Vera Zakarovna Jaruzhaya (em bielorrusso: Вера Харужая; em russo: Ве́ра Заха́ровна Хору́жая; em polonês: Wiera Charuża; Bobruisk, 27 de setembro de 1903 – 4 de dezembro de 1942) foi uma escritora comunista bielorrussa, professora e partisan da União Soviética.
Durante o período entreguerras, foi enviada à Polônia para atuar em operações de sabotagem e espionagem. Durante a Segunda Guerra Mundial, acabou capturada e executada pelos alemães como partisan. Recebeu postumamente o título de Heroína da União Soviética.
Biografia Vera Jaruzhaya nasceu em Babruysk, no Império Russo (hoje na Bielorrússia), em 1903, em uma família de um funcionário administrativo, antes da Revolução de 1905. Em 1919, formou-se em uma escola operária na cidade de Mazyr. Pelo Tratado de Paz de Riga, o município foi transferido para o controle dos bolcheviques e passou a integrar a República Socialista Soviética da Bielorrússia.
Jaruzhaya passou a trabalhar no ensino público e atuou como comissária política de núcleos locais do Comsomol nas regiões de Mazyr e Babruysk (atualmente no leste da Bielorrússia). Entre 1922 e 1923, trabalhou na administração do Comitê Central do Comsomol da Bielorrússia, além de colaborar com diversos jornais soviéticos bielorrussos.
Envio à Polônia Desde 1920, Jaruzhaya participou ativamente da campanha conduzida pela Internacional Comunista (Comintern). Após concluir seus estudos na escola superior do Partido Comunista da União Soviética, em fevereiro de 1924 foi enviada secretamente através da fronteira para a Segunda República Polonesa. Enquanto esteve no leste da Polônia (atual Bielorrússia Ocidental), foi nomeada membro do Comitê Central do Comsomol da Bielorrússia Ocidental e participou da impressão de jornais comunistas bielorrussos clandestinos.
Em setembro de 1925, Jaruzhaya foi presa pelas autoridades polonesas, condenada por atividades subversivas e sentenciada a oito anos de prisão. Em 1932, foi entregue à União Soviética em troca de um prisioneiro polonês detido em uma prisão soviética. Em 1935, foi expulsa do Partido Comunista após seu marido denunciá-la às autoridades. Em 1937, durante o Grande Expurgo, foi presa pelo NKVD e permaneceu encarcerada por dois anos. Em agosto de 1939, foi libertada.
Após a invasão da Alemanha à União Soviética, Jaruzhaya juntou-se a uma unidade partisan. Em novembro de 1942, foi presa e posteriormente executada pelos alemães.
Morte No início de 1942, Vera Jaruzhaya foi a Moscou para se preparar para atuar como partisan nos territórios ocupados. Em agosto de 1942, cruzou novamente a linha de frente liderando de um grupo especial e chegou a Vitebsk. Segundo os documentos preparados pelo Centro, figurava sob o nome de Anna Sergeyevna Kornilova; como pseudônimo, Vera adotou os nomes dos filhos e o sobrenome do marido falecido.
O grupo Kornilova–Jaruzhaya tinha sua base em um destacamento partisan nas proximidades de Vitebsk. A missão dos integrantes da resistência clandestina era penetrar na cidade e organizar uma rede de informantes entre os moradores locais, com o objetivo de coletar informações operacionais sobre o inimigo. As primeiras tentativas de entrada na cidade já demonstraram que os documentos preparados em Moscou não eram confiáveis e que o trabalho clandestino era dificultado pela intensa atuação dos órgãos de contraespionagem alemães. Ainda assim, o grupo continuou a cumprir sua missão. Graças às informações obtidas pelos membros da resistência, a aviação soviética realizou diversos ataques a depósitos de munição e combustível.
Em 13 de novembro de 1942 ocorreu o desmantelamento da rede. Naquele mês, em um apartamento utilizado como ponto clandestino (rua Traktornaya, nº 4), Vera Jaruzhaya foi presa pela Gestapo. Junto com ela, foram detidas Sofia Pankova, enviada para manter contato com o destacamento partisan e que já havia estado presa anteriormente por atividades no Partido Comunista da Bielorrússia Ocidental, bem como Claudia Suranova, nascida em 1907; Vasily Vorobyov, nascido em 1909 (antes da guerra, diretor da padaria de Vitebsk e responsável pelo apartamento clandestino); sua esposa Agafia; e Maria Vorobyova, nascida em 1858. As circunstâncias da morte dos resistentes capturados pelos nazistas, assim como o local de seu sepultamento, permaneceram desconhecidas.
O fracasso da operação só se tornou conhecido pelo destacamento em 26 de novembro. Sabe-se apenas que uma das integrantes do grupo revelou seu verdadeiro nome, “Vera”, e que os alemães conseguiram decifrar os relatórios enviados pela célula clandestina. Anna Kitasheva, agente de reconhecimento de um grupo de inteligência do Exército, foi uma das poucas a sair com vida da prisão especial da SD em Vitebsk. Em 3 de dezembro de 1942, ela foi colocada em uma cela com mais de vinte prisioneiros, entre eles Vera Jaruzhaya. Segundo o testemunho de Kitasheva, em decorrência das agressões, Jaruzhaya já não conseguia andar. Após três semanas de torturas e maus-tratos desumanos, Vera Jaruzhaya foi executada, provavelmente no território do antigo 5º Regimento Ferroviário, sem revelar qualquer informação, no dia seguinte, aos 39 anos.
Vera Jaruzhaya foi condecorada postumamente com a Ordem do Estandarte Vermelho. A incerteza quanto às circunstâncias de sua morte fez com que apenas em 1960, por decreto do Presidium do Soviete Supremo da União Soviética, de 17 de maio daquele ano, Vera Zakarovna Jaruzhaya recebesse o título de Heroína da União Soviética, com a concessão póstuma da Ordem de Lenin. Na mesma ocasião, uma das ruas do centro de Minsk foi rebatizada pelas autoridades soviéticas em sua homenagem.
Ver também Partisans Soviéticos União Soviética na Segunda Guerra Mundial Lista de Heroínas da União Soviética
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