Mute R. Kelly (estilizado como #MuteRKelly) foi um movimento e campanha que buscava a condenação do cantor R. Kelly por abuso sexual e o fim do apoio financeiro à sua carreira. Inicialmente como uma hashtag nas redes sociais, a campanha evoluiu para um boicote ao cantor em casa de espetáculos, em programas de televisão e em todas as plataformas de streaming de música. Fundado por Kenyette Barnes e Oronike Odeleye em 2017, o movimento desempenhou um papel significativo ao trazer à tona novamente as acusações de várias décadas contra o cantor e ganhou destaque após o lançamento, em 2019, da série documental Surviving R. Kelly.Por que é tão difícil calar R. Kelly? O Globo. (15/01/2019)
Fundação Ao longo de sua carreira, R. Kelly envolveu-se em inúmeros escândalos sexuais, enfrentou acusações de abuso sexual, incluindo de menores. Desde seu casamento ilegal em 1994 com a cantora de R&B Aaliyah, que tinha 15 anos na época, até sua prisão em 2002 sob acusações de pornografia infantil, das quais foi absolvido em seu julgamento em 2008, as acusações atraíram significativa atenção da mídia, mas tiveram pouco impacto em sua carreira.
A campanha foi fundada pela ativista Kenyette Barnes e pela consultora de artes Oronike Odeleye em julho de 2017. Após lerem um artigo do BuzzFeed sobre o sequestro de jovens garotas afro-americanas pelo cantor, as duas ativistas afro-feministas lançaram uma campanha de boicote contra a música de R. Kelly quando seu show em Atlanta foi anunciado. Posteriormente, ambas conseguiram que vários shows fossem cancelados em diversas cidades. Oronike afirmou: "Alguém tinha que defender as mulheres negras, e se eu não estivesse disposta a fazer a minha parte — por menor que fosse — então eu não poderia continuar reclamando. É hora de acabarmos com a carreira desse homem. Já chega." Naquele mesmo mês, Jim DeRogatis fez uma reportagem para o BuzzFeed News sobre novas alegações, detalhando três casais de pais que acusavam o cantor de manter suas filhas em um "culto abusivo".
Na época de sua fundação, a cofundadora Odeleye descreveu a campanha da seguinte forma: "#MuteRKelly continua até que a comunidade negra tenha se desvinculado completamente do apoio financeiro a esse homem e à sua música, e até que enfrentemos a questão avassaladora do abuso sexual." A campanha também buscou pressionar autoridades eleitas, mobilizar ativistas ao redor do mundo e encorajar usuários de plataformas de streaming de música a dar #ThumbItDown quando a música de R. Kelly tocasse, a fim de mudar o algoritmo de suas músicas até que elas parassem de tocar.
Após a condenação de Kelly em 2021 por acusações que incluíam racketeering e abuso sexual infantil, a cofundadora Barnes celebrou o sucesso do movimento, reconhecendo que seu alcance ia além do próprio Kelly: "Aqueles de nós que lutamos por justiça por tanto tempo entendemos que nosso trabalho não acabou. Também reconhecemos que foi uma cultura de adultização, misoginia contra mulheres negras e cultura do estupro na indústria do entretenimento e na comunidade negra que permitiu seu comportamento predatório. Mas podemos agora reconhecer que a verdade finalmente prevaleceu."
Impacto O impacto do Mute R. Kelly provocou muitas ações após sua fundação. O movimento desencadeou diversos protestos públicos em Chicago, Atlanta, Memphis, Cidade de Nova Iorque, Carolina do Norte, e outras cidades. Apesar dos protestos, em algumas cidades, Kelly ainda se apresentou. No entanto, a apresentação de Kelly no "Pre-Mother's Day Love Jam" na Universidade de Illinois em Chicago, em 5 de maio de 2018, foi cancelada. Um grupo de mulheres da universidade criou uma petição que obteve 1300 assinaturas.
O movimento despertou a atenção de algumas celebridades. Algumas das colaborações musicais de R. Kelly receberam críticas e foram removidas dos serviços de streaming após a exibição da série documental "Surviving R. Kelly" no canal Lifetime em janeiro de 2019 e o crescimento do movimento #MuteRKelly. Artistas como Lady Gaga, Celine Dion e Pussycat Dolls se desculparam e retiraram suas respectivas colaborações com Kelly dos serviços de streaming.
O movimento Time's Up lançou uma carta aberta exigindo que a Apple, o Spotify, a Ticketmaster, a Sony Music e outras empresas encerrassem seu relacionamento financeiro com R. Kelly.
A campanha foi citada e comentada online por celebridades como Ava DuVernay, Lena Waithe, Lupita Nyong'o, Ne-Yo e Tarana Burke, o que marcou um ponto de virada no boicote contra o cantor.
Após a exibição da primeira temporada de Surviving R. Kelly, a RCA Records rescindiu seu contrato de longa duração com ele. Na sequência da sua condenação judicial, o YouTube removeu seus dois canais, RKellyVEVO e RKellyTV.
Ver também Movimento Me Too Cultura do cancelamento
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