A Basílica Histórica de Nossa Senhora Aparecida, popularmente chamada de Basílica Velha, é um templo católico situado na cidade de Aparecida, no interior do estado de São Paulo. Foi o primeiro santuário dedicado à Padroeira do Brasil e o terceiro espaço religioso a receber a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Sua inauguração ocorreu em 24 de junho de 1888.
Em 2004, o templo passou por uma ampla restauração e, após mais de uma década de obras, foi reinaugurado em fevereiro de 2015. Atualmente, permanece aberto à visitação e continua sendo palco de celebrações religiosas.
A Basílica Histórica foi oficialmente tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (CONDEPHAAT) em 18 de abril de 1982. Na cerimônia de tombamento, além do secretário de Cultura, estiveram presentes membros da família imperial brasileira, entre eles o príncipe Dom Pedro Gastão de Orléans e Bragança e seu filho, Dom Francisco.
História
Origem A primeira capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi erguida em 1745, no Morro dos Coqueiros. Com o passar dos anos, o pequeno templo recebeu melhorias e ampliações, mas no início do século XIX já se mostrava insuficiente diante da crescente importância da devoção à Padroeira.
Em 1844, o número de romeiros que visitava a capela aumentava constantemente, e a mesa dirigente, após várias consultas, decidiu que não seria suficiente apenas reformar ou ampliar a construção existente. Optou-se, então, pela demolição da antiga capela e pela edificação de uma nova igreja, maior e mais adequada para acolher os fiéis.
As obras começaram em 1845, com a demolição da estrutura anterior e o início da construção da nova igreja. Após décadas de trabalho, o templo foi finalmente inaugurado em 24 de junho de 1888, tornando-se o primeiro grande santuário dedicado a Nossa Senhora Aparecida.
Em 24 de junho de 1888, às 10h30, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, bispo de São Paulo, inaugurou a igreja então chamada de Igreja de Monte Carmelo hoje conhecida como Basílica Histórica ou Basílica Velha. O nome inicial foi dado em homenagem ao Frei Joaquim do Monte Castelo, responsável por grande parte da beleza arquitetônica do templo. A igreja já havia sido reformada e ampliada em 1768, para acolher o crescente número de fiéis. O primeiro vigário do santuário foi o padre Joaquim Pereira Ramos.
O título de Santuário Episcopal foi concedido à Basílica Histórica em 28 de novembro de 1893, pelo então bispo de São Paulo, Dom Lino D. Rodrigues de Carvalho. No ano seguinte, em 12 de outubro de 1894, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) esquerda|miniaturadaimagem|450x450px|Fachada da Basílica Velha. declarou oficialmente a Igreja de Aparecida como Santuário Nacional, em conformidade com o Código de Direito Canónico.
Em 5 de setembro de 1909, o arcebispo Dom Duarte Leopoldo e Silva celebrou a sagração solene da Basílica Histórica como Basílica Menor, título que havia sido concedido pelo Papa Pio X em 29 de abril de 1908. Como parte da concessão do título de basílica, o Papa Pio X enviou à Basílica Histórica de Nossa Senhora Aparecida relíquias de São Vicente, mártir espanhol do século IV, consistindo em fragmentos ósseos e uma pedra impregnada de sangue. O pontífice também ofereceu dois símbolos litúrgicos que distinguem oficialmente uma basílica: o ganfalone, guarda-chuva listrado nas cores da Santa Fé, e o tintinábulo, haste encimada por um pequeno sino utilizado em procissões e celebrações.
A Basílica Velha permaneceu como guardiã da imagem original de Nossa Senhora Aparecida até 1982, quando esta foi trasladada para a Basílica Nova, atual Santuário Nacional.
Coroação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida No dia 8 de setembro de 1904, ocorreu a coroação solene da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, com a coroa oferecida pela Princesa Isabel e o manto azul bordado em ouro e pedrarias, símbolos de sua realeza e patronato. A celebração foi presidida por Dom José Camargo de Barros, com a presença do núncio apostólico, diversos bispos, o Presidente da República Rodrigues Alves e uma multidão de fiéis. Após a coroação, o Papa concedeu ao santuário privilégios especiais, como o ofício e missa próprios de Nossa Senhora Aparecida, além de indulgências aos romeiros.
Atentado de 1978 Em 16 de maio de 1978, um episódio trágico marcou a história da devoção a Nossa Senhora Aparecida e causou grande comoção nacional. Naquele dia, durante uma forte chuva acompanhada de ventos intensos, a cidade de Aparecida sofreu um blecaute. Por volta das 20h, no momento da distribuição da Comunhão na Basílica Histórica, toda a iluminação se apagou.
Segundo relatos da época, o blecaute durou cerca de dois minutos, mas foi tempo suficiente para que um jovem de 19 anos se miniaturadaimagem|300x300px|Nicho da Basílica, onde aconteceu o atentado de 1978. dirigisse ao altar, pulasse no nicho onde estava exposta a imagem de Nossa Senhora, quebrasse o vidro de proteção e se apoderasse da Imagem. Ao retirá-la, a coroa ficou presa nos estilhaços, caiu no chão e foi amassada; em seguida, a cabeça da Imagem se desprendeu e se quebrou em inúmeros pedaços.
Na fuga, já fora da Basílica, o jovem carregava o corpo da Imagem quando foi alcançado pelo guarda João Batista. Nesse momento, deixou a peça cair e correu pelas ruas de Aparecida, sendo capturado pouco mais de um quilômetro adiante e encaminhado a um sanatório.
Com a Imagem em pedaços, as freiras Efigênia e Êgide, auxiliadas pelos fiéis presentes, recolheram cuidadosamente os fragmentos. Ao final, constataram que a Imagem havia sido destruída em mais de 200 pedaços.
Tombamento pelo o CONDEPHAAT No mesmo ano, em 18 de abril de 1982, a Basílica Histórica foi oficialmente tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (CONDEPHAAT). A cerimônia contou com a presença do secretário de Cultura e de membros da família imperial brasileira, entre eles o príncipe Dom Pedro Gastão de Orléans e Bragança e seu filho, Dom Francisco.
Restauração e reinauguração Em 2004, o templo passou por uma ampla restauração e, após mais de uma década de obras, foi reinaugurado em fevereiro de 2015, já a sacristia, juntamente com as tribunas e o adro, passou por obras de restauração que foram concluídas em 2020, recuperando sua beleza original e permanecendo aberto para visitação e celebrações religiosas.
Atualmente Em 15 de dezembro de 2017, a Basílica Histórica de Nossa Senhora Aparecida deixou de exercer miniaturadaimagem|400x400px|Interior da Basílica Velha de Aparecida. a função de Igreja matriz da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, vinculada à diocese local, e passou a ser administrada diretamente pelo Santuário Nacional de Aparecida. A decisão foi motivada pela transformação gradual do templo: ao longo do tempo, a Basílica Histórica perdeu o caráter estritamente paroquial e consolidou-se como um centro de evangelização e peregrinação, recebendo diariamente milhares de romeiros e devotos. Com a nova administração pastoral, houve ampliação do número de missas e maior atenção ao acolhimento das romarias, de modo a oferecer melhor estrutura e atendimento aos fiéis que visitam o local.
Ver também
Lista de basílicas católicas Arquidiocese de Aparecida Caminho da Fé Nossa Senhora da Conceição Aparecida Catedral Basílica de Nossa Senhora Aparecida Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
Referências
Ligações Externas
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