Abu Iázide Aqui ibne Abi Talibe ibne Abede Almotalibe Alhaximi Alcoraxi (; ) foi um nobre árabe do , membro dos haxemitas e irmão mais velho do califa Ali .
Vida
Aquil nasceu em 580, o segundo filho mais velho de Abu Talibe e Fátima binte Açade; seus irmãos eram , nascido 10 anos antes, Jafar e Ali. Em decorrência de sua senioridade, quando seu pai faleceu em 619, ele e seu irmão Talibe herdaram grande fortuna. Tinha amplo conhecimento de genealogia (ençabe) e história, e ocupava, durante a Jailia (período pré-islâmico), uma posição importante entre a tribo dos coraixitas, sendo um dos quatro homens cuja arbitragem era solicitada em casos de disputa. Na Batalha de Badre (624), lutou ao lado dos politeístas de Meca e foi feito prisioneiro pelos muçulmanos. Foi libertado do cativeiro mediante o resgate de quatro mil dirrãs pago por seu tio, Alabás ibne Abede Almotalibe. A data de sua conversão é disputada: segundo algumas fontes, tornou-se muçulmano antes do Tratado de Hudaibia de 628 (Ibne Hajar); segundo outros, logo após; e, para uma terceira opinião (Albaladuri), converteu-se no início do ano 630, antes da Conquista de Meca, dirigindo-se então a Medina. Ao lado de seu irmão Jafar, participou na Batalha de Muta de 629.
Devido a uma doença que contraiu, Aquil não pôde tomar parte nas demais batalhas. Contudo, também se relata que esteve presente na Batalha de Hunaine de 630 e que, no momento em que todos se dispersaram, não se afastou de Maomé. Durante o califado de Omar , foi encarregado da organização do divã (registro administrativo). No período do califado de Ali, ao não receber dele a ajuda esperada para saldar uma grande dívida que era obrigado a pagar, juntou-se ao governador da Síria Moáuia, que lhe forneceu o auxílio necessário, e combateu contra seu próprio irmão na Batalha de Sifim; outros presumem que o afastamento do irmão teve causas políticas. Famoso também por sua eloquência e perspicácia, Aquil faleceu durante o governo de Moáuia ou nos primeiros dias do califado de . Aquil casou-se com Fátima ibne Oteba, com quem teve vários filhos. Vários deles uniram ao seu primo Huceine ibne Ali por ocasião de sua rebelião contra Iázide; um deles, Muslim ibne Aquil, foi morto por , e outros, seis ou nove ao todo, morreram na Batalha de Carbala de 680.
Legado
Múltiplas tradições proféticas (hádices) foram transmitidas sob a autoridade de Aquil, e ele também figura em hádices relatados por outros. Segundo uma dessas tradições, Maomé teria expressado seu duplo amor por Aquil: um amor por ele em razão do parentesco que os unia, e outro porque Aquil era o filho favorito de Abu Talibe (o próprio Maomé mantinha uma relação próxima com Abu Talibe, que o havia adotado após a morte de seu pai, Abede Almotalibe, ocorrida poucos meses antes de seu nascimento). Aquil é frequentemente citado por autores posteriores por sua eloquência e por suas respostas espirituosas, dirigidas tanto contra sua esposa Fátima, quanto contra Moáuia. Ao que parece, era um homem rico, possuindo várias propriedades tanto em Meca quanto em Medina. Uma de suas propriedades em Medina, a Casa de Aquil (Dār ʿAqīl), aparentemente continha um cemitério onde se diz que foram sepultados vários muçulmanos ilustres do período inicial (especialmente membros da família haxemita, como Fátima — filha de Maomé e esposa de Ali). Os descendentes de Aquil por meio de seu filho Maomé, conhecidos pelo nisba Alaquili, foram por vezes considerados por gerações posteriores como membros da Ahl al-Bayt (a família extensa de Maomé, que os xiitas consideravam elegível para exercer o título de califa), à semelhança dos descendentes de seus irmãos Ali (os álidas) e Jafar (os jafáridas), bem como dos descendentes do tio dos três irmãos, Alabás (os abássidas).
Reivindicações de ancestralidade por clãs somalis
Notavelmente, a grande maioria dos clãs somalis traça sua ancestralidade até Aquil. O clã dos daroditas, do norte, reivindica descender diretamente de Aquil por meio de seu suposto antepassado . Clãs pastoris do norte, como os Hawiye e os , traçam sua ascendência até Aquil por intermédio de seu antepassado comum suposto, (cujo nome também está na origem do termo “somali”). Os isaquitas são por vezes considerado descendente de Aquil por meio de uma ligação matrilinear com os diritas, embora eles próprios afirmem descender patrilinearmente do irmão de Aquil, o califa Ali. Por fim, clãs do sul que praticam agricultura, como os , traçam sua ancestralidade até Aquil por meio de seu antepassado comum suposto, Sabe.
Uma possível tabela genealógica pode ser apresentada da seguinte forma:
Aquil
Daroditas
Iriritas Hawiye Ajitas
(matrilinearmente) isaquitas Sabitas Diguilitas
Essas reivindicações genealógicas, que fazem parte do que Sada Mire denominou "o mito islâmico somali de origem", são historicamente insustentáveis. No entanto, elas refletem os antigos contatos culturais entre a Somália (especialmente, embora não exclusivamente, sua porção mais setentrional, a Somalilândia) e a Arábia Meridional.
Notas
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Primos de Maomé Categoria:Irmãos de Ali