O Acordo de Adana foi um acordo feito entre a Turquia e a Síria Baathista em 1998 relativo à expulsão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) da Síria. Why is the 1998 Adana pact between Turkey and Syria back in the news?, SINEM CENGIZ, 25 de janeiro de 2019, arabnews.com.
Contexto A Síria e a Turquia tiveram, durante muito tempo, uma relação tensa, devido às reivindicações históricas da Síria sobre a província de Hatay, às disputas sobre a vazão do sistema fluvial Tigre-Eufrates e aos alinhamentos opostos das duas nações no contexto da Guerra Fria, visto que a Turquia havia ingressado na OTAN, enquanto a Síria se aproximou da União Soviética.
Nas décadas de 1980 e 1990, as relações entre a Síria e a Turquia se tornaram ainda mais tensas, pois a Síria permitiu tanto o estabelecimento de campos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) em seu território quanto a residência de seu líder, Abdullah Öcalan, no país. O PKK buscava estabelecer um Curdistão independente, que incluía áreas controladas pela Turquia, e, para esse fim, envolveu-se no conflito curdo-turco contra o governo turco.
As autoridades turcas classificaram o PKK como um grupo terrorista e empreenderam uma campanha para eliminá-lo. Como parte desta campanha, a Turquia ameaçou a Síria com uma invasão terrestre, caso a Síria não expulsasse o grupo do seu território e entregasse Öcalan às autoridades turcas. Os Estados Unidos fizeram uma exigência paralela à Síria, em apoio ao seu aliado turco.
O acordo Com a mediação do Egito e do Irã, delegações sírias e turcas se reuniram em 19 de outubro de 1998, na cidade turca de Adana. No dia seguinte, o diplomata turco Sıtkı Uğur Ziyal e o oficial militar sírio Adnan Badr Hassan assinaram um documento no qual a Síria se comprometia a combater o PKK, que também reconhecia como uma organização terrorista. A Turquia reservou-se o direito à autodefesa caso a Síria não cumprisse seus compromissos.
A Síria inicialmente rejeitou as exigências turcas, mas após consideráveis negociações decidiu concordar parcialmente com o fim da presença do PKK na Síria. Na preparação para o acordo, o governo sírio fez com que Abdullah Öcalan (que vivia na Síria havia vários anos e liderava o PKK a partir de Damasco) deixasse o país em 9 de outubro, em vez de entregá-lo às autoridades turcas, conforme exigido pela Turquia. Em vez disso, ele foi colocado em um avião com destino a Moscou. Foragido, ele foi preso alguns meses depois no Quênia por agentes turcos e estrangeiros.
O presidente sírio Bashar al-Assad rejeitou a noção de que o acordo foi assinado sob pressão, afirmando que concordou com o mesmo porque decidiu que seria melhor para a Síria "ser amiga do povo turco", o que ele considerava incompatível com o apoio sírio aos grupos curdos.
Guerra Civil Síria O Acordo de Adana vigorou até 2011, quando o apoio declarado da Turquia à oposição síria no contexto da Guerra Civil Síria pôs fim a toda a boa vontade entre os dois países e o Governo Sírio voltou a apoiar grupos curdos como contrapeso aos esforços turcos na Síria. O governo sírio declarou que a Turquia violou o entendimento estabelecido pelo acordo ao armar grupos rebeldes dentro da Síria. Em 2012, autoridades turcas acusaram o governo sírio de fornecer apoio direto ao PKK.
O governo sírio declarou posteriormente que não se sentia mais vinculado ao acordo, mas mantinha uma "prontidão" para retornar a ele, caso a Turquia cessasse o apoio ao Exército Livre Sírio e a outros grupos armados rebeldes na Síria, bem como retirasse suas tropas das áreas ocupadas pela Turquia no norte da Síria.
Alguns observadores, como o analista Abdullah Bozkurt do jornal Zaman (já encerrado devido às suas tendências gülenistas), acreditam que este acordo poderia justificar a legalidade da intervenção turca na Síria, durante a guerra civil síria que começou em 2011 e que teve impactos na segurança e estabilidade da Turquia. Desde então, o exército turco interveio em solo sírio diversas vezes, principalmente contra combatentes curdos, sem se referir diretamente ao Acordo de Adana, mas sim invocando o princípio da legítima defesa. Em janeiro de 2018, o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan acrescentou que o acordo dava à Turquia o direito de intervir militarmente na Síria. O Anexo 4 do acordo indica que essa intervenção pode ocorrer até 5 km dentro do território sírio. O Anexo 3, por sua vez, especifica a cessação de conflitos territoriais entre os dois países.
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