Jan Kowalski, mais tarde conhecido como Maria Michał Kowalski (27 de dezembro de 1871 – 18 de maio de 1942​​) foi um padre católico romano polonês, excomungado pelo Papa Pio X, que liderou a Igreja Mariavita na Polônia. Ele ascendeu ao cargo de arcebispo e morreu como mártir em consequência da perseguição nazista. Ele é venerado como santo.

Biografia Jan Kowalski foi ordenado em 1897 e serviu em diversas paróquias antes de ser nomeado para a Igreja dos Capuchinhos em Varsóvia, em 1900. Um amigo do seminário o apresentou a uma ordem secreta de padres, a Congregação dos Mariavitas, a qual foi organizada em torno das revelações privadas de uma freira, Maria Franciszka Kozłowska. Nascida Feliksa Magdalena Kozłowska, em 1887, ela fundou a Congregação das Irmãs Pobres de Santa Clara da Adoração Perpétua da Misericórdia, que mais tarde adotou o nome de Congregação das Irmãs Mariavitas. A freira recebia visões desde 1893, centradas no que ela chamava de “A Obra da Grande Misericórdia”. O ano da primeira visão, 1893, é tido como o início do Mariavismo e também da fundação da Congregação dos Sacerdotes Mariavitas.

Em 1903, Madre Maria orientou os padres de seu grupo a buscarem a aprovação da Igreja. Em julho, Kozłowska e sua delegação partiram para Roma. Em 6 de agosto, Kowalski foi eleito superior (Ministro Geral) da Congregação dos Sacerdotes Mariavitas pelos sacerdotes delegados em Roma. Logo depois, em 13 de agosto, ele liderou a apresentação do grupo ao recém-eleito Papa Pio X. Em setembro de 1904, um mês após a segunda audiência mariavita, a Congregação da Inquisição tomou uma decisão final: por decreto publicado em 4 de setembro, adotado na reunião de 31 de agosto de 1904, ordenava-se a dissolução da Congregação dos Sacerdotes Mariavitas.

Após a dissolução da Congregação, os padres mariavitas ainda enviaram novo representante em janeiro de 1905 para apresentar o caso ao Papa e pedir sua reconsideração. Com as proibições e suspensões efetuadas pela Igreja, o congresso geral dos padres mariavitas se reúne no final de janeiro de 1906, em Varsóvia, onde reelege o padre Maria Michal Kowalski como seu superior e decide renunciar à obediência aos bispos e recorrer ao tribunal da Santa Sé. Em 20 de fevereiro, o Ministro Geral Kowalski e outro padre foram recebidos pelo papa.

Contudo, em 5 abril de 1906, Pio X promulgou a encíclica Tribus circiter, que manteve a decisão do Santo Ofício em relação a Kozłowska e à comunidade Mariavita. Em 5 de dezembro de 1906, a Congregação da Santa Inquisição Romana e Universal finalmente excomungou nominalmente Kozłowska e Kowalski. Em novembro daquele ano, os mariavitas foram reconhecidos pelo Império Russo como uma seita.

Em 30 de dezembro de 1906, houve o anúncio do anátema papal nas igrejas das dioceses de Varsóvia, Płock e Lublin, informando a todos os integrantes do movimento que, se não renunciassem ao mariavismo, também seriam impostos a excomunhão. No ano seguinte, Kowalski determina que todos os serviços religiosos, exceto a eucaristia, sejam celebrados em língua polonesa; também começam a construção de igrejas, capelas e casas paroquiais. Em 10 de outubro de 1907, no Primeiro Capítulo Geral da Congregação dos Sacerdotes Mariavitas, Padre Jan Maria Michał Kowalski foi eleito Ministro Geral da União Mariavita da Adoração Perpétua da Súplica, composta pela Congregação de Sacerdotes, Congregação de Irmãs, Terciários e Irmandade Mariavita.

No início de setembro de 1909, Kowalski e mais dos padres assistiram ao Congresso das Igrejas Veterocatólicas em Viena. Diante disso, a Igreja Mariavita foi aceita na União de Utrecht das Antigas Igrejas Católicas e o episcopado veterocatólico concordou em conceder a consagração episcopal ao Padre M. Michał Kowalski. Assim, em 5 de outubro de 1909, Kowalski foi consagrado em Utrecht, por três bispos da Igreja Vetero-Católica dos Países Baixos, com a participação de dois bispos vetero-católicos de Bonn e Londres. A Igreja Veterocatólica Mariavita cresceu lentamente em número de fiéis e organização.

Um ano depois, mais dois bispos mariavitas foram consagrados. Em 1912, o governo russo promulga uma lei reconhecendo a Igreja Mariavita como uma associação religiosa em pé de igualdade com outras igrejas cristãs. Em 1913, os três bispos mariavitas participaram do congreso vetero-católico em Colônia. Em 1914, consagram o Templo da Misericórdia e da Caridade, sua igreja sede, e o mosteiro em Płock. O bispo Kowalski, com outras lideranças da igreja, traduziram o Novo Testamento para o polonês, cuja primeira edição foi publicada na gráfica Mariavita em Płock em 1921. Em 1923, publicam o volume I do Antigo Testamento, traduzido por Kowalski, e em 1925, o volume II.

miniaturadaimagem|287x287px|Arcebispo KowalskiApós a morte de Kozłowska, em 23 de agosto de 1921, Kowalski tornou-se chefe da igreja e tomou diversas iniciativas radicais dentro da igreja para diferenciá-la ainda mais do catolicismo romano. Entre elas:

1922–1924 - casamento disponível para padres; 1922 - Comunhão sob as duas espécies; 1929 - abertura para a ordenação de mulheres (com possibilidade de casamento); 1930 - sacerdócio do povo de Deus semelhante ao conceito protestante; 1930 - eucaristia para recém-nascidos batizados; 1930 - Remoção dos títulos eclesiásticos; 1930 - supressão das prerrogativas do clero; 1931–1933 - simplificação das cerimônias litúrgicas; 1931–1933 - simplificação do sacrifício eucarístico. Ele próprio se casou com a freira mariavita Maria Izabela Wiłucka-Kowalska, em 3 de outubro de 1922, em um dos primeiros casamentos místicos secretos – entre um padre e uma freira. Ela era a Superiora Geral da Congregação das Irmãs Mariavitas, sucessora da fundadora Feliksa Kozłowska. Em 28 de março de 1929, Wiłucka-Kowalska e outras 11 freiras foram ordenadas em Płock; ela também foi consagrada bispa. Michal teve um filho homem, Michael, cuja mãe era outra bispa na comuna, Dilecta.

Essas inovações foram controversas, não apenas para os católicos romanos, mas também para muitos mariavitas. Suas reformas romperam a conexão com os Velhos-Católicos, que suspenderam as relações com a Igreja Velha Católica Mariavita em 14 de setembro de 1924.

A oposição interna a Kowalski cristalizou-se no início da década de 1930. Em 29 de janeiro de 1935, o Capítulo Geral destituiu Kowalski do cargo, além de retirar a maioria de suas inovações e decidir seguir um sistema colegiado e sinodal. Enquanto o primeiro grupo, Igreja Velha Católica Mariavita, seguiu sob a liderança de Klemens Maria Filip Feldman, primeiro Bispo-Primaz, Kowalski promoveu um cisma, levando 2 padres, 80 freiras e 20% de fiéis. O grupo de Kowalski estabeleceu sua sede em Felicjanów, adotando o nome de Igreja Católica Mariavita. miniaturadaimagem|O arcebispo mariavita Jan Maria Michał Kowalski no tribunal do distrito de Płock, 1928.|esquerdaEle foi responsabilizado pelos abusos sexuais que ocorreram no mosteiro de Płock. Kowalski foi condenado em 1928 por crimes sexuais contra 5 meninas menores de idade e 3 mulheres, sob três artigos distintos do código penal, crimes nos quais as vítimas são "estupradas ou forçadas de qualquer outra forma a ter relações sexuais com o acusado". Ele foi condenado a 4 anos de prisão, mas essa pena foi reduzida primeiro para 2 anos e 8 meses e depois para 1 ano e 4 meses; outra pena de 6 meses, por uma condenação separada de 1929 por blasfêmia, foi adicionada a essa. O veredicto de 1928 foi mantido em 1929 e o tribunal de apelação comentou "que Kowalski 'eleva a relação sexual a um culto religioso'". Uma testemunha depôs que Wiłucka-Kowalska "a havia encorajado, quando ela ainda era muito jovem, a se submeter aos seus desejos".

Enquanto Kowalski cumpria 18 meses de pena de prisão a partir de julho de 1936 por suas condenações de 1928 e 1929, a arciprestesa Maria Izabela Wiłucka-Kowalska exercia autoridade sobre a igreja. Em 9 de janeiro de 1938, ele foi libertado da prisão. O lado mariavita afirmou que houve muitas irregularidades durante o julgamento e que o próprio julgamento foi supostamente controlado pelo clero católico romano, que, ao atacar seu superior, pretendia eliminar o marivativismo da sociedade polonesa.Sławomir Gołębiowski: W poszukiwaniu prawdy ... sądowe procesy arcybiskupa Jana M. Michała Kowalskiego. Felicjanów: Wydawnictwo Kościoła Katolickiego Mariawitów, 2014.

Em 25 de janeiro de 1940, Kowalski foi preso pela Gestapo. Ele foi encarcerado na prisão de Płock. Qualquer perspectiva de libertação foi bloqueada devido às declarações abertamente políticas que ele havia feito. Durante os interrogatórios, a opinião era de que ele era um nacionalista perigoso. Em 25 de abril de 1940, ele foi transferido para o campo de concentração de Dachau. Ele recebeu o número 24542.miniaturadaimagem|Placa comemorativa ao Arcebispo Jan Maria Michał Kowalski, Catedral Mariavita em Płock

Em 18 de maio de 1942, o arcebispo Jan Maria Michał Kowalski, já doente, foi transportado do campo de concentração de Dachau para o centro de eutanásia para deficientes no Castelo de Hartheim, perto de Linz. De acordo com documentos do campo, ele morreu na noite de 26 de maio de 1942. Segundo o Instituto da Memória Nacional, ele provavelmente morreu no dia de sua chegada ao Castelo de Hartheim, na câmara de gás, e os dados referentes à data e causa da morte fornecidos pela administração do campo devem ser considerados falsos.

O corpo do arcebispo Kowalski foi provavelmente cremado no crematório do Cemitério Oriental de Munique. A urna com suas cinzas está guardada desde 1950 no cemitério Am Perlacher Forst, em um local chamado Ehrenhain I em Munique, e marcada com o símbolo K3655.

Em 14 de setembro de 2018, no Castelo de Hartheim, graças a um acordo com a administração do castelo, a Bispa Maria Rafaela Woińska inaugurou oficialmente uma placa comemorativa de Maria Michał Kowalski em nome da Igreja Católica Mariavita. A cerimônia contou com a presença de representantes das paróquias da Igreja das Voivodias da Mazóvia e de Łódź.

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