A fragata iraniana , da Marinha Iraniana, foi atingida por um torpedo e afundada por um submarino da Marinha dos Estados Unidos no Oceano Índico em 4 de março de 2026, a aproximadamente 40 milhas náuticas (74km) ao sul de Galle, Sri Lanka. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos confirmou posteriormente que o ataque foi realizado com um torpedo Mark 48. Foi o primeiro caso reconhecido de um submarino afundar um navio de superfície inimigo desde o afundamento do ARA General Belgrano durante a Guerra das Malvinas, e o primeiro torpedeamento de um navio por um submarino americano desde a Segunda Guerra Mundial.

Em 9 de março, durante a Conferência Anual de Assuntos dos Membros Republicanos, realizada em Mar-a-Lago, Donald Trump revelou que ficou um tanto "chateado" quando a US Navy sugeriu afundar a embarcação, dizendo que ela era "top de linha" e que poderiam tê-la aproveitado. Um oficial teria respondido a Trump que "afundar era mais divertido", o que provocou gargalhadas na plateia.

Antecedentes O IRIS Dena era uma fragata da classe Moudge comissionada em 2021. Em fevereiro de 2026, a embarcação havia participado do exercício naval multinacional MILAN 2026 e da Revista Naval Internacional (International Fleet Review) em Visakhapatnam, na Índia.

O incidente ocorreu em meio a uma escalada significativa no conflito de 2026 entre Irã, Israel e Estados Unidos, que incluiu ataques aéreos EUA–Israel contra alvos dentro do Irã no início daquela semana.

Ação naval

O IRIS Dena afundou nas primeiras horas da manhã de 4 de março de 2026, após ser torpedeado por um submarino da Marinha dos Estados Unidos. A embarcação estava posicionada a aproximadamente 40 milhas náuticas (74km) da costa de Galle, no Sri Lanka, dentro da zona econômica exclusiva do país, quando o ataque ocorreu. Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Sri Lanka, o Dena emitiu um chamado de socorro às 5h08 (hora local) relatando uma explosão, mas o navio afundou pouco depois, antes que as forças de resgate pudessem alcançar o local.

A frota estaria retornando da Revista Naval Internacional de 2026 e do exercício conjunto MILAN realizados em Visakhapatnam, na Índia. No momento do incidente, havia aproximadamente 180 pessoas a bordo da fragata. Relatos indicam que ao menos 87 pessoas morreram no ataque. Trinta e dois sobreviventes foram resgatados e levados ao Hospital Universitário de Karapitiya, em Galle, onde receberam tratamento médico por exaustão e ferimentos relacionados à explosão. Outras 61 permanecem desaparecidas.

Durante um briefing no Pentágono, o Secretário de Defesa dos Estados Unidos Pete Hegseth confirmou que um submarino americano interceptou e disparou contra a fragata iraniana. Hegseth descreveu o engajamento como uma “morte silenciosa”. Após o ataque, o Ministério da Defesa do Sri Lanka informou que o submarino teria submergido em águas internacionais antes da chegada das equipes de emergência.

Operações de resgate A Marinha do Sri Lanka e a Força Aérea do Sri Lanka iniciaram uma missão conjunta de busca e salvamento após o sinal de socorro. Trinta e dois sobreviventes da tripulação foram resgatados e transportados ao Hospital Universitário de Karapitiya, em Galle, para tratamento de ferimentos da explosão e exaustão. Em 4 de março, autoridades do Sri Lanka relataram a recuperação de mais de 80 corpos no local. Mais de 60 tripulantes permanecem desaparecidos.

Reações Na Índia, o naufrágio da fragata gerou várias reações. O apresentador de celebridades Arnab Goswami disse no canal de notícias Republic TV: "Esqueça o que está acontecendo no Estreito de Ormuz, a guerra está bem aqui e muito perto de nós". O ex-chefe do Estado-Maior Naval Indiano, Almirante Arun Prakash, expressou indignação no canal de TV India Today: "Isso aconteceu praticamente na porta da Índia, a 40 milhas da costa do Sri Lanka. E o fato deste navio de guerra ter sido afundado por um torpedo, significa que um submarino nuclear da Marinha dos EUA está à espreita nestas águas há muitos dias". Muitos presumem que o governo indiano terá em breve de comentar o naufrágio, uma vez que ocorreu a apenas 300 quilômetros do ponto mais ao sul do subcontinente indiano. Duas semanas antes, a tripulação do Dena, ainda estava em Visakhapatnam no desfile por ocasião do show da frota internacional IFR 2026, realizado pela Marinha Indiana, e de um exercício naval. O navio foi apresentado à presidente indiana Draupadi Murmu na ocasião. De acordo com o ex-almirante indiano Arun Prakash, a fragata estava visitando a Índia e foi afundada pela Marinha dos EUA poucos dias depois, no caminho de volta. Ele disse estar profundamente preocupado com o fato dos estadunidenses "terem trazido a guerra naval até a nossa porta".

Possível crime de guerra Após o afundamento da fragata iraniana Dena, surgiram na mídia internacional inúmeros questionamentos sobre a legalidade do ato ou das ações que se sucederam ao mesmo. Foi lembrado, por exemplo, que a Convenção de Genebra determina que "as partes em conflito tomarão, sem demora, todas as medidas possíveis para procurar e recolher os náufragos, feridos e doentes, protegê-los contra a pilhagem e os maus-tratos, assegurar-lhes cuidados adequados, procurar os mortos e evitar que sejam espoliados". Todavia, nada disso foi feito e o submarino dos Estados Unidos se retirou imediatamente após o torpedeamento, deixando a tarefa de resgatar os sobreviventes e os corpos das vítimas a serviço das autoridades do Sri Lanka.

Segundo Mark Nevitt, professor de direito e ex-advogado da Marinha dos Estados Unidos, as regras da Convenção de Genebra se aplicam mesmo a submarinos, que poderiam não ter condições de abrigar náufragos em seu interior: "em tais casos, tomar todas as medidas possíveis significa que o submarino deveria informar a posição de possíveis sobreviventes para outras embarcações, aeronaves ou instalações costeiras que pudessem oferecer assistência, ou no mínimo ao seu comando imediato, no menor intervalo de tempo possível". Questionado sobre a atitude do comandante do submarino, um porta-voz do Departamento de Defesa dos Estados Unidos declarou que não iria discutir detalhes operacionais sobre as ações da embarcação após o torpedeamento, acrescentando que a fragata Dena emitira um pedido de socorro e que as autoridades do Sri Lanka haviam tomado as providências necessárias para resgatar os sobreviventes. O socorro, todavia, levou cerca de uma hora para chegar até a posição do naufrágio, o que pode ter causado a morte de vários marinheiros iranianos (32 foram resgatados com vida e 87 corpos recolhidos).

O Manual sobre a Lei de Operações Navais da Marinha dos EUA repete basicamente o que diz a Convenção de Genebra, mas acrescenta uma expressão: "na medida em que as exigências militares o permitam"; isto pode ser apresentado como justificativa para que o submarino não participasse da operação de resgate. Além disso, os Estados Unidos não são signatários do Tribunal Penal Internacional e seria inútil tentar invocar o direito internacional para condenar o ataque, haja visto as execuções extrajudiciais de quase 150 suspeitos de tráfico de drogas no Caribe meridional, efetuadas pela administração Trump.

Ao anunciar o torpedeamento, o assim denominado "Secretário da Guerra", Pete Hegseth, declarou:

Foi lembrado ainda que a lei da guerra naval deve ser aplicada, mesmo que o conflito em si não seja legal a luz do direito internacional. Também independe de uma declaração formal de guerra, e tem precedência sobre a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, onde ocorra conflito sobre sua aplicação. O afundamento da fragata iraniana, em si, pode ser considerado um ato legítimo, pois ocorreu em águas internacionais e foi realizado contra uma belonave (mesmo que, aparentemente, desarmada).

O fato de nenhuma ação ter sido tomada pelo submarino estadunidense para socorrer os sobreviventes pode não resultar em qualquer ação legal contra os Estados Unidos. Todavia, isso pode colocar em risco as vidas de marinheiros estadunidenses, caso ocorra com eles uma situação similar. Como declarou em 5 de março de 2026 o ministro das relações exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, na rede social X:

Ver também Naufrágio do ARA General Belgrano Afundamento do ROKS Cheonan Conflito no Irã 2026

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