thumb|Réplica do calendário de Gezer no Museu de Israel, em Israel.
O calendário de Gezer é uma pequena placa de calcário contendo uma inscrição que data do século X a.C., descoberta em 1908 pelo arqueólogo irlandês R. A. Stewart Macalister na antiga cidade cananeia de Gezer, localizada a cerca de 30 quilômetros a oeste de Jerusalém. É amplamente considerado um dos mais antigos exemplos conhecidos de escrita semítica ocidental, utilizando uma forma inicial do alfabeto fenício ou alfabeto paleo-hebraico.
Conteúdo e estrutura A inscrição consiste em sete linhas de texto que descrevem um ciclo agrícola anual de doze meses. Os estudiosos divergem sobre o propósito original da placa; alguns sugerem que era um exercício de memória para estudantes (devido à caligrafia rústica), uma canção popular sazonal ou um calendário ligado à arrecadação de impostos.
Abaixo, a tradução geralmente aceita da inscrição linha por linha:
Linha 1: Dois meses de colheita (setembro/outubro) / Dois meses de plantio (novembro/dezembro) Linha 2: Dois meses de semeadura tardia (janeiro/fevereiro) Linha 3: Um mês de capina do linho (março) Linha 4: Um mês de colheita da cevada (abril) Linha 5: Um mês de colheita [do trigo] e medição [ou festividade] (maio) Linha 6: Dois meses de poda [das vinhas] (junho/julho) Linha 7: Um mês de frutas de verão [colheita de figos e uvas] (agosto)
O Escriba "Abyah" No canto inferior esquerdo da placa de calcário, escrita verticalmente após o término da lista agrícola, encontra-se uma assinatura fragmentada que se lê Abyah (Abias). Este é um nome teofórico comum na antiguidade semítica, significando "Yah (Javé) é meu pai". A maioria dos pesquisadores acredita ser o nome do indivíduo que inscreveu a placa, possivelmente um estudante ou aprendiz de escriba, o que reforçaria a teoria de que o calendário era um exercício escolar.
Importância histórica O artefato possui grande relevância para a linguística e para a arqueologia bíblica. Ele fornece dados concretos sobre a transição das línguas cananeias e o desenvolvimento dos primeiros alfabetos, além de documentar o cotidiano agrícola no antigo Levante durante um período cronologicamente próximo ao que a narrativa bíblica atribui aos reinados de Davi e Salomão.
Localização atual Como a escavação de Macalister ocorreu no início do século XX, quando a região da Palestina estava sob o domínio do Império Otomano, o artefato foi levado para a capital imperial. Atualmente, o calendário de Gezer faz parte do acervo dos Museus Arqueológicos de Istambul, na Turquia.
Ver também Pedra de Zaite Epigrafia
Categoria:Arqueologia de Israel Categoria:Século X a.C.