+ Flor de Lis País Portugal Língua Português Gênero Revista de escutismoórgão oficial do CNE Primeiro número fevereiro de 1925(Braga) Proprietário Corpo Nacional de Escutas (CNE) Diretor(a) atual Tânia Coutinho (desde 2023) Periodicidade Mensal(mínimo bimestral estatutário) Tiragem (2025) 11 500 exemplares(5 100 em papel + digital) Formato Revista em papel + edição digital integral (desde 2022) Sede Lisboa (sede do CNE)Rua D. Luís I, 34 Administrador Erico Virgy (desde 2020) Site oficial flordelis.escutismo.pt Arquivo histórico arquivo.flordelis.pt
A Flor de Lis é a revista oficial do Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português (CNE), publicada de forma contínua desde fevereiro de 1925. É considerada a publicação periódica mais antiga em Portugal em circulação ininterrupta e, em particular, a revista mensal mais antiga do país.
A revista foi fundada dois anos após a criação do CNE (1923), inicialmente em formato de jornal/boletim, transformando-se em revista nos anos 1940. Acompanhou a história do escutismo católico português ao longo de mais de um século, desde a sua primeira edição publicada em Braga até à era digital, tendo celebrado o seu centenário em fevereiro de 2025.
História
Fundação e primeiras décadas (1925-1945) O CNE foi fundado em Braga a 27 de maio de 1923 por D. Manuel Vieira de Matos, então arcebispo de Braga, e pelo Dr. Avelino Gonçalves. Como meio de ligação e informação entre as unidades escutistas, foi lançado em fevereiro de 1925 o primeiro número do jornal Flor de Lis, órgão oficial do então Corpo Nacional de Scouts (mais tarde CNE).
O primeiro diretor foi o monsenhor Avelino Gonçalves, cofundador do movimento em Portugal. No editorial inicial, Avelino Gonçalves explicava que faltava à associação um boletim que levasse ao conhecimento de todos os escuteiros o que se fazia, propondo que a Flor de Lis fosse "útil e agradável", expondo os princípios do escutismo "tais como saíram da mente do seu fundador, o imortal Baden-Powell", e contribuindo "para o progresso do escutismo em Portugal e nomeadamente para o desenvolvimento do Corpo Nacional de Scouts de que fica sendo órgão".
Ao longo das décadas de 1920 e 1930, a Flor de Lis consolidou-se como boletim oficial, acompanhando o crescimento do CNE de norte a sul do país.
De jornal a revista (anos 1940) Nos anos 40, o título evoluiu de jornal para revista. Fontes internas do CNE referem que a fixação em formato de revista ocorreu nessa década, sendo frequentemente apontado janeiro de 1945 como momento da transformação formal, sob a influência do padre Benjamim Salgado, principal redator da época.
Reformas gráficas e modernização (1970-2000) Em 1979, a revista introduziu capas e contracapas a cores, uma inovação gráfica no contexto da imprensa associativa. Em 1990, a Flor de Lis adotou o formato A4, que mantém até hoje. Em 2001, passou a ser publicada totalmente a cores.
Em 2005, por ocasião dos 80 anos, a redação publicou uma reportagem explicando o processo de produção mensal; nessa altura, imprimiam-se cerca de 10 500 exemplares, distribuídos pelos CTT para todo o país e estrangeiro.
Era digital e centenário (2000-2025) A partir dos anos 2000, a revista passou a disponibilizar o arquivo de edições online; hoje existe um arquivo digital estruturado desde 1925.
Em 2022, a Flor de Lis passou também a ser publicada em formato digital integral, em paralelo com a edição em papel, ampliando o alcance junto dos jovens e da diáspora. Esta transformação digital ocorreu durante a direção de Mário Correia, que implementou a modernização tecnológica da revista.
Em fevereiro de 2025, a revista celebra 100 anos de publicação ininterrupta. O CNE, a Agência Ecclesia e outros meios destacam-na como "órgão oficial de comunicação do Corpo Nacional de Escutas", "veículo essencial de informação, educação e unidade para os escuteiros católicos portugueses" e "a publicação mais antiga em Portugal a manter-se ininterruptamente em circulação". Para o centenário foi lançada uma edição especial comemorativa, disponível gratuitamente em formato digital e também em edição de colecionador através do Depósito de Material e Fardamento (DMF Escutista).
Papel no PREC (1974-1975) Um conjunto de artigos recentes sobre a história da Flor de Lis destaca o período de 1974–1975 (Processo Revolucionário em Curso – PREC) como um momento de viragem editorial.
Em junho de 1974, um editorial esclareceu a posição do movimento escutista na nova conjuntura democrática, reafirmando a natureza livre da adesão ao CNE e a sua ligação à Igreja. A edição de julho/agosto de 1974 é descrita como marco da "opinião livre", abrindo as páginas da revista a colaborações de diferentes sensibilidades dentro do movimento, num contexto de desaparecimento da censura prévia. A Flor de Lis passou a publicar textos de análise política e de reflexão sobre cidadania, sempre articulados com a educação escutista, assumindo-se como fórum interno de debate e reforçando a ideia de cidadania ativa e consciente.
Direção
Ao longo de cem anos passaram pela direção da revista 18 diretores, que foram marcando fases diferentes da história da publicação. Entre os nomes referidos contam-se:
Monsenhor Avelino Gonçalves (fundador e primeiro diretor) Dr. José Martins Gonçalves Padre Manuel Ferreira da Silva cónego João Ferreira Vítor Faria Armando Brito Manuel Velez da Costa João Teixeira Fernando Lopes Carlos Mana Albano Catarino Padre Manuel Fonte José Carlos Santos José Luís Araújo António Theriaga Nuno Canilho Mário Correia
A diretora atual, desde 2023, é Tânia Coutinho, a primeira mulher a dirigir a Flor de Lis. Em declarações à Agência Ecclesia, refere como prioridade a aproximação aos jovens e a adaptação dos conteúdos às suas necessidades.
Administração O administrador da revista desde a direção de Mário Correia é Erico Virgy, responsável pela gestão administrativa e operacional da publicação
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Conteúdos e linha editorial
A missão da Flor de Lis é explicada nas próprias publicações do CNE como ser um "instrumento de promoção do Escutismo" e uma ferramenta de informação, educação e animação ao serviço dos membros da associação.
O conteúdo típico inclui: Notícias nacionais e internacionais do movimento escutista católico (atividades, assembleias, encontros internacionais, participação em eventos da Organização Mundial do Movimento Escutista) Rubricas regionais, com notícias e crónicas das diversas regiões e núcleos do CNE Entrevistas a figuras do escutismo, da Igreja e da sociedade civil Dossiês temáticos ligados à educação de jovens, cidadania, fé e intervenção social Conteúdos formativos ligados à proposta educativa do CNE (metodologias de unidade, espiritualidade escutista, serviço, ambiente)
A redação e as equipas de colaboradores são compostas por voluntários e profissionais, incluindo dirigentes, jornalistas e técnicos de comunicação do CNE. Entre os profissionais que integram atualmente a equipa editorial encontram-se Susana Santos (jornalista) e António Laranjeira (técnico de comunicação).
Organização e enquadramento estatutário
O Regulamento Geral do CNE estabelece explicitamente que o órgão oficial do CNE é a "Flor de Lis", devendo ser publicado, no mínimo, de dois em dois meses.
O mesmo regulamento determina que o diretor e o administrador da Flor de Lis são nomeados e exonerados pela Junta Central do CNE, e obriga ao arquivo da revista em todos os níveis da associação. É ainda obrigatória a assinatura da Flor de Lis por juntas regionais, juntas de núcleo, direções de agrupamento e por todos os dirigentes em efetividade de funções, o que garante uma base sólida de circulação interna.
Tiragem, assinantes e distribuição
Em meados dos anos 2000, a tiragem situava-se em cerca de 10 500 exemplares, todos impressos e distribuídos via CTT para Portugal e estrangeiro. Em 2025, por ocasião do centenário, o CNE indica que a revista tem mais de 11 mil assinantes e uma tiragem total de 11 500 exemplares, dos quais cerca de 5 100 em papel, sendo o restante em formato digital.
A revista é distribuída: A nível nacional, a agrupamentos, dirigentes e famílias escutistas A comunidades portuguesas no estrangeiro e a redes internacionais ligadas ao escutismo católico
Presença digital
O site flordelis.escutismo.pt funciona hoje como portal editorial, com notícias, destaques e acesso às edições digitais recentes (por mês/ano).
O arquivo histórico em arquivo.flordelis.pt permite navegar pelas edições desde 1925, o que o torna uma fonte primária importante para investigação histórica sobre o escutismo português e a juventude católica. A revista mantém presença ativa em redes sociais, sobretudo através de páginas ligadas ao CNE.
Ver também Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português Escutismo em Portugal Lista de publicações periódicas de Portugal
Referências
Categoria:Revistas de Portugal Categoria:Revistas religiosas de Portugal Categoria:Publicações fundadas em 1925 Categoria:Escotismo em Portugal Categoria:Corpo Nacional de Escutas