Silvana Mendes (São Luís, 1991) é uma artista visual brasileira indicada ao prêmio PIPA em 2023 e 2025. Sua obra lida com questões raciais e está presente em acervos de espaços como Instituto Inhotim, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Museu Afro Brasil e Museu Nacional de Belas Artes.
Educação e carreira Silvana Mendes trabalha com diferentes meios artísticos, sendo o registro fotográfico sua principal ferramenta. Seu interesse pela fotografia surgiu ainda na infância, através do acesso a uma câmera analógica emprestada por uma amiga. Aos 18 anos, ao ganhar um celular, intensificou o ato de fotografar.
O contato com essa técnica foi ainda mais explorado durante a graduação em artes visuais na Universidade Federal do Maranhão, onde pesquisou a reprodução esteriotipada de figuras negras, com foco em mulheres, e iniciou sua busca artística por caminhos para romper com essa tradição. Foi também lá que ampliou sua pesquisa para outros meios, como colagem, pintura e vídeo. miniaturadaimagem|Silvana Mendes, Afetocolagem: Desconstrução de Visualidades Negativas em Corpos Negros, 2019.|264x264px Desde 2015, a artista tem trabalhado com colagens digitais, através das quais cria novos cenários e narrativas para figuras negras, de modo a retirá-las de um registro tradicionalmente conectado à subalternação. A artista também maximalizou sua produção, adotando suportes de maiores dimensões e usando de técnicas como lambe-lambe e pintura mural.
Seu interesse específico pela técnica de lambe-lambe também foi motivado pelo baixo custo financeiro do material e por um desejo de romper com meios mais conservadores para suporte das obras de arte. A técnica também se conecta diretamente com os espectadores, ao ter as ruas como seu lugar mais comum, de modo a romper com os espaços tradicionais da arte, em geral voltados para um grupo seleto. Alguns de seus lambes foram exibidos na Bienal do Cairo e serviram como referência para a oficina Lambe-Lambe: the Brazilian paste art workshop. Nesta oficina, crianças, dentre as quais encontravam-se refugiadas da Síria, produziram lambes inspirados nos artistas apresentados e os colaram em muros do Cairo.
Através destas experimentações artísticas, Silvana promove uma reimaginação do corpo negro e da história oficial, de modo a valorizar a ancestralidade negra, devolver o protagonismo de figuras retratadas apenas pelo caráter etnográfico (sem que suas identidades fossem citadas, diferentemente dos retratos da alta classe europeia) e desmontar códigos estéticos coloniais.
A curiosidade em antigas fotografias de pessoas negras também tange a perspectiva privada da artista, que reflete, através de sua obra, sobre a ausência de registros de seus antepassados, como os avós paternos ou outros conhecidos. Tal análise reforça seu interesse por figuras anônimas em uma busca pessoal de reencontrar traços de familiaridade através de uma história de apagamento.
Atualmente, também trabalha com o que chama de "didática descolonizadora", a partir de oficinas e palestras que a artista ministra com uma pespectiva de promoção de uma educação transformadora.
Exposições
Coletivas
2025: Ladino-Amefricanas, Sesc Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. 2025: Afro-brasilidade, uma homenagem a dois Valentins e a um Emanoel, FGV Arte, Rio de Janeiro. 2025: Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira, Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, Salvador. 2025: Maranhão na Jamaica, Martins&Monteiro, São Paulo. 2025-2024: Artistas do vestir: uma costura dos afetos, Itaú Cultural, São Paulo. 2025-2024: Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro, Centro Cultural Sesc Quitandinha, Petrópolis. 2024-2023: Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo. 2024: Quilombo: vida, problemas e aspirações do negro, Galeria do Lago (Inhotim Brumadinho), Brumadinho. 2024: Um defeito de cor, SESC Pinheiros, São Paulo. 2024: Notícias do Brasil, Centro Cultural PGE-RJ, Rio de Janeiro. 2024: Nordeste expandido, Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza. 2024: Direito à memória: arte afro-brasileira e indígena em debate com o modernismo, Casa Zalszupin, São Paulo. 2024: Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira, Centro Cultural Banco do Brasil, Belo Horizonte. 2023: Something Else, Bienal do Cairo, Cairo. 2023: Dos Brasis, Sesc Belenzinho, São Paulo. 2023: Imagens que Não Conformam, Centro Cultural do Vale do Maranhão, São Luís. 2023: Um defeito de cor, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro. 2022: Preamar, Lima Galeria, São Luís. 2022: Raio a Raio pelo Solar dos Abacaxis, Museu de Arte Moderna do Rio, Rio de Janeiro. 2022: Olhares: uma janela histórica para a independência na Caixa Cultural, Caixa Cultural, Brasília. 2022: 40º Arte Pará, Belém. 2022: Empoderamento, Kunstmuseum Wolfsburg Museum, Wolfsburg. 2022: Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros, Instituto Moreira Salles/Bienal de São Paulo, Sesc Sorocaba e Museu de Arte do Rio, São Paulo, Sorocaba e Rio de Janeiro. 2020: Vozes contra o racismo, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania e Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial, São Paulo. 2019: Imagina(R)Existências, São Luís. 2019: Festival Cultural da Mulher, Bangalore. 2019: Mural do Festival, Recife. 2019: Festival Concreto #6, Fortaleza. 2018: O Lugar Dentro e Fora que o Feminino Habita em Nós, São Luís. 2018: Lambes Brasil, Egito/Beirute. 2018: Fotofestival SOLAR, Fortaleza. 2017: III Bienal de Artes Visuais do Sertão, Vitória da Conquista. 2017: Entrelaços: Reabertura do Palácio Gentil Braga, São Luís. 2016: VI Salão de Artes Visuais de São Luís, São Luís.
Individuais
2023: Solo Silvana Mendes Arpa, Galeria Almeida e Dale e Lima, São Paulo. 2018: Libertadores Brasileiros, Sesc Maranhão, São Luís. 2018: Divina Presença, Galeria Trapiche, São Luís.
Prêmios e reconhecimentos
2025: Indicada ao Prêmio PIPA. 2023: Indicada ao Prêmio PIPA. 2025: 1º lugar no concurso Prix Photo Aliança Francesa 2025 2023: Menção honrosa no o concurso Prix Photo Aliança Francesa 13. 2022: Membra do Júri de Honra do PHotoFUNIBER’22. 2019: 1º lugar na BANDEIRARTE | – Ensaio para as possibilidades de mais bandeiras, Rio de Janeiro. 2019: Artista selecionado para identidade visual do 12º Festival Maranhão da Tela, São Luís. 2016: Premiada no VI Salão de Artes Visuais de São Luís, São Luís.
Categoria:Artistas do Brasil Categoria:Artistas do Maranhão Categoria:Mulheres artistas Categoria:Mulheres artistas do Brasil