O estilo indie sleaze foi popular nos Estados Unidos e no Reino Unido na época por volta de 2006 e 2012. Caracterizado por uma interpretação desleixada de estilos vintage, especialmente da década de 1970, o estilo foi particularmente popular na subcultura hipster e bandas de indie rock.
Originado no final da década de 1990 e início dos anos 2000, no meio da cena revival pós-punk de Nova York, o estilo abrangia bandas como The Strokes, Yeah Yeah Yeahs e Interpol. O indie sleaze começou como uma estética presente nas bandas, fazendo referência visual aos artistas das décadas de 1960 e 1970 que as influenciavam musicalmente.
Nos anos seguintes, o estilo foi adotado por músicos, modelos e personalidades da internet ingleses, como Pete Doherty, Alexa Chung, Kate Moss e Agyness Deyn. Ele foi popularizado no mainstream, transformando-se em uma moda mais maximalista que também incorporava elementos da moda das décadas de 1980 e 1990.
O estilo foi abraçado pelo movimento indie britânico na época conhecida como Os Anos Deletados (entre 2002 e 2013, aproximadamente). O indie sleaze foi adotado pelas primeiras cenas musicais relacionadas à blogosfera online, como o blog rock e o bloghouse.
O movimento passou por um renascimento no início da década de 2020 como uma estética da Internet, tornando-se popular em redes sociais como Instagram e TikTok. A adoção do indie sleaze pelo mainstream em meados dos anos 2000 foi descrita como uma resposta otimista ao 11 de setembro e à Grande Recessão e levou a um aumento na fotografia amadora com flash, festas hedonistas e uso de drogas.
Durante os anos 2000, o estilo era geralmente referido simplesmente como estilo indie ou hipster.
Por volta de 2016, grupos online do Facebook cunharam o nome indie über-sleaze, abreviado para simplesmente indie sleaze em 2021 por Olivia V, criadora da conta de mesmo nome.
Moda miniaturadaimagem|Uma vestindo o estilo indie sleaze. A moda indie sleaze foi caracterizada por referências à moda das décadas de 1970 e 1980, além da moda grunge, que Daniel Rodgers, da Dazed, descreveu como "desleixada, maximalista e performáticamente vintage" e por El Hunt (NME), como sendo definida por um senso de "espontaneidade caótica". O estilo foi particularmente popular entre a subcultura hipster. Arielle Richards (Vice) descreveu o indie sleaze como uma combinação de outras tendências e estilos, como twee, scene e electropop; El Hunt, escreveu que o indie sleaze era definido por um senso de "espontaneidade caótica."
Roupas incluindo bodies metálicos, botas Lita com tachas fabricadas da marca Jeffrey Campbell, leggings de lamê, óculos de sol com lentes espelhadas, sapatilhas, joias douradas grosseiras, camisetas justas com slogans irônicos, jaquetas de couro curtas, camisas listradas, óculos sem lentes, blusas transparentes, cintos largos, calças xadrez, tennis skirts, tênis Converse de cano alto, vários colares, fedoras, a bolsa Balenciaga Motorcycle, shorts com meias-calças, fones de ouvido com fio, camisetas de bandas e calças skinny.
Outros elementos como estampas de galáxias, estampas "astecas" e "tribais", cabelo separado na lateral, corpos "magros como uma pena" (ou heroin chic), cabelo descolorido com raízes naturais, delineador borrado, fotografia amadora com flash, cigarros e uso de drogas foram listados como marcas registradas do estilo indie decadente.
Muitas vezes, as roupas eram compradas na American Apparel. miniaturadaimagem|Tênis Isabel Marant Bekett com salto plataforma O indie sleaze está voltando com tudo na indústria da moda entre a Geração Z. Isabel Marant colaborou com a Converse para criar uma nova onda de tênis. Nos anúncios, Lila Moss, filha de Kate Moss, representa a Geração Z com os cabelos longos e soltos e jeans rasgados, assim como sua mãe fazia há mais de uma década. O estilo foi fortemente exemplificado pela polêmica série de TV britânica Skins.
Etimologia Durante os anos 2000, a moda agora conhecida como "indie sleaze" era amplamente chamada simplesmente de "estilo indie" ou "estilo hipster." A escritora da GQ, Meaghan Garvey, argumentou que o termo indie sleaze funciona um "substituto" para a palavra hipster, devido ao estigma do termo.
O termo "indie über-sleaze" foi cunhado em 2016, quando o grupo do Facebook então chamado Post-Post-Y2K publicou uma enquete pedindo sugestões para um novo nome para o grupo. Durante essa enquete, um usuário sugeriu "indie über-sleaze", que era popular nos círculos do rock indie na época.
Em 2018, Dalia Barillaro, uma documenter de estética, criou um grupo separado no Facebook usando o mesmo nome e o Consumer Aesthetics Research Institute (CARI) ("Instituto de Pesquisa de Estéticas do Consumidor", em tradução livre) adicionou a estética como uma categoria em seu site.
O termo foi inspirado pela música indie, pela revista Sleaze dos anos 2000 e pela letra da música "I'll make your sleazy dreams come true" da banda Uffie.
O termo foi abreviado para simplesmente "indie sleaze" em 2021 pela conta do Instagram @indiesleaze, dedicada à estética, lançada por uma mulher chamada Olivia V, que popularizou amplamente o nome. Nesse mesmo ano, a CARI renomeou a categoria em seu site para simplesmente "indie sleaze".
A escritora da Vice Media, Arielle Richards, chamou o estilo de "estética guarda-chuva", abrangendo várias tendências de moda distintas da época, incluindo as das subculturas scene, twee e hipster, bem como o estilo de artistas de electro-pop.
Música Bandas descritas pelos críticos como associadas ao movimento indie sleaze de meados ao final dos anos 2000 incluem The Libertines, Arctic Monkeys, The Killers, The Strokes, The Automatic, Razorlight, The Wombats, Vampire Weekend, Radiohead e Lily Allen.
Algumas das bandas de revival indie mais conhecidas do início e meados da década de 2020 são Haim, Sombr, Wet Leg, Sam Fender, Geese, The Last Dinner Party, Snow Strippers, The Dare, Jamie T e The Hellp.
História
Origensː décadas de 2000 e 2010 No início dos anos 2000, a cena revival pós-punk de Nova York, que incluía bandas como The Strokes, Yeah Yeah Yeahs e Interpol, ajudou a impulsionar um ressurgimento da música indie com som baseado na guitarra. Esse revival musical coincidiu com uma nostalgia cultural mais ampla pela tecnologia analógica e pela estética retrô. Refletindo essas influências, muitas dessas bandas adotaram estilos de moda que remetiam a bandas de rock dos anos 1960 e 1970, como Velvet Underground e Television, além ao glam rock e ao início da cena punk de Nova York. O jornal El País atribuiu esse estilo à influência dos designs de Hedi Slimane para a linha Rive Gauche da Yves Saint Laurent no final dos anos 1990.
Em uma entrevista de 2009 para a GQ, o vocalista do The Strokes, Julian Casablancas, afirmou: No Reino Unido, esse estilo foi então adotado por Pete Doherty, da banda de indie rock The Libertines. Ao lado dele, as modelos Kate Moss e Agyness Deyn, além da blogueira de moda Alexa Chung, combinaram com elementos da alta costura dos anos 1980 e da moda grunge dos anos 1990. Doherty, em particular, foi citado por publicações como Vogue, El País e Highsnobiety como a pessoa que popularizou amplamente a moda indie sleaze. miniaturadaimagem|Banda de indie rock Noisettes em 2006 A popularidade do indie rock aumentou rapidamente com o início do movimento indie britânico "landfill indie," à medida que o indie sleaze foi abraçado pelo mainstream por volta de 2006. Isso levou à sua adoção pelo electroclash, new rave e grupos de indie rock influenciados pela música eletrônica, como Klaxons, Late of the Pier, MGMT, Peaches, LCD Soundsystem e Crystal Castles.
Conforme isso acontecia, o estilo foi abraçado por várias celebridades e figuras públicas, incluindo as cantoras MIA, Sky Ferreira, e Beth Ditto; os fotógrafos Mark Hunter (conhecido como Cobrasnake) e Terry Richardson, as atrizes Mary-Kate e Ashley Olsen; os designers Henry Holland e Jeremy Scott; e modelos Cory Kennedy, Pixie Geldof.
A L'Officiel USA nomeou a personagem Effy Stonem, interpretada por Kaya Scodelario na série britânica Skins, como "a representante perfeita" para [o indie sleaze].
A popularidade desse estilo também estava notavelmente ligada à popularidade do MySpace e aos primeiros dias do Tumblr, onde muitos usuários postavam fotos de suas roupas, geralmente em festas.
Samantha Maxwell da revista Paste escreveu que o indie sleaze "parece uma reação aos primeiros anos da presidência de Obamaː por mais que a economia estivesse em crise, ainda havia uma sensação de otimismo no ar." Olivia V. declarou algo similar, dizendo que o indie sleaze surgiu antes da Grande Recessão, permitindo o otimismo. Outras fontes alinham o começo da cena post-punk revival em Nova York a uma resposta otimista aos ataques de 11 de setembro. Segundo a cantora galesa Gwenno, o período indie sleze foi "muito debochado, provavelmente a última vez em que a juventude pôde fazer tudo que ela queria."
No final dos anos 2000, o estilo soft grunge e a estética da Internet evoluíram diretamente da tendência indie sleaze, quando os usuários do Tumblr começaram a mesclá-la com elementos de moda mais sombrios, como meias arrastão, gargantilhas e coturnos.
Renascimentoː década de 2020 A partir de 2021, o interesse ao estilo renasceu com a popularidade da conta do Instagram @indiesleaze e discussões surgidas através do TikTok. Esse ressurgimento foi atribuído por publicações como Dazed e Elle à acessibilidade do estilo, à sua natureza descontraída e aos desejo por festas pós-pandemia presente na Geração Z. As buscas no Google por "indie sleaze" aumentaram no início de 2022.
A revista Numéro argumentou que a estética é "ancestral" do estilo Brat, que surgiu após o lançamento do álbum Brat por Charli XCX em 2024, além de citar tanto The Dare e The Hellp quanto a fotógrafa Maya Spangler (também conhecida como Stolenbesos) como contribuintes para o renascimento da estética em 2024.
Em 2024, houve um aumento de 43% nas buscas por "indie sleaze" no Depop, site de compra e venda de roupas e objetos de segunda mão. As coleções de moda Primavera/Verão 2025 também contribuíram para o renascimento da estética, com a Numéro observando que as coleções de Armani, Ann Demeulemeester, Roberto Cavalli e Rabanne têm influências do indie sleaze.
Crítica Arielle Richards, da Vice, criticou o suposto ressurgimento do indie sleaze como artificial, escrevendo que foi "criado por um bando de millennials sobrecarregados vasculhando o Instagram, o TikTok e o Google, numa tentativa de vencer sobre algo que não está realmente acontecendo." Naomi May, da Stylist, escreveu de forma semelhante em 2022 que o indie sleaze como tendência era um "mito", apontando para a aposentadoria de figuras-chave do indie sleaze, como Deyn, Holland, Chung e Doherty, e o movimento body positive como evidências.
Daniel Dylan Wray, do The Quietus, escreveu que o próprio indie sleaze foi "fabricado como um gênero/rótulo" apesar de "nunca ter existido para começar", acrescentando: "Com o indie sleaze, parece não haver nada além de pessoas com saudade do passado tentando convencer os outros, talvez até elas mesmas, de que aquilo representa algum tipo de relevância contemporânea."
Ver também
Heroin chic
Referências
Categoria:Neologismos dos anos 2020 Categoria:Modas e tendências dos anos 2020 Categoria:Moda dos Estados Unidos Categoria:Moda do Reino Unido Categoria:Geração Z