Abu Atair Tamime ibne Iúçufe () foi um nobre e oficial do Império Almorávida, ativo no tempo de seu pai e seu irmão, os emires Iúçufe ibne Taxufine e Ali ibne Iúçufe .

Vida

Tamime era filho do emir Iúçufe ibne Taxufine com uma esposa de nome incerto. Em data desconhecido, foi nomeado vizir de seu pai. Nos anos 1070, após a consolidação do domínio almorávida sobre o território do atual Marrocos, Tamime foi designado como governador de Marraquexe, Agmate, a região de Suz, o Grande Atlas, Tédula e Tamasna. Em 1077 (ocupação de Tânger) e 1082 (devido à campanha castelhana contra Sevilha, Medina Sidônia e Tarifa em 1082), o emir Iúçufe recebeu pedidos de ajuda das taifas do Alandalus contra os reinos cristãos. Iúçufe fez da captura de Ceuta seu objetivo principal antes de tentar intervir no Alandalus. Ceuta, a última grande cidade no lado africano do estreito de Gibraltar que ainda resistia a ele, era controlada pelas forças zenetas sob o comando de Iáia Dia Adaulá, filho de Sucute Albarguati, o primeiro rei da Taifa de Ceuta. Quando Iáia se mostrou pouco cooperativo e não respondeu aos pedidos de Iúçufe para permitir a travessia do estreito, Iúçufe e a delegação enviada pelos andalusinos convocaram juízes (alfaquis) para emitirem fátuas contra ele. Durante onze meses, Iúçufe sitiou Ceuta. Em seguida, pediu e recebeu ajuda naval do rei de Sevilha, Almutâmide . A frota sevilhana bloqueou a cidade por mar, enquanto o filho de Iúçufe, Tamime, liderou o cerco por terra. A cidade finalmente se rendeu em junho-julho de 1083 ou em agosto de 1084. Após sua vitória, Tamime enviou mensagem a seu pai na capital, informando-o sobre o ocorrido. Em 1103, acompanhou seu pai a Córdova, onde uma celebração pública foi realizada para confirmar Ali como herdeiro presuntivo almorávida.

Com a eventual morte de Iúçufe em 1106, Tamime reconheceu a sucessão pretendida, apesar de ser mais velho que Ali, e jurou lealdade ao irmão. De início, Tamime continuou como governador de Marraquexe, mas logo Ali o removeu de sua posição e o nomeou como comandante militar no Alandalus. Para tanto, designou como sede de Tamime a cidade de Granada, que desse ponto em diante tornar-se-ia a capital regional dos almorávidas no Alandalus. Tamime reuniu um grande exército composto de magrebinos e andalusinos e partiu de Granada nos primeiros dias de maio de 1108, em direção ao rio Tejo. Ao chegar a Xaém, deteve-se alguns dias, à espera das tropas do governador de Córdova, Ibne Abi Ranque, das de Maomé ibne Aixa, meio-irmão de Tamime que se encontrava em Múrcia, e dos contingentes de Ibne Fátima, que ainda não havia sido substituído por Maomé ibne Alhaje no governo de Valência. Cruzando o Guadalquivir, reuniram-se em Baena, onde devem ter traçado o plano de marcha e ataque. Pela praça fronteiriça de Consuegra, os almorávidas penetraram nas terras de Zaida, até chegar diante da fortaleza de Uclés, o ponto mais importante da região e centro do sistema defensivo ao sul do alto Tejo. Na quarta-feira, 27 de maio de 1108, cercaram-na e iniciaram de surpresa uma série de ataques que em poucas horas puseram fim à resistência oferecida pelos seus defensores. No mesmo dia, os almorávidas entraram no recinto amuralhado, capturando um bom número de prisioneiros. Alguns cristãos conseguiram escapar e refugiar-se na alcáçova, de onde não puderam ser desalojados. Os homens de Tamime e dos outros alcaides incendiaram a igreja e saquearam tudo o que puderam. Os poucos muçulmanos mudéjares que havia em Uclés procuraram abrigo junto aos vencedores e fizeram causa comum com eles.

Na noite de 28 para 29, os almorávidas permaneceram acampados nos arredores do povoado. Um dos cristãos que havia conseguido escapar deve ter avisado, nesse meio-tempo, do ocorrido aos alcaides da fortaleza mais próxima, correndo logo a notícia pela região, até Toledo, pois na sexta-feira, dia 29, marchou contra os almorávidas um exército castelhano liderado por Álvaro Fanhes e Garcia Ordonhes, que foi acompanhado por seis condes que escoltavam Sancho Afonses, herdeiro de . Na batalha que se seguiu, os cristãos foram derrotados e obrigados a fugir. Sancho e seus protetores tentaram fugir, mas foram eventualmente alcançados e mortos. Tamime redigiu uma carta oficial a seu irmão Ali para informá-lo do resultado e nela fala-se de um grande butim — cavalos, mulas, armas, dinheiro. Depois disso, o governador de Granada regressou imediatamente à sua capital, enquanto os demais comandantes fingiram abandonar o cerco para motivar os sitiados a saírem. Quando os defensores descuidaram-se, muitos deles foram mortos e a fortaleza foi tomada. Em 1118, o rei aragonês marchou contra Lérida. Em resposta, o emir Ali ordenou que seu irmão Tamime, Abu Iáia ibne Taxufine e Abedalá ibne Masdali marchassem contra os invasores, que foram derrotados com baixas consideráveis. Em 22 de maio de 1118, Afonso, recuperado de suas perdas, iniciou um cerco a Saragoça. Os sitiados enviaram seu cádi (juiz) Tábite ibne Abedalá a Tamime, que à época devia estar em Valência, com uma carta pedindo ajuda. Em poucos dias, alguns destacamentos chegaram próximos da cidade, possivelmente a mando de Tamime. Ciente da superioridade numérica dos invasores, Tamime decidiu realizar pequenas escaramuças, cujos resultados foram menores, e não impediram a tomada da cidade. De acordo com Rawḍ al-Qirṭās de Ibne Abi Zar, Tamime faleceu em 1226-27, combatendo no Alandalus.

Bibliografia

Categoria:Vizires do Império Almorávida Categoria:Governadores almorávidas de Marraquexe Categoria:Generais do Império Almorávida Categoria:Dinastia almorávida Categoria:Berberes do século XI Categoria:Berberes do século XII Categoria:Filhos de Iúçufe ibne Taxufine Categoria:Governadores almorávidas de Granada