII e XIX.
Seu trabalho obteve amplo reconhecimento na comunidade judaica do Rio de Janeiro. Um conjunto de sessenta e nove de suas hanukiot — hoje conhecido como a **Coleção Feldman** — foi posteriormente doado ao Museu Judaico do Rio de Janeiro por Yvone e Leon Herzog. A coleção é considerada um dos acervos fundadores do museu e permanece em exibição permanente.
De acordo com a história oral de Esther Ita Feldman, registrada em 1988, o interesse de seu marido por Judaica foi moldado, em parte, pelos objetos rituais que ele encontrou na casa da família dela na Polônia, incluindo castiçais e menorot antigos. Ela recordou que ele era fascinado por designs históricos que via em livros e buscava reproduzi-los para os lares judeus contemporâneos no Brasil.
Ao longo de quatro décadas, Feldman reuniu uma coleção pessoal de mais de 400 chanukiot, cada uma selecionada ou fabricada para refletir a diversidade cultural das comunidades judaicas ao redor do mundo. Seu objetivo era usar esses objetos rituais para narrar a história do povo judeu por meio da forma material. A coleção incluía peças italianas com detalhes ornamentados, lâmpadas marroquinas com motivos arabescos e exemplares poloneses inspirados na arte folclórica. O item mais antigo era uma chanukiá triangular do século XIV, no estilo arquitetônico siciliano.
A musicóloga Myrna Herzog, que se casou com o filho de Feldman, Eliahu, descreveu-o posteriormente como “um colecionador apaixonado de instrumentos”, creditando a ele sua introdução a instrumentos históricos raros e às histórias que os cercavam.
Coleção A paixão de Feldman pela arte ritual judaica culminou em uma coleção privada de mais de 400 chanukiot, reunida ao longo de 40 anos. Seu objetivo era preservar e mostrar as variações estilísticas e culturais das lâmpadas de Hanucá nas diversas diásporas judaicas. A coleção incluía peças da Itália, Marrocos, Polônia e outras regiões, com designs que variavam do exuberante ao minimalista. Uma lâmpada triangular siciliana do século XIV estava entre as mais antigas do acervo. Uma parte desta coleção — 69 lâmpadas — foi doada ao Museu Judaico do Rio de Janeiro, onde permanece em exibição.
Vida pessoal Feldman foi casado com Esther Ita Feldman (1909–1999), tradutora e editora que mais tarde tornou-se editora-chefe do semanário judaico Aonde Vamos?. O casal teve três filhos, entre os quais: Guili Alexandre Feldman e Eliahu Feldman.
Feldman conheceu sua futura esposa na Varsóvia, durante uma de suas viagens de retorno à Polônia no final da década de 1920 ou início da de 1930. O casal estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde criou seu primeiro filho, Guili Alexandre Feldman, que havia nascido na Polônia.
Um obituário e convite de memorial publicado no Jornal do Brasil registra a participação da família na cerimônia de revelação da lápide de Feldman (“Descoberta da Matzeiva”) no Cemitério Israelita de Vila Rosali, incluindo seu filho Eliahu Feldman e netos.
Morte Joseph Feldman faleceu no Rio de Janeiro em 1978. Ele está sepultado no Cemitério Israelita de Vila Rosali, um dos principais cemitérios judaicos que atendem à comunidade do Rio de Janeiro.
Legado Feldman é lembrado por sua contribuição à preservação e disseminação da arte ritual judaica no Brasil. Suas hanukiot — fabricadas em uma época em que poucos objetos desse tipo estavam disponíveis localmente — ajudaram a moldar a cultura material dos lares judeus no Rio de Janeiro de meados do século XX. A Coleção Feldman no Museu Judaico do Rio de Janeiro permanece como um exemplo significativo da produção artesanal judaica no Brasil e um recurso fundamental para o estudo do artesanato de imigrantes judeus.
Ver também Museu Judaico do Rio de Janeiro História dos judeus no Brasil
Referências
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