O Mamertazo foi o nome pelo qual ficou conhecido o autogolpe de Estado na Bolívia em 1951, sendo o termo uma alusão ao nome do presidente Mamerto Urriolagoitia Harriague, que renunciou em 16 de maio de 1951, entregando o governo a uma junta militar, na tentativa de impedir a posse de Víctor Paz Estenssoro e do Movimento Nacionalista Revolucionário, vencedores das eleições gerais de 1951.

Antecedentes A Bolívia atravessava uma situação delicada, tendo em vista a série de distúrbios civis que aumentaram gradativamente em maio de 1949, quando foi declarada uma greve geral e eclodiu um grande conflito na mina Siglo XX. Em resposta, o presidente ordenou a prisão de líderes mineiros, que reagiram sequestrando e matando funcionários estrangeiros. Poucos meses depois, um grande levante do Movimento Nacionalista Revolucionário deu início à Guerra Civil de 1949, com um governo revolucionário emergindo em Santa Cruz.

Os revolucionários controlavam cerca de metade do país, principalmente os departamentos de Cochabamba e Santa Cruz, incluindo suas capitais. Conflitos armados foram registrados em Santa Cruz e nas cidades de Yacuiba, Camiri e Incahuasi. A revolução proclamou Víctor Paz Estenssoro como presidente e Edmundo Roca como vice, apesar de o primeiro estar no exílio.

Enquanto isso, o presidente Mamerto Urriolagoitia mobilizou o Exército, comandado pelo general Ovidio Quiroga, que conseguiu reconquistar primeiro Cochabamba e, por último, Santa Cruz, forçando os insurgentes a fugir.

Autogolpe Em 6 de maio de 1951, foram realizadas eleições na Bolívia para a escolha do presidente e do vice-presidente. Pelos resultados, Víctor Paz Estenssoro foi o vencedor, juntamente com seu vice, Hernán Siles Zuazo, derrotando o candidato governista por uma diferença de mais de 10 pontos percentuais. A eleição, extremamente restrita, permitia apenas o voto de homens proprietários de terras.

Diante do resultado, Mamerto Urriolagoitia recusou-se a reconhecê-lo e, logo após a divulgação dos primeiros dados, convocou uma reunião com o Alto Comando do Exército Boliviano, instigando o general Ovidio Quiroga a fazer com que as Forças Armadas assumissem o controle do país.

Durante os nove dias que se seguiram a 6 de maio, o Movimento Nacionalista Revolucionário continuou insistindo para que o presidente convocasse o Congresso, a fim de ratificar a vitória nas eleições de 1951.

Contrariando, porém, os pedidos do MNR, o presidente Mamerto Urriolagoitia renunciou em 16 de maio de 1951 e entregou o poder a uma junta militar, encabeçada pelo brigadeiro-general Hugo Ballivián Rojas, exilando-se no Chile. Imediatamente, Hugo Ballivián assumiu o poder e, por meio do Decreto Supremo nº 2545, formou um novo governo, composto por militares em todos os ministérios da Bolívia.

No mês seguinte, Hugo Ballivián baixou o Decreto-Lei nº 2560, que declarou oficialmente que, desde 16 de maio, data da renúncia de Mamerto, a Bolívia era governada por uma Junta Militar de Governo, com todos os poderes a ela inerentes. O decreto também extinguiu os mandatos de senadores e deputados, além de declarar sem efeito os resultados da eleição de 6 de maio de 1951.

Consequências A junta militar de Ballivián permaneceu no poder de 16 de maio de 1951 até ser derrubada pela Revolução Boliviana de 1952, na qual Hernán Siles Zuazo assumiu a presidência de forma interina em 11 de abril de 1952, permanecendo no cargo até 15 de abril do mesmo ano, quando Víctor Paz Estenssoro retornou do exílio na Argentina.

1951 Categoria:Conflitos em 1951