Rosa María Payá Acevedo (Havana, 10 de janeiro de 1989) é uma ativista cubana pela liberdade e pelos direitos humanos. Filha do ativista Oswaldo Payá, líder do Movimento de Libertação Cristã, ela assumiu grande parte do seu trabalho ativista após o assassinato dele por Ángel Carromero em 22 de julho de 2012; Carromero foi considerado culpado de homicídio culposo, mas uma decisão de 2023 da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) responsabiliza o Estado cubano pelo assassinato de Oswaldo Payá.

Desde o assassinato de seu pai, ela e sua mãe residem em Miami, mas ela visita Cuba com frequência.

O documentário de 2024 intitulado Night is Not Eternal, dirigido por Nanfu Wang, acompanha sua jornada como ativista. Ganhou um Prêmio Peabody na 85.ª cerimónia anual.

Biografia María Rosa é filha de Oswaldo Payá e de sua esposa, Ofelia Acevedo de Payá. Tem dois irmãos, Oswaldo José e Reinaldo Isaías. É formada em física e também estudou fotografia.

Ativismo

2013 Em março de 2013, Payá denunciou no Conselho de Direitos Humanos da ONU o regime cubano por não permitir um plebiscito sobre liberdades fundamentais e contestou a versão oficial sobre a morte do seu pai, gerando um confronto direto com o delegado cubano, que a chamou de “mercenária”. Teve o apoio dos Estados Unidos, enquanto vários países alinharam com Cuba. Defendeu uma investigação internacional independente e criticou as “reformas” de Raúl Castro, considerando-as meras concessões para manter o controlo. Mais tarde, regressou brevemente a Cuba e denunciou abusos contra refugiados cubanos em centros de detenção nas Bahamas.

2014 Em dezembro de 2014, numa carta aberta a Barack Obama, criticou a aproximação dos EUA a Cuba, defendendo que o verdadeiro obstáculo à liberdade económica e de informação é o próprio regime cubano, e não as leis americanas. Acusou Obama de legitimar um governo que considera ilegítimo e pediu apoio direto ao povo cubano, sem intervenção externa.

Num artigo do mesmo mês, afirmou que a normalização das relações ocorreu logo após a repressão de manifestantes pró-democracia e acusou Washington de premiar o regime. Questionou ainda onde fica o povo cubano nas negociações entre as elites de Washington e Havana.

2015 Em 2015, Payá intensificou a sua atuação internacional: participou no discurso do Estado da União nos EUA, reuniu-se com membros do Congresso e com a Casa Branca para pressionar por democracia em Cuba e por uma investigação independente à morte do pai.

Foi detida no Panamá durante a Cimeira das Américas, denunciando intimidação a ativistas cubanos. Nesse mesmo contexto lançou a iniciativa Cuba Decide, que propõe um plebiscito para promover a transição democrática.

Regressou a Cuba após quase dois anos no estrangeiro, reafirmando o direito dos cubanos a entrar e sair do país. No final do ano, foi eleita presidente da Rede Latino-Americana de Juventude pela Democracia e participou em missões de apoio à oposição venezuelana.

2016 Em fevereiro de 2016, denunciou num fórum internacional que o regime cubano promovia uma “falsa transição” para reforçar o seu controlo e atrair investimento externo. No mesmo mês, esteve em Havana numa missa pelo pai e entregou ao governo uma petição com 10.000 assinaturas a pedir um plebiscito sobre a liberdade.

2017 Em fevereiro de 2017, pediu a Donald Trump que pressionasse o regime cubano a responder às exigências do povo e, no mesmo mês, dissidentes reconheceram Luis Almagro pelo seu apoio aos direitos humanos em Cuba, apesar de o governo lhe ter barrado a entrada no país.

Reconhecimentos A revista People en Español incluiu-a entre as 25 mulheres latino-americanas mais poderosas de 2014, ao lado de celebridades como Jennifer López e Sofía Vergara.

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