A Operação Tapeworm foi uma operação militar estadunidense realizada em 22 de julho de 2003, na cidade de Mosul, no Iraque, que resultou na morte de Uday e Qusay Hussein, filhos do presidente iraquiano deposto Saddam Hussein. A operação tinha como objetivo inicial prendê-los, mas transformou-se em um tiroteio de quatro horas em frente a um esconderijo fortificado, que terminou com a morte dos irmãos, do filho de Qusay, Mustafa Hussein, e de um guarda-costas, Abdul Samad al-Hadushi.Operation tapeworm: task force Battle Force helps take down Uday, Qusay Hussein , Infantry Magazine, Novembro–Dezembro de 2005

Contexto Em março de 2003, uma coalizão militar liderada pelos Estados Unidos invadiu o Iraque e derrubou o regime baathista de Saddam Hussein. Após a derrota do Exército Iraquiano, Saddam e seus filhos, Uday Hussein e Qusay Hussein, entraram na clandestinidade e se tornaram fugitivos procurados pelas forças de ocupação da Coalizão. Uday havia sido o fundador e comandante dos Fedayeen Saddam, uma organização paramilitar lealista que servia como guarda pessoal de Saddam Hussein, enquanto Qusay era um membro de alta patente da Guarda Republicana Iraquiana.

Qusay e Uday Hussein eram, respectivamente, o ás de copas e o ás de paus na lista dos iraquianos mais procurados pela Coalizão. O próprio Saddam era o ás de espadas.Dead hand: Deck of 52 Most-Wanted Iraqi playing cards given to soldiers at the start of the war shows the fall of Saddam 'The Ace of Spades' Hussein's army. dailymail. 18 de outubro de 2014. As autoridades da Coalizão ofereceram uma recompensa total de US$ 30 milhões pela captura dos irmãos.

Operação Na noite de segunda-feira, 21 de julho de 2003, Nawaf al-Zaidan, um empresário e amigo próximo da família de Saddam (e também parte de uma família conhecida por alegar falsamente ser "prima" da família de Saddam, quando na verdade pertencia à mesma tribo), que havia abrigado Uday, Qusay, o filho de Qusay, Mustafa Hussein, de catorze anos, e seu guarda-costas Abdul-Samad em sua mansão no bairro de Falah, no nordeste de Mosul, por cerca de três semanas, saiu da mansão e foi até uma base próxima da 101.ª Divisão Aerotransportada para entregar os dois irmãos Hussein devido à recompensa combinada de US$ 30 milhões. "Ele estava nervoso, eu percebi, mais nervoso do que qualquer outra pessoa que eu já vi lidando com isso. Mesmo assim, ele tinha confiança no que dizia. Mais do que a maioria das outras pessoas", disse o sargento da inteligência militar estadunidense que entrevistou al-Zaidan ao programa 60 Minutes II. "Ele tinha localizações exatas. Ele também podia dar descrições muito boas de Qusay e Uday, bem como de seus hábitos. Ele me disse exatamente como eles eram." Al-Zaidan então passou no teste do polígrafo. Foi tomada a decisão de enviar um destacamento de tropas das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos para prender os irmãos.

Por volta das 10h da manhã de terça-feira, 22 de julho de 2003, oito soldados das Forças Especiais da Força-Tarefa 121, acompanhados por 40 soldados de infantaria da 101.ª Divisão Aerotransportada, cercaram o esconderijo. Um megafone foi usado para ordenar que os ocupantes da casa saíssem e se rendessem, mas não houve resposta.

Dez minutos depois, uma equipe de oito agentes das Forças Especiais dos Estados Unidos bateu à porta da casa. Como ninguém respondeu, os soldados arrombaram a porta e entraram. Lá dentro, a equipe foi recebida com intenso fogo dos defensores da casa, que estavam armados com AK-47 e se barricaram no segundo andar do prédio. No tiroteio que se seguiu, três soldados das Forças Especiais ficaram feridos dentro da casa. Enquanto a equipe tentava se retirar, os ocupantes começaram a atirar pelas janelas, ferindo um quarto soldado. Os quatro agentes feridos foram evacuados de helicóptero enquanto a equipe se retirava do prédio e pedia reforços.

Após a equipe das Forças Especiais se retirar da casa, soldados do 3.º Batalhão do 327.º Regimento de Infantaria da 101.ª Divisão Aerotransportada cercaram o esconderijo e abriram fogo com lançadores de granadas Mk 19, armas antitanque AT4 e metralhadoras Browning M2 calibre .50 montadas em Humvees, dando início a um intenso tiroteio. Às 11h22, mais de uma hora após o início do confronto, mais de 200 soldados de reforço chegaram para auxiliar a força-tarefa.

Às 11h45, vários helicópteros Kiowa OH-58D chegaram e começaram a disparar contra o esconderijo, destruindo grande parte do edifício com tiros de metralhadora e foguetes. Mesmo assim, a força-tarefa continuou a receber intenso disparos dos ocupantes da casa, que também lançaram granadas do telhado. Incapaz de neutralizar os defensores, a força-tarefa inicialmente considerou usar helicópteros de ataque AH-64 Apache para destruir o esconderijo, mas descartou a ideia devido a preocupações com possíveis baixas civis.

Às 13h, três horas após o início da operação, dez mísseis BGM-71 TOW foram disparados contra a casa a partir de lançadores montados em Humvees. A explosão resultante reduziu grande parte do esconderijo a escombros. Às 13h21, vários soldados estadunidenses entraram na casa destruída para procurar sobreviventes. Encontraram Uday e Qusay mortos. Enquanto a equipe subia as escadas para o segundo andar do prédio, Mustafa Hussein, filho de Qusay, de catorze anos, abrigado em um quarto, abriu fogo contra os soldados com um AK-47, mas foi morto instantaneamente pelos tiros de represália.

Consequências Após a operação, os corpos dos quatro ocupantes foram retirados da casa e levados de avião para Bagdá para testes de identificação. Os legistas reconstruíram os cadáveres de Qusay e Uday Hussein, que foram identificados por meio de testes de DNA e registros dentários. Ambos os homens haviam mudado significativamente sua aparência, deixando a barba crescer para evitar serem reconhecidos; Uday havia raspado completamente a cabeça. Fotos dos cadáveres dos irmãos foram posteriormente publicadas pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos e exibidas na TV e em jornais, gerando considerável controvérsia.

As autoridades estadunidenses anunciaram que a recompensa combinada de US$ 30 milhões por Qusay e Uday Hussein seria paga ao informante que avisou as autoridades da Coalizão.

Saddam reagiu à notícia de maneira contraditória, ora lamentando, ora homenageando as mortes:

Uday, Qusay e o filho de Qusay, Mustafa Hussein, foram posteriormente sepultados juntos em um cemitério em Tikrit. Presume-se que os outros dois filhos de Qusay, Yahya e Yaqub, estejam vivos, mas seu paradeiro é desconhecido.

Ver também Operação Red Dawn

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