Luiz Braga Mury (Bom Jardim, 24 de novembro de 1897 – Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1992) foi um militar brasileiro, general de brigada do Exército Brasileiro. Atuou nos movimentos armados da Primeira República, participou da Revolta Paulista de 1924, exerceu papel de comando regional na Revolução de 1930 e integrou a Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. No pós-guerra, ocupou funções administrativas e institucionais, incluindo o comando da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e cargos na Comissão Federal de Abastecimento e Preços (COFAP).

Origem e formação Luiz Braga Mury nasceu em Bom Jardim, município da Região Serrana Fluminense cuja formação social esteve associada, desde o século XIX, à colonização europeia e à consolidação de elites locais ligadas à propriedade rural, ao comércio e à vida pública. Era filho de Luiz Augusto Mury, comerciante estabelecido em Nova Friburgo, localidade com a qual a família manteve vínculos históricos e econômicos ao longo da primeira metade do século XX.

O sobrenome Mury corresponde a uma adaptação gráfica de Murith, de origem suíça, registrada em documentos e no uso local ao longo do processo de colonização e integração administrativa da região. Essa forma coincide com o topônimo do distrito de Mury, consolidado ao longo do século XX. Inserido nesse contexto familiar e social, ingressou no Exército Brasileiro no início do século XX, seguindo a formação regular da oficialidade em um período marcado por instabilidade política e recorrentes intervenções militares na vida nacional.

Carreira militar

Revolta Paulista de 1924 Em 1924, durante a Revolta Paulista, era tenente do 3.º Grupo de Artilharia de Costa do Forte de Itaipu, na Baixada Santista. Figurou entre os oficiais envolvidos na articulação do levante militar previsto para a cidade de Santos, integrando o dispositivo organizado pelos revoltosos para expandir o movimento para além da capital paulista.

A operação, entretanto, não chegou a se concretizar, em razão da interceptação de telegramas contendo ordens para os participantes, o que levou à desarticulação do levante na região.MEIRELLES, Domingos João. As noites das grandes fogueiras: uma história da Coluna Prestes. 9ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2002, p. 86. CASTRO, Maria Clara Spada de. A Revolta de 1924 em São Paulo: para além dos tenentes. Tese (Doutorado em História) – UFRRJ, 2022, p. 49.

Revolução de 1930 Na Revolução de 1930, destacou-se como uma das principais lideranças militares revolucionárias na Região Serrana Fluminense. Comandou uma força armada conhecida como Coluna Mury, atuante no interior do estado do Rio de Janeiro e em áreas limítrofes com Minas Gerais.

Segundo estudos historiográficos sobre o período, a coluna estabeleceu base de operações na região de Porto Novo (atual Além Paraíba) e participou de combates contra forças legalistas, incluindo a travessia de rios e o desalojamento de posições estratégicas ocupadas por adversários políticos do movimento revolucionário.

Há registros do uso de meios bélicos improvisados sob seu comando, bem como do exercício de funções político-administrativas em localidades sob controle revolucionário, como o município de Cantagalo, onde participou da reorganização do poder local após a vitória do movimento.

Consolidação da carreira Após a Revolução de 1930, permaneceu em serviço ativo no Exército Brasileiro, ocupando funções de comando e estado-maior. Em 1931, exerceu o cargo de Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, conforme registros oficiais da corporação.

Segunda Guerra Mundial Durante a Segunda Guerra Mundial, integrou a Força Expedicionária Brasileira (FEB), enviada pelo Brasil ao teatro de operações europeu entre 1944 e 1945. No conflito, serviu como tenente-coronel e exerceu a função de Chefe do Serviço de Material Bélico da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE).

Sua atuação no campo logístico e de manutenção é amplamente documentada na obra História Oral do Exército na Segunda Guerra Mundial, que registra suas atividades na Itália e sua participação na organização, recuperação e transporte de material bélico durante a campanha.

Atuação administrativa e institucional No período pós-guerra, Luiz Braga Mury prosseguiu na carreira militar até alcançar o posto de general de brigada. Paralelamente, atuou em órgãos civis e administrativos, destacando-se sua participação na Comissão Federal de Abastecimento e Preços (COFAP), onde exerceu funções de chefia no Serviço de Fiscalização durante a década de 1950, conforme registros da imprensa e da documentação administrativa do período.

Também manteve intensa participação em instituições de caráter intelectual e associativo. Foi membro da Academia Amazonense Maçônica de Letras, ocupando a Cadeira nº 29, além de manter vínculos com o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e com o Superior Tribunal Militar, em funções de natureza institucional e consultiva.

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