Francisco Gomes de Lucena, conhecido como Titico Gomes (13 de setembro de 1868, Patos, Paraíba — 11 de abril de 1925, Patos, Paraíba) foi um proprietário rural, comerciante e servidor do Judiciário brasileiro. Atuou no sertão paraibano entre o final do século XIX e o início do século XX, período em que se destacou pelas atividades agropecuárias e comerciais, além da participação em funções públicas no município de Patos.
Origens familiares
Francisco Gomes de Lucena nasceu em 13 de setembro de 1868, na fazenda Santa Fé, localizada na região rural de Patos, no estado da Paraíba. Era filho de Manuel Gomes de Maria e de Luiza Maria da Conceição, integrantes de famílias estabelecidas no sertão paraibano durante o século XIX.
Casamento e descendência
Em 17 de dezembro de 1890, contraiu matrimônio no sítio Farias, no município de Patos, com Cândida Anália Sátiro de Souza, filha do capitão Sizenando Sátyro de Souza e de Cândida Maria de Souza.
Após o casamento, o casal estabeleceu residência no sítio Paiva, localizado na região que atualmente corresponde ao município de São José de Espinharas, no sertão da Paraíba. Dessa união nasceram doze filhos: Maria Gomes de Sousa, Francisca Gomes de Sousa, Anália Gomes de Sousa, Sizenando Gomes de Sousa, Maria de Sousa Gomes, Sebastião Gomes de Sousa, Antônia Gomes de Sousa, Beatriz Gomes de Sousa, Severino Gomes de Sousa, Luzia Gomes de Sousa, Kerma Gomes de Sousa e Anália Gomes de Sousa.
Atividades econômicas
Francisco Gomes de Lucena dedicou-se principalmente à criação de gado, atividade econômica predominante no sertão paraibano durante o período. Como proprietário rural, também atuava no comércio de animais, adquirindo bovinos em diferentes localidades da Paraíba e, em algumas ocasiões, em áreas do atual estado do Piauí.
O transporte desses animais e de outras mercadorias era realizado por meio de tropas de asnos, sistema amplamente utilizado nas rotas comerciais do interior nordestino antes da difusão dos veículos motorizados. Posteriormente, Francisco Gomes de Lucena adquiriu um caminhão, figurando entre os primeiros proprietários desse tipo de veículo no estado da Paraíba, evidenciando a gradual introdução de novos meios de transporte na região no início do século XX.
Atuação pública
Além das atividades econômicas, exerceu funções de natureza pública no município de Patos. Em 21 de maio de 1915, atuava como mesário efetivo da segunda seção eleitoral da cidade.O mesário "efetivo" era aquele formalmente designado para compor a mesa eleitoral, geralmente composta por um presidente, dois secretários e dois mesários, além dos suplentes. Suas atribuições incluíam: Abertura dos trabalhos: estar presente no local designado (igreja, escola ou prédio público) às 7h ou 8h da manhã para conferir as urnas e materiais. Fiscalização do título: como a Justiça Eleitoral só foi criada em 1932, cabia ao mesário verificar se o nome do eleitor constava na lista de qualificação enviada pela junta municipal. Posteriormente, entre 26 de fevereiro de 1917 e o ano de 1921, desempenhou a função de primeiro suplente de juiz municipal.O primeiro suplente era a primeira pessoa na linha de sucessão do juiz titular. Caso o juiz adoecesse, viajasse ou tivesse algum parentesco com uma das partes de um processo, o suplente assumia a jurisdição com plenos poderes. O cargo não exigia necessariamente formação em Direito, mas requeria que o indivíduo fosse um "cidadão de destaque", alfabetizado e com influência política na comarca ou distrito.
Morte
Francisco Gomes de Lucena faleceu em 11 de abril de 1925, em sua propriedade rural, o sítio Paiva, localizado nas proximidades do atual município de São José de Espinharas, na Paraíba. Segundo relatos preservados na tradição oral da região, sua morte ocorreu após um mal súbito enquanto se dirigia a uma área de plantação próxima à residência, e no local onde caiu ainda hoje encontra-se uma pequena cruz construída em memória do ocorrido.
Narrativas locais recordam ainda um episódio ocorrido pouco antes de seu falecimento. Ao passar em frente ao local onde se construía o atual cemitério São Miguel, na cidade de Patos, Francisco Gomes de Lucena teria comentado em tom de brincadeira com seu irmão Caetano: Quem será o primeiro boi a entrar neste curral?. Ao que o irmão respondeu: “Pode ser um de nós dois”.
Posteriormente, esse diálogo passou a ser lembrado pelos moradores da região em razão da proximidade temporal entre o episódio e a morte de Francisco Gomes de Lucena.Segundo José Permínio Wanderley (1994, p. 58), Francisco Gomes de Lucena repetiu a brincadeira anteriormente relatada, desta vez na presença de amigos, enquanto estavam em seu automóvel. O autor descreve que Francisco teria perguntado aos presentes: "quem seria o primeiro a estrear isso", sem prever que seria ele próprio o primeiro a sofrer o desfecho inesperado.
Homenagens póstumas
Rua Titico Gomes, localizada no bairro Belo Horizonte, em Patos, Paraíba; Escola Municipal de Ensino Fundamental Tenente Titico Gomes, situada no município de São José de Espinharas, Paraíba.
Notas
Referências
Bibliografia
Categoria:Nascidos em 1868
Categoria:Mortos em 1925
Categoria:Naturais de Patos
Categoria:Comerciantes