Esta é uma lista de pesquisas eleitorais para a eleição estadual de 2026 no estado de Tocantins. Desde as eleições de 2022, empresas de pesquisa de opinião publicam informações que rastreiam a intenção de voto para a eleição para governador e senador em 2026. Os resultados estão listados abaixo em ordem cronológica reversa. Todas os cenários se referem a pesquisas estimuladas, quando uma lista de candidatos é apresentada ao entrevistado.
Contexto
As pesquisas eleitorais para as eleições estaduais de 2026 no Tocantins foram marcadas por elevado número de levantamentos registrados e por intensa judicialização. Ao longo da pré-campanha, diferentes pesquisas tiveram sua divulgação suspensa ou proibida pela Justiça Eleitoral, em processos que questionaram aspectos como metodologia, composição das amostras, transparência das informações registradas, cronograma de coleta e abrangência dos questionários.
Até junho, a Justiça Eleitoral do Tocantins já havia suspendido mais de dez levantamentos eleitorais em algum momento do ciclo de 2026, segundo veículos locais que acompanharam os processos. A quantidade excepcional de decisões fez com que a fiscalização judicial das pesquisas se tornasse um dos elementos recorrentes da pré-campanha estadual.
As suspensões atingiram diferentes institutos, não se restringindo a uma única empresa. Entre os levantamentos atingidos estiveram pesquisas da Exata.GO, Real Time Big Data, Instituto Veritá e Paraná Pesquisas, entre outros registros que foram objeto de representações perante o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins.
Entre os primeiros casos esteve a suspensão de pesquisas da Exata.GO. Em abril, o TRE-TO determinou a suspensão dos levantamentos registrados sob os números TO-01693/2026 e TO-06645/2026, após representações do União Brasil. As decisões questionaram a existência de informações inseridas no registro antes do início da coleta e a ausência de dados obrigatórios que permitiriam verificar a composição final da amostra.
No caso dos levantamentos da Exata.GO, as representações alegaram que os registros apresentavam informações sobre a execução da pesquisa antes de a coleta de dados ter começado. Também foi questionada a ausência de informações sobre número de eleitores pesquisados por setor censitário e composição da amostra segundo gênero, idade, escolaridade e nível econômico.
A Justiça Eleitoral considerou que a falta dessas informações dificultava a fiscalização da metodologia e determinou a suspensão da divulgação dos resultados. As decisões também destacaram o potencial de pesquisas sem informações suficientes de influenciar a percepção do eleitorado.
Outro caso envolveu a pesquisa TO-06700/2026, do Instituto Veritá. O levantamento foi suspenso em abril após questionamentos sobre seu cronograma e sobre a consistência das informações apresentadas no registro. A decisão apontou, entre outros aspectos, que o período de coleta indicado se estendia além da data prevista para divulgação dos resultados.
O caso do Veritá chamou atenção porque a pesquisa previa entrevistas entre 29 de março e 4 de abril, mas indicava 3 de abril como data de divulgação. A Justiça considerou a incompatibilidade entre o período de coleta e a data de divulgação um problema de natureza lógica, metodológica e legal e determinou a suspensão do levantamento.
Em abril, também foi suspensa a pesquisa TO-02299/2026, da Real Time Big Data. A Justiça Eleitoral determinou posteriormente a suspensão definitiva do levantamento e aplicou ao instituto multa de R$ 53,2 mil por irregularidades documentais relacionadas ao registro da pesquisa.
A decisão contra a Real Time Big Data teve como fundamento a ausência, no momento do registro, de declaração formal assinada pelo profissional de estatística responsável, documento exigido pela regulamentação eleitoral após sua alteração em 2026. Segundo a decisão, a documentação deveria estar disponível no próprio sistema de registro para permitir fiscalização pública da pesquisa.
O levantamento da Real Time tinha sido realizado com 1.600 eleitores do Tocantins, entre 23 e 24 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais. O instituto informou que a pesquisa havia sido realizada com recursos próprios e registrada sob o protocolo TO-02299/2026.
A Justiça Eleitoral também suspendeu a pesquisa TO-04463/2026, do Paraná Pesquisas, cuja divulgação estava prevista para junho. O levantamento foi questionado pela Rede Sustentabilidade e posteriormente teve a suspensão mantida pelo TRE-TO.
Nesse caso, a Justiça apontou um problema de escopo: a pesquisa havia sido registrada perante o TRE-TO para os cargos de governador e senador, mas o questionário aplicado aos entrevistados também continha perguntas sobre a eleição presidencial. O Paraná Pesquisas argumentou que os dados presidenciais estavam abrangidos por outro registro nacional realizado simultaneamente, mas a Justiça considerou insuficiente a separação apresentada entre os dois levantamentos.
A decisão também questionou a forma de financiamento e registro do trabalho de campo. Segundo os autos, o mesmo levantamento, com 1.300 entrevistas no Tocantins, havia sido associado a dois registros com custo declarado de R$ 40 mil cada, totalizando R$ 80 mil, ambos indicados como financiados com recursos próprios.
O Tribunal considerou que a divisão de um único trabalho de campo em registros financeiros autônomos poderia comprometer a transparência do levantamento e apontou ainda possível efeito de ancoragem decorrente da inclusão de perguntas sobre a eleição presidencial antes das perguntas relativas à disputa estadual.
Para garantir o cumprimento da decisão relativa à pesquisa TO-04463/2026, foi fixada multa diária de R$ 15 mil caso o instituto divulgasse os resultados. O TRE-TO posteriormente rejeitou recurso do Paraná Pesquisas e manteve a proibição de divulgação.
A judicialização das pesquisas atingiu também conteúdos publicados nas redes sociais. Em determinado processo relacionado à pesquisa TO-04463/2026, a Justiça Eleitoral determinou a remoção de publicações que reproduziam gráficos e resultados de um levantamento cuja divulgação estava suspensa, entendendo que os conteúdos simulavam a divulgação oficial da pesquisa.
A sucessão de decisões fez com que o Tocantins chegasse ao meio do ano com uma quantidade incomum de pesquisas impedidas de divulgação. Em junho, veículos locais já contabilizavam mais de dez levantamentos suspensos ou proibidos pela Justiça Eleitoral desde o início da pré-campanha.
A quantidade de suspensões variou conforme o momento da contabilização e conforme se consideravam apenas decisões ainda vigentes ou todas as pesquisas que haviam sido suspensas em algum momento. Em maio, havia registros jornalísticos de seis levantamentos suspensos; em junho, a contagem divulgada por veículos locais já ultrapassava dez.
O número elevado de decisões não significou que todas as pesquisas questionadas tenham permanecido proibidas. Algumas decisões liminares foram posteriormente revogadas ou modificadas, permitindo a divulgação dos levantamentos. Por isso, a quantidade de pesquisas "suspensas" em determinado momento é diferente da quantidade de pesquisas definitivamente consideradas irregulares.
Além das controvérsias judiciais, os levantamentos realizados no Tocantins apresentaram valores de contratação variados. Uma pesquisa da Paraná Pesquisas realizada em julho, por exemplo, teve custo declarado de R$ 45 mil e foi contratada pela empresa Nova Aliança Publicidade. O levantamento entrevistou 1.300 pessoas em 21 municípios do estado e foi registrado sob o número TO-06833/2026.
Outro levantamento do Paraná Pesquisas, realizado em junho com 1.340 eleitores, teve registro TO-07317/2026 e margem de erro de 2,7 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa da Paraná Pesquisas divulgada em julho também mediu rejeição dos pré-candidatos e avaliação do governo estadual, além de intenção de voto. A inclusão de perguntas de avaliação administrativa e de rejeição é comum nos levantamentos eleitorais estaduais e permite que uma mesma pesquisa produza indicadores diferentes do simples cenário estimulado de intenção de voto.
O custo dos levantamentos também apareceu nos processos judiciais. No caso da pesquisa TO-04463/2026, o Tribunal registrou dois custos de R$ 40 mil associados ao trabalho de campo estadual e nacional que, segundo a decisão, havia sido realizado de forma integrada, totalizando R$ 80 mil.
Na pesquisa TO-02299/2026, da Real Time Big Data, o valor declarado do levantamento foi de R$ 64 mil, segundo levantamento dos processos judiciais sobre as pesquisas suspensas no estado.
Uma pesquisa do Instituto Veritá que seria divulgada em junho também teve valor de contratação divulgado publicamente. O levantamento, registrado para o Tocantins, teria custo de aproximadamente R$ 96,3 mil e foi suspenso pela Justiça Eleitoral às vésperas da divulgação.
A quantidade de levantamentos não se restringiu às pesquisas de governador. Os institutos também realizaram pesquisas para o Senado Federal e, em alguns casos, incluíram perguntas sobre a eleição presidencial em levantamentos estaduais. A sobreposição entre diferentes cargos foi justamente um dos elementos discutidos no processo envolvendo a pesquisa TO-04463/2026.
O Tocantins também recebeu levantamentos de diferentes institutos ao longo do primeiro semestre. O Real Time Big Data divulgou em março uma pesquisa com 1.600 entrevistados, enquanto o Paraná Pesquisas realizou levantamentos em junho e julho com amostras de 1.340 e 1.300 eleitores, respectivamente.
A pesquisa do Real Time Big Data de março utilizou entrevistas por telefone, enquanto outros levantamentos realizados no estado empregaram diferentes formas de coleta. A diversidade metodológica significa que os resultados de pesquisas realizadas em datas diferentes não constituem necessariamente uma série perfeitamente comparável, ainda que tenham como objeto o mesmo cargo.
A judicialização também produziu efeitos sobre a disponibilidade de informações ao público. Em determinados momentos, resultados de pesquisas que circulavam nas redes sociais não correspondiam a levantamentos cuja divulgação estivesse autorizada pela Justiça Eleitoral, levando o tribunal a determinar remoção de conteúdos ou proibir a publicação dos números.
Em alguns casos, a disputa judicial envolveu diretamente partidos ou pré-candidatos interessados na realização ou na divulgação das pesquisas. O União Brasil apresentou representações contra levantamentos da Exata.GO e também questionou pesquisa do Veritá, enquanto PSDB e Rede Sustentabilidade estiveram entre os partidos que acionaram a Justiça em processos contra outros levantamentos.
A participação de partidos nas representações não significa que as alegações tenham sido necessariamente acolhidas integralmente pela Justiça. As suspensões foram determinadas por decisões judiciais específicas, que analisaram os elementos apresentados em cada processo e, em alguns casos, posteriormente modificaram ou revogaram decisões anteriores.
A controvérsia sobre pesquisas no Tocantins envolveu, portanto, questões tanto formais quanto metodológicas. Alguns processos discutiram documentação exigida para o registro; outros trataram da composição e transparência da amostra; e outros analisaram a abrangência do questionário e a possibilidade de que a ordem das perguntas interferisse nas respostas.
A regulamentação eleitoral estabelece que pesquisas destinadas à divulgação pública devem ser registradas previamente e conter informações suficientes para permitir sua fiscalização. Entre os dados exigidos estão o período de realização, o plano amostral, a margem de erro, o nível de confiança, o contratante e a origem dos recursos.