O Médio Sudoeste da Bahia é um território de identidade localizado no sudoeste do estado brasileiro da Bahia. Abrange treze municípios: Caatiba, Firmino Alves, Ibicuí, Iguaí, Itambé, Itapetinga, Itarantim, Itororó, Macarani, Maiquinique, Nova Canaã, Potiraguá e Santa Cruz da Vitória.territorio_identidade_vol01.pdf08_medio_sudoeste_Bahia.pdfPerfil_Médio Sudoeste da Bahia

Histórico O Território de Identidade teve sua povoação iniciada no final do século XIX por aventureiros em busca de terras férteis para a agricultura e a pecuária. A região passou a ser reconhecida em 1912, quando o pioneiro Bernardino Francisco de Souza, acompanhado de alguns parentes e trabalhadores, ao tentar localizar a estrada entre Vitória da Conquista e Ilhéus, fixou-se às margens do Rio Catolé, dedicando-se às atividades agrícolas.

Geografia Clima A região integra a área de abrangência do Semiárido, estando sua maior parte inserida na Região Semiárida. Apenas os municípios de Firmino Alves, Ibicuí e Santa Cruz da Vitória não se encontram nessa delimitação. Predomina o clima subúmido a seco, com registros também de clima úmido a subúmido e semiárido. O clima subúmido a seco apresenta pequeno ou nenhum excedente hídrico, com chuvas concentradas na primavera/verão. Já na parte central do território de identidade (TI), as chuvas são escassas e, quando ocorrem, concentram-se na primavera/verão — característica típica do semiárido.

No nordeste do TI, a temperatura média é superior a 18ºC, com clima úmido a subúmido. Na área de influência do semiárido, como no município de Itapetinga, a faixa de pluviosidade varia entre 500 mm e 800 mm, sendo a menor registrada. De forma mais abrangente, o clima subúmido a seco apresenta índices pluviométricos entre 850 mm e 950 mm. Nos trechos mais úmidos de Firmino Alves, Ibicuí e Santa Cruz da Vitória, a pluviosidade pode alcançar até 2.000 mm. As temperaturas médias aproximadas são de 18ºC (mínima), 29ºC (máxima) e 22ºC (média anual). Os índices climáticos demonstram que há deficiência hídrica em todo o território de identidade, menos acentuada na porção nordeste, onde ocorre o tipo úmido a subúmido, de clima mais ameno.

Hidrografia A bacia hidrográfica mais importante do TI é a do Rio Pardo, que atravessa a porção central no sentido oeste-leste. Além do Rio Pardo, integram essa bacia os rios Alegria, Bonito e Catolé Grande. O regime dos rios da Bacia do Pardo é variado, com cursos d’água intermitentes e permanentes, sendo o Rio Pardo o mais relevante por seu caráter permanente. Ele constitui limite municipal entre Itambé, Macarani, Itapetinga, Itarantim e Potiraguá.

As demais bacias do TI são: a do Rio de Contas, localizada na porção centro-norte; a do leste, com os rios Colónia e Salgado como principais tributários; e a do Jequitinhonha, que atravessa o sudeste do território de identidade. O Rio Jequitinhonha abriga o espelho d’água mais importante do TI: a Barragem de Itapebí, cuja margem esquerda pertence ao município de Itarantim.

Economia O Território de Identidade Médio Sudoeste da Bahia (TI) é composto por 13 municípios, sendo Itapetinga o de maior destaque, por ser o mais antigo, possuir a maior população e apresentar dinamismo econômico diferenciado, abrigando a indústria calçadista Vulcabras-Azaleia.

De acordo com o Censo Demográfico de 2010, a população total do TI era de 247.180 habitantes. Na distribuição por gênero, 50,4% eram do sexo masculino e 49,6% do sexo feminino, ou seja, para cada 100 mulheres havia 101,7 homens. Na composição populacional entre os municípios, Itapetinga concentrava 27,6% da população total, com 68.273 habitantes em 2010. Os demais municípios variavam entre 10,4% e 2,2% da população do território.

Do total de habitantes, 78,8% residiam em áreas urbanas e 21,2% em áreas rurais, resultando em um grau de urbanização de 78,8%, superior à média estadual de 72,1%.

Quanto ao Produto interno bruto (PIB) do TI, o setor de serviços apresentava maior participação (66,9% em 2012), seguido pela indústria (23,1%) e pela agropecuária (10,0%). Os municípios com maior equilíbrio na distribuição setorial entre indústria e serviços eram Itapetinga, com 36,3% de indústria, 61,3% de serviços e baixa participação da agropecuária (2,3%); e Maiquinique, com 30,8% de indústria, 58,4% de serviços e 10,8% de agropecuária. Ambos possuíam indústrias de transformação calçadista em 2011, mas em 2012 a empresa Vulcabras Azaleia encerrou suas atividades em Maiquinique.

Infraestrutura O território não é cortado por rodovias federais, havendo apenas uma ligação pela BA-680 entre Potiraguá e a BR-101. As principais rodovias estaduais que atravessam os municípios são: BA-130, que conecta Maiquinique, Itapetinga, Itororó, Firmino Alves e Ibicuí; e a BA-270, que liga Potiraguá, Itarantim e Maiquinique. Há apenas um aeroporto com pista pavimentada, destinado a pequenas aeronaves, localizado em Itapetinga.

População Em 2010, Itapetinga registrou população censitária de 68.273 habitantes, três vezes maior que a média populacional do TI (19.014 habitantes). O município também concentrava 44,1% da riqueza gerada no território. A maioria dos municípios apresentava altas taxas de urbanização, exceto Nova Canaã (41,0%) e Caatiba (47,3%).

O TI apresentou, em 2010, taxa média de analfabetismo de 23,7%, superior à média estadual de 16,3%. A população em situação de extrema pobreza representava 10,3%, destacando-se o município de Iguaí, com 23,9% da população nessa condição.

Apesar da proeminência de Itapetinga, o território de identidade apresenta relativa homogeneidade no desempenho dos demais municípios em termos de comportamento econômico e estrutura social: predominância do setor de comércio e serviços (média de 66,9%), elevado índice de urbanização (média de 73,8%) e número reduzido de habitantes (média inferior a 20 mil). Esse comportamento socioeconômico similar facilita a construção e implementação de projetos voltados ao desenvolvimento regional.

Cultura O processo de ocupação do Território de Identidade Médio Sudoeste da Bahia (TI) tem forte relação com a presença da pecuária bovina, atividade de grande abrangência cultural. A influência dessa prática veio do Norte de Minas Gerais e do Sudoeste Baiano. Alguns municípios, como Caatiba e Macarani, por exemplo, foram desmembrados de Vitória da Conquista. Assim, o território de identidade foi conformado também pela expansão de populações oriundas dessas áreas, em busca de terras para agricultura e pecuária, integrando a Cultura sertaneja.

Esse processo de ocupação, apesar do enriquecimento cultural, resultou na extinção da Vegetação natural, substituída por pastagens, predominantes no TI. Entre as manifestações culturais, destacam-se as festas de vaqueiro, provenientes da já mencionada influência sertaneja, que constituem um importante difusor regional do modo de vida e dos costumes característicos do território.

A presença das comunidades quilombolas também marca o processo de ocupação, com três representantes que, de alguma forma, refletem influências culturais na região. Duas delas são certificadas pela Fundação Cultural Palmares, e uma foi identificada pelo Projeto GeografAR. No município de Itambé, encontra-se a comunidade Pedra, certificada, com cerca de 35 famílias. Já em Itororó, está localizada a comunidade Rua da Palha, também certificada, embora não haja informações sobre o número de famílias. A comunidade Guerém, em Nova Canaã, identificada mas ainda não certificada pela Fundação Cultural Palmares, reúne aproximadamente 38 famílias. Vale ressaltar que esses números são estimativos.

Ver também Sudoeste Baiano Territórios de identidade da Bahia Norte de Minas Gerais

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