Gabriel é uma empresa brasileira de tecnologia voltada para segurança pública, fundada em janeiro de 2020 no Brasil. A companhia desenvolve e opera uma rede de câmeras equipadas com leitura automática de placas de veículos (LPR) e inteligência artificial, integrada a órgãos de segurança pública nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O modelo de negócio é baseado em comodato de equipamentos instalados em imóveis privados com assinatura mensal: a empresa instala e mantém a propriedade das câmeras, oferecendo transmissão de imagens e colaboração com o poder público no envio de dados para investigações.

História

A primeira câmera da empresa foi instalada no bairro do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, em abril de 2020. No mesmo ano, a empresa captou R$ 10 milhões em rodada seed com participação dos fundos Canary, Norte e Globo Ventures.

Em 2021, expandiu para a cidade de São Paulo e captou R$ 66 milhões (~US$ 12 milhões) em rodada Series A liderada pelo SoftBank Latin America Fund.

Em março de 2022, a Gabriel adquiriu a Retina Vision, startup de visão computacional especializada em leitura de placas veiculares, originada na Universidade de São Paulo.

No final de 2023, a empresa captou R$ 35 milhões em rodada co-liderada pela Qualcomm Ventures e pela Astella Investimentos.

Em outubro de 2024, a empresa firmou parceria com a concessionária Orla Rio para instalação de câmeras ao longo da orla da Zona Sul carioca.

Em maio de 2025, a Associação de Moradores e Amigos da Escola de Artes Visuais (Ameav) contratou o serviço da Gabriel para reforçar a segurança no Parque Lage.

Em outubro de 2025, a empresa anunciou uma captação total de R$ 60 milhões, composta por R$ 35 milhões em extensão de rodada de equity liderada pela Globo Ventures, com participação da Astella e Qualcomm Ventures, e R$ 25 milhões em dívida estruturada.

Em seguida, iniciou operações em Belo Horizonte.

Em novembro de 2025, a rede de câmeras da empresa foi instalada no perímetro externo do estádio do Maracanã, visando o reforço da segurança e o auxílio em ocorrências no entorno do complexo esportivo.

Em agosto de 2026, a Gabriel anunciou o início de operações no Espírito Santo, com atuação inicial nos municípios de Vitória e Vila Velha — o quarto estado atendido pela rede da empresa, depois de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Segundo o Economia Capixaba, tratou-se do oitavo mercado municipal aberto pela companhia desde novembro de 2025, somando-se a Belo Horizonte e a cidades da região metropolitana de São Paulo, como Barueri, Guarulhos, Osasco, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

Tecnologia

O principal equipamento da empresa é o Camaleão, um dispositivo proprietário de câmera dupla com campo de visão de 180° ou 360° e conectividade via rede 4G, mas declara não utilizar reconhecimento facial em seus sistemas, restringindo a identificação a veículos e placas. O sistema utiliza visão computacional para realizar leitura automática de placas, comparando os dados com bases de veículos com restrições e gerando alertas para as autoridades.

Integrações com o poder público

A Gabriel mantém integrações formalizadas com órgãos de segurança pública para fornecimento de imagens e dados de leitura de placas:

No Rio de Janeiro, a empresa integra o programa "190 Integrado" da Polícia Militar e mantém Acordo de Cooperação Técnica com a Polícia Civil.

Em São Paulo, participa do programa municipal Smart Sampa e do programa estadual Muralha Paulista, compartilhando dados de leitura de placas e alertas com centros de controle policiais.

Em Belo Horizonte, segundo o Estado de Minas, a empresa está integrada ao Centro Integrado de Operações (COP-BH) e ao Sistema Hélios da Polícia Militar.

Gabriel365 Em junho de 2026, a Gabriel lançou a Gabriel365 (), uma plataforma gratuita de visualização de dados sobre segurança pública baseada em inteligência artificial. A plataforma reúne dados de ocorrências registradas ao longo de seis anos pela rede de câmeras da empresa nas cidades onde a Gabriel opera.

Segundo a Folha de S.Paulo, a ferramenta permite consultas sobre criminalidade por rua, bairro e período. O acesso é gratuito mediante cadastro; sem login, é possível fazer apenas uma pergunta ao assistente de inteligência artificial da plataforma. A plataforma é compatível com dispositivos móveis. O site tem três abas de acesso: um chat em linguagem natural — segundo o TecMundo, alimentado por um modelo de inteligência artificial generativa da Anthropic — que responde perguntas sobre segurança pública sem exigir conhecimento técnico; um mapa navegável com filtros por tipo de ocorrência, status, desfecho e período; e uma aba de relatórios que gera boletins de segurança personalizados por bairro, com dados sobre ocorrências, padrão de horário e câmeras inteligentes que monitoram a região.

Privacidade e controvérsias

A atuação de redes privadas de câmeras de vigilância em espaços urbanos no Brasil tem sido objeto de debate sobre privacidade, proteção de dados e limites regulatórios.

Em fevereiro de 2026, a CPI encerrou seus trabalhos após aproximadamente oito meses, desde sua instauração em junho de 2025. A Gabriel foi a única empresa do setor convocada e atendeu a todos os ofícios e solicitações de documentação da Comissão. O relatório final foi encaminhado aos Ministérios Públicos Estadual e Federal e à Receita Federal.

Reportagem da Piauí

Em abril de 2024, a Revista Piauí publicou reportagem investigativa relatando que parte da comunicação entre a Gabriel e forças policiais ocorria por meios informais, como grupos de WhatsApp. O professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Alexandre Pacheco declarou à InfoMoney que, em sua interpretação, seria necessária uma ordem judicial para acesso a essas imagens, embora reconhecendo que o tema não é pacífico na doutrina jurídica.

A Gabriel declarou à publicação que utiliza canais oficiais de comunicação com as autoridades.

Instalação de equipamentos em vias públicas

Em fevereiro de 2025, reportagem da InfoMoney documentou que empresas do setor de câmeras inteligentes urbanas, incluindo a Gabriel, nem sempre obtinham formalmente a aprovação da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) da Prefeitura de São Paulo antes de instalar equipamentos em vias públicas. Professores de urbanismo consultados pela publicação questionaram a ausência de regulamentação específica para a atividade.

Em julho de 2025, a atuação de empresas de videovigilância no Rio de Janeiro foi objeto da "Comissão Parlamentar de Inquérito para Investigar o Uso de Câmeras de Vigilância e Sistemas de Segurança por Cooperativas de Veículos", instaurada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro para apurar o funcionamento de sistemas de câmeras e o uso de imagens por entes privados. Representante da Gabriel prestou depoimento para esclarecer questões sobre licenciamento e proteção de dados.

Em dezembro de 2025, a empresa finalizou a realocação de totens instalados em vias públicas do Rio de Janeiro.

Concorrência

O setor de videovigilância urbana com inteligência artificial no Brasil inclui empresas como a CoSecurity, subsidiária do Grupo Haganá, e a White Segurança. Empresas internacionais do mesmo segmento incluem a Flock Safety, sediada nos Estados Unidos.

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