A Mina da Lagoa Salgada é uma exploração mineira planeada nos concelhos de Grândola e de Alcácer do Sal, no Distrito de Setúbal, em Portugal.

Descrição e história Prevê-se que a mina vá operar no método de lavra subterrânea, ocupando uma área de cerca de 7000 hectares, considerada como espaço florestal de produção. A zona de operação irá estar situada na fronteira entre os concelhos de Grândola e de Alcácer do Sal, estando integrada na Faixa Piritosa Ibérica, uma região rica em minerais.

Iria ser explorado um depósito rico em cobre, chumbo, zinco, prata, ouro e outros metais preciosos, prevendo-se que iriam ser extraídas 5.480 toneladas diárias de minério, e que a exploração iria ter uma vida útil de onze anos. De acordo com a empresa responsável, a Redcorp - Empreendimentos Mineiros, a mina iria envolver um investimento global de 196 milhões de Euros e criar cerca de mil postos de trabalho.

Em 2022, foi-lhe atribuído o estatuto como de potencial interesse nacional. Posteriormente, foi publicada uma proposta de declaração ambiental desfavorável, levando à abertura de uma nova consulta pública. Posteriormente, a empresa Redcorp apresentou uma proposta para a modificação do empreendimento, que introduziu várias alterações nos processos de tratamento metalúrgico, como a «eliminação do cianeto de sódio», mais medidas para proteger os aquíferos, formas alternativas para a deposição de resíduos no aterro, e uma área de ocupação de menores dimensões.

Em Novembro de 2025, a Câmara Municipal de Grândola afirmou a sua «total discordância» em relação à planeada mina da Lagoa Salgada. O então presidente da autarquia, Luís Vital Alexandre, explicou que a classificação da mina como de interesse nacional deveu-se à circunstância que o executivo anterior não se tinha pronunciado sobre assunto e não tinha entregue um parecer à entidade responsável, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, situação que considerou como um «enorme erro». Assim, numa reunião com a AICEP, apresentou um pedido para reavaliar o estatuto de potencial interesse nacional.

Em Janeiro de 2026, a Agência Portuguesa do Ambiente atribuiu um parecer desfavorável ao empreendimento da Mina da Lagoa Salgada, tendo comentado que «continua a comportar impactes negativos muito significativos, nomeadamente ao nível dos recursos hídricos», condição que considerou «determinante», devido à «sua implantação numa zona protegida para a captação de água subterrânea, abastecimento público e a sua vulnerabilidade». Além dos riscos ambientais, a Agência Portuguesa do Ambiente também apontou outros problemas que poderiam resultar da exploração minteira, como o consumo de água e o impacto social na região do litoral alentejano.

Ver também Minas da Caveira Mina de Lousal

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