Alda Schlemm Niemeyer (Joinville, 18 de maio de 1920) é uma centenária teuto-brasileira, conhecida por sua trajetória como enfermeira voluntária na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial e, décadas depois, como radioamadora voluntária nas grandes enchentes de Blumenau de 1983 e 1984. Com o indicativo de chamada PP5ASN, é referência nacional e internacional no radioamadorismo brasileiro.

Filha de família de imigrantes alemães radicada em Joinville e depois em Curitiba, partiu jovem para a Alemanha em 1939 em um intercâmbio cultural e foi surpreendida pelo início da guerra, permanecendo nove anos no país em meio a bombardeios, escassez e reconstrução. De volta ao Brasil, estabeleceu-se em Blumenau com o marido, o médico Érico R. Niemeyer, e ali construiu uma história de serviço comunitário, cultura e inovação. Em 2020, completou 100 anos de vida; em 2025, celebrou 105 anos, com homenagens de clubes de radioamadores do Brasil e do exterior.

Biografia

Infância e família Alda nasceu em 18 de maio de 1920, em Joinville, Santa Catarina, cidade de forte herança germânica. Sua mãe, Wanda Müller, era de família curitibana, e seu pai biológico, Frederico Alexandre Schlemm, era joinvillense. Frederico faleceu logo após o nascimento da irmã de Alda, Marthali. A família mudou-se para Curitiba, no Paraná, onde Alda passou sua infância e juventude.

Primeira viagem à Alemanha e as Olimpíadas de 1936 Em 1936, ainda adolescente, Alda viajou para a Alemanha para assistir aos Jogos Olímpicos de Berlim. Esteve em Nuremberg durante o Congresso do Partido Nacional-Socialista de setembro de 1936 e, com sua câmera Agfa Box 44, fotografou Adolf Hitler em seu Mercedes, acompanhado de Hermann Göring e Erich Raeder. Essa fotografia tornou-se registro histórico único, exibido em palestras e trabalhos de memória.

Segunda viagem e o início da guerra (1939) Em 1939, Alda, então com 19 anos, e sua irmã Marthali embarcaram em um intercâmbio cultural para a Alemanha, com apoio do Consulado Alemão. Semanas depois, a mãe Wanda partiu no último navio a atracar no porto de Hamburgo antes do início da guerra. O início da Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1939, impediu o retorno das três ao Brasil. Alda, Marthali e Wanda ficaram retidas forçosamente na Alemanha por nove anos.

Anos de guerra na Alemanha (1939–1947) Na Alemanha em guerra, como estrangeiras, eram obrigadas a prestar serviços civis. Alda realizou um curso de enfermagem e trabalhou voluntariamente na Cruz Vermelha alemã, entre os 20 e 30 anos de idade. O trabalho muitas vezes era feito em troca de alimento, em meio à escassez crescente.

Em fevereiro de 1945, Alda sobreviveu ao bombardeamento de Dresden, um dos ataques aéreos mais devastadores da Segunda Guerra. Sua casa foi destruída pelas chamas, e ela foi atingida na cabeça por um pedaço de tijolo, ficando cega temporariamente por cerca de três semanas.

Nesse período, Alda casou-se com Günter Hermann Schierz, com quem teve três filhos. A família retornou ao Brasil em 1947.

Retorno ao Brasil e segundo casamento De volta ao Brasil, Alda residiu em Curitiba. Em 1956, casou-se com o médico Dr. Érico R. Niemeyer, com quem partilhou 55 anos de vida até a morte dele, em 4 de outubro de 2003. Com o Dr. Érico, teve mais três filhos. O casal mudou-se para Blumenau em 1956, cidade onde Alda viveu pelo restante de sua vida.

Atuação em Blumenau

Trabalho social e comunitário Em Blumenau, Alda envolveu-se em diversas atividades comunitárias. Por quinze anos, dedicou-se à Sociedade Evangélica de Senhoras na Maternidade Elsbeth Koehler. Participou das obras das Soroptimistas, integrou o Conselho da APAE e foi professora de ioga.

Teatro e cultura germânica Alda participou ativamente do grupo de teatro amador do Centro Cultural 25 de Julho de Blumenau, colaborando em montagens de peças em língua alemã. É reconhecida como defensora das tradições germânicas no sul do Brasil.

Radioamadorismo

Início e formação Em 1976, aos 56 anos, Alda ingressou no Clube de Radioamadores de Blumenau (CRB). Obteve inicialmente a licença Classe C com o indicativo PY5WGG. Em 1978, foi promovida à Classe B, recebendo o indicativo PP5ASN. Em 1980, alcançou a Classe A, mantendo o mesmo indicativo.

Enchentes de Blumenau (1983–1984) O episódio que consagrou Alda como radioamadora foi sua atuação nas grandes enchentes de Blumenau de 1983 e 1984. Com a própria casa inundada, instalou suas antenas sobre o prédio da então Embratel e operou durante dias seguidos como elo de comunicação vital entre Blumenau e o mundo exterior.

Graças às suas transmissões, foram mobilizados vacinas transportadas pela Força Aérea Brasileira, água potável, suprimentos médicos, roupas e alimentos — incluindo toneladas de doações de radioamadores da Europa.

Expedições internacionais Em 1998, Alda participou da primeira expedição feminina de radioamadores realizada no Brasil, na Ilha Comprida (SP), com os indicativos PS2S e PR2YL.

Em 2004, aos 84 anos, integrou uma expedição DX na Estação Morokulien, na fronteira entre Noruega e Suécia, operando com os indicativos LG5LG e SJ9W.

Padre Roberto Landell de Moura Alda traduziu para o alemão o livro O outro lado das telecomunicações – A saga do Padre Landell, de B. Hamilton Almeida, lançado em Dortmund em 1995. Por esses esforços, recebeu a Comenda da Ordem de Radioamadores Padre Roberto Landell de Moura, sendo a estação-chave número 97 da ordem.

Obras

S.O.S. Enchente – Um vale pede socorro (1995) — Coautoria. Relato documental das atividades radioamadorísticas nas enchentes de Blumenau de 1983 e 1984.

O outro lado das telecomunicações – A saga do Padre Landell (1995) — Tradução para o alemão do livro de B. Hamilton Almeida. Lançamento: Dortmund, Alemanha.

Longevidade e vida pública Alda permaneceu lúcida e ativa muito além do centenário. Aos 100 anos, foi uma das primeiras cidadãs de Blumenau a receber a vacina contra a COVID-19, em fevereiro de 2021.

Aos 102 anos, votou nas eleições em Santa Catarina. Em 2025, celebrou 105 anos, e o indicativo especial PP105ASN foi ativado em sua honra.

Reconhecimentos A Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão (LABRE) e a União Internacional de Amadores de Rádio – Região 2 (IARU-R2) prestaram-lhe homenagens públicas por ocasião de seu centenário.

Ligações externas

Entrevista – Alda Niemeyer – Período da 2ª Guerra (Parte 1) agosto de 2018 - Blog Angelina Wittmann Alda Schlemm Niemeyer - Blog Angelina Wittmann

Uma brasileira no Terceiro Reich: a história de Alda Niemeyer – documentário do canal Sala de Guerra (em vídeo) Alda Schlemm Niemeyer – Radioamadora até debaixo d'água (documentário da TV Legislativa de Blumenau) Entrevista – Alda Schlemm Niemeyer: período da 2.ª Guerra Mundial (parte 2), por Angelina Wittmann Entrevista – Alda Niemeyer: experiência na 2.ª Guerra Mundial (parte 1), por Angelina Wittmann Alda Niemeyer – falando do teatro, por Angelina Wittmann

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