Vladimir Vasilievitch Saldo (, ; Oktiabrske, 12 de junho de 1956) é um político russo e ucraniano, ex-deputado do Conselho Supremo da Ucrânia e atual governador do Oblast de Kherson sob administração russa. Engenheiro civil de formação e candidato em ciências econômicas, construiu carreira no setor da construção civil e na política regional. Foi deputado do Conselho Supremo da Ucrânia na 7.ª Legislatura (2012–2014) e exerceu o cargo de prefeito de Kherson por três mandatos consecutivos, entre 2002 e 2012.
Formado em 1978 pelo Instituto de Mineração de Kryvy Rih, com especialização em construção industrial e civil, Saldo atuou inicialmente como mestre e engenheiro em empresas do complexo Khersonpromstroi. Entre 1981 e 1986, trabalhou como conselheiro militar na República Popular da Mongólia. Posteriormente, chefiou administrações de construção e ocupou cargos técnicos e administrativos no setor habitacional. Paralelamente, ingressou na política local, sendo deputado do Conselho Municipal de Kherson entre 1998 e 2002 e vice-chefe da Administração Estatal do Oblast de Kherson entre 2001 e 2002.
Entre 2002 e 2012, foi prefeito de Kherson, eleito por voto direto em três ocasiões. Filiado ao Partido das Regiões até 2014, liderou suas estruturas regionais e municipais e, em 2012, foi eleito deputado do Conselho Supremo pelo distrito uninominal n.º 182 (Oblast de Kherson), exercendo o cargo de vice-presidente do Comitê de Construção, Urbanismo, Serviços Comunais e Política Regional. Após 2014, manteve atividade política em nível local, presidindo associações empresariais e sendo eleito vereador em diferentes legislaturas, além de disputar novamente a prefeitura em 2015 e 2020.
Após a ocupação russa de parte do Oblast de Kherson, em 2022, Saldo passou a cooperar com as autoridades russas. Em abril daquele ano, foi nomeado chefe da Administração Militar-Civil da região e, em junho, obteve cidadania russa. Participou do processo que culminou no referendo realizado entre 23 e 27 de setembro de 2022 e esteve presente na cerimônia de assinatura do tratado de incorporação do oblast à Federação da Rússia. Em 4 de outubro de 2022, foi nomeado governador interino e, em 23 de setembro de 2023, eleito governador pelo parlamento regional, por indicação do partido Rússia Unida, ao qual é filiado. Em razão de sua atuação durante o conflito, encontra-se sob sanções impostas pela Ucrânia, União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e outros países.
Vida inicial Nasceu em 12 de junho de 1956, na vila de Oktiabrske (na época um subúrbio de Micolaíve), Oblast de Micolaíve. Seu pai, Vasili Saldo era um construtor, sua mãe, Mira Volynskaia era médica. Após concluir o ensino médio, formou-se em construção industrial e civil no Instituto de Mineração de Kryvy Rih, obtendo a qualificação de engenheiro civil. Iniciou a carreira no truste Khersonpromstroi, onde atuou como mestre, engenheiro-chefe e chefe de administrações de construção; entre 1981 e 1986 esteve em missão na República Popular da Mongólia como conselheiro militar.
Carreira política
Ingresso na política Ingressou na política local em 1998, ao ser eleito deputado do Conselho Municipal de Kherson, cargo que ocupou por três anos. Entre 2001 e 2002, exerceu o cargo de vice-chefe da Administração Estatal do Oblast de Kherson para construção e serviços comunais e, no mesmo período, filiou-se ao Partido das Regiões, do qual chefiou as estruturas regionais.
Prefeito de Kherson Em 2002, foi eleito prefeito de Kherson, cargo que ocupou por três mandatos consecutivos (2002–2012), sendo reeleito em 2006 e 2010. Na primeira eleição, venceu Serhiy Sokolov, ex-chefe da polícia de trânsito da Crimeia, por uma margem de cerca de 20 mil votos. Às vésperas do pleito de 2006, no qual Sokolov voltaria a ser seu principal adversário, este morreu em um acidente automobilístico. Saldo foi reeleito naquele ano e, também em 2006, assumiu a chefia da organização municipal do Partido das Regiões em Kherson. Em 2010, obteve um terceiro mandato e permaneceu no cargo até 2012.
Após a invasão russa da Ucrânia, em março de 2022, a Associação para a Reintegração da Crimeia avaliou sua década à frente da prefeitura como um período de "desvio sistemático de recursos e corrupção", marcado por escândalos de grande repercussão. O jornalista de Kherson Kostiantyn Rijenko afirmou que Saldo se tornou um "símbolo de declínio, ruína econômica, corrupção, tomadas forçadas de empresas e violência de grupos criminosos", acrescentando que seu nome esteve ligado a várias mortes consideradas suspeitas, nenhuma delas devidamente investigada.
Deputado do Povo da Ucrânia Saldo foi eleito Deputado do Povo da Ucrânia nas eleições parlamentares de 2012 e exerceu o mandato até 2015. Após a eleição, foi nomeado vice-presidente do Comitê do Conselho Supremo para Construção, Urbanismo, Habitação e Serviços Comunais e Política Regional. Durante a Revolução da Dignidade, Saldo tornou-se figura recorrente na televisão estatal russa e condenou ativamente os protestos do Euromaidan. Em 16 de janeiro de 2014, votou a favor do conjunto de leis antiprotesto, também conhecidas como "leis ditatoriais".
Vereador de Kherson Após o fim da Revolução da Dignidade, Saldo entrou em declínio político. Filiou-se ao partido Nossa Terra, descrito como um destino comum para ex-membros do Partido das Regiões. Em 2015, concorreu ao cargo de prefeito de Kherson pelo Nossa Terra, mas foi derrotado. Posteriormente, foi novamente eleito vereador de Kherson, onde atuou como líder do partido. Em 2019, fundou o partido político Bloco Volodymyr Saldo, e, em 2020, foi reeleito para o Conselho Municipal, ficando novamente em segundo lugar na eleição para prefeito, ao perder para Ihor Kolykhaiev.
Colaboracionismo com a Rússia Em março de 2022, após o início da invasão russa da Ucrânia, Saldo esteve presente no Parque da Glória, em Kherson, durante um comício dedicado à proclamação da chamada "República Popular de Kherson" (RPK). Em 13 de março, participou também de um ato pró-russo na cidade. Posteriormente, publicou nas redes sociais uma mensagem contrária à criação da RPK, afirmando considerar Kherson uma cidade ucraniana e declarando que sua atuação teria como objetivo manter a cidade como parte da Ucrânia. No mesmo mês, a Procuradoria-Geral da Ucrânia abriu contra ele um processo por alta traição.
Segundo declaração de sua assessora Olga Spivakina, durante esse período forças russas teriam "coagido o ex-prefeito de Kherson a cooperar". Em 16 de março de 2022, Saldo passou a integrar o chamado "Comitê de Salvação pela Paz e Ordem" e iniciou colaboração com os militares russos. Após participar de uma reunião desse comitê, órgão criado pela Rússia no Oblast de Kherson, Spivakina — então deputada do Conselho Municipal de Kherson — publicou no Facebook uma declaração de Saldo na qual ele afirmava ter sido capturado e forçado a participar do encontro.
A participação de Saldo nos eventos de março gerou reação política local. Valeriy Lytvyn, chefe da bancada do Bloco Volodymyr Saldo no Conselho Regional de Kherson, enviou uma carta ao primeiro vice-presidente do conselho, Iuriy Sobolevsky, informando que os deputados não concordavam com a decisão de Saldo de comparecer ao comício de 13 de março. Em seguida, os deputados do bloco anunciaram que continuariam suas atividades no conselho regional como parte de uma nova bancada, denominada "Apoio aos Programas do Presidente da Ucrânia".
Em 26 de abril de 2022, Saldo foi oficialmente nomeado pelas forças russas chefe da Administração Civil-Militar de ocupação do Oblast de Kherson. No dia seguinte, após um ataque ucraniano com mísseis contra a cidade, declarou que "Kiev abandonou as pessoas de Kherson". Em 11 de junho de 2022, tornou-se o primeiro, entre um grupo de 23 pessoas, a receber um passaporte russo.
Em 5 de agosto de 2022, foi noticiada sua internação em um hospital da Crimeia, onde foi ligado a um ventilador pulmonar e colocado em coma medicamentoso; médicos não confirmaram infarto nem derrame. Ainda em coma, foi transferido por aeronave especial para Moscou e internado em estado grave na unidade de terapia intensiva do setor de toxicologia do Instituto Sklifosovski. Em agosto de 2022 ele filiou-se ao partido Rússia Unida.
Anexação do Oblast de Kherson à Rússia miniaturadaimagem|Saldo, Putin e os demais líderes dos territórios anexados comemorando a entrada na Federação da Rússia
Em 6 de maio de 2022, reuniu-se com Denis Pushilin, chefe da autoproclamada República Popular de Donetsk, e com Andrei Turchak, secretário do conselho geral do partido Rússia Unida. No mesmo dia, afirmou em entrevista que o Oblast de Kherson já era "parte integrante da grande família da Rússia". Em 11 de junho, ao receber o passaporte russo, declarou tratar-se de um "momento verdadeiramente histórico", acrescentando que sempre considerou Ucrânia e Rússia "um só país e um só povo". Em 20 de setembro de 2022, anunciou pelo Telegram que o Oblast de Kherson realizaria um referendo para aderir à Rússia, expressando a esperança de que se tornasse "parte da Rússia, um sujeito pleno de um país unido". O referendo teve início em 23 de setembro, simultaneamente a consultas semelhantes em outros três oblasts ocupados, e foi declarado inválido e ilegal pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Após o encerramento, Saldo afirmou nas redes sociais que 87% teriam votado a favor, dizendo estar "claro que a esmagadora maioria apoiou a separação da Ucrânia e a adesão à Rússia".
Em 30 de setembro de 2022, juntamente com outros dirigentes pró-russos — Denis Pushilin, Leonid Pasetchnik e Ievguêni Balitski —, participou em Moscou da cerimônia na qual Vladimir Putin anunciou formalmente a anexação dos oblasts de Donetsk, Kherson, Luhansk e Zaporíjia. Em dezembro de 2022, tornou-se membro do conselho político regional do partido Rússia Unida no Oblast de Kherson ocupado e, em 20 de dezembro, recebeu do presidente Putin a Ordem "Por Mérito à Pátria" de 3.ª classe.
Administração e projetos No âmbito da administração e de projetos no território ocupado, em 29 de abril de 2022 Saldo declarou que os idiomas oficiais do Oblast de Kherson seriam o ucraniano e o russo e que o Banco de Liquidações Internacionais da Ossétia do Sul abriria cerca de 200 agências no oblast. No fim de outubro de 2022, com o avanço das tropas ucranianas, sua administração ordenou a evacuação de todos os moradores da cidade de Kherson. Em 8 de novembro, pouco antes do anúncio da retirada russa, seu vice, Kirill Stremousov, morreu em um acidente de carro. Após a retomada de Kherson pelas forças ucranianas, o centro administrativo russo foi transferido temporariamente para Henitchesk.
Em dezembro de 2022, Saldo anunciou planos para a construção de uma cidade planejada na Flecha de Arabat. Em março de 2023, o deputado regional ucraniano Serhiy Khlan, junto com moradores locais, relatou que a construção havia se acelerado, com a chegada de "trabalhadores convidados" para as obras. No fim de 2022, Saldo foi mordido na mão por um guaxinim comumente chamado de Kherson, que foi levado para a Rússia quando os militares deixaram Kherson. Em 6 de abril de 2023, reuniu-se individualmente com Vladimir Putin para discutir questões de fornecimento de gás nas áreas ocupadas do Oblast de Kherson.
Em 6 de junho de 2023, durante as inundações causadas pela destruição da barragem de Kakhovka, Saldo acusou a Ucrânia de ter realizado um ataque com mísseis contra a barragem. Afirmou que a situação era "controlável" e que não seria necessária uma evacuação em grande escala. Em um vídeo, disse que a vida seguia normalmente, mencionando postos de combustível, lojas e empresas em funcionamento, embora as imagens mostrassem ruas visivelmente inundadas ao fundo.
Tentativas de assassinato