Teresa Franco, mais conhecida como Nega Diaba (Rio Pardo, 14 de março de 1938 – Porto Alegre, 19 de junho de 2001), foi uma secretária e política brasileira. Ganhou visibilidade ao participar de um programa da Rádio Farroupilha junto ao radialista e político Sérgio Zambiasi, na década de 1980. Posteriormente, em 1996, iniciou a sua carreira política, quando concorreu a vereadora em Porto Alegre. Foi a primeira mulher negra a ser eleita vereadora na capital gaúcha e assumiu a XII legislatura, de 1997 a 2000, pelo extinto Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
Biografia Início de vida Nasceu no interior do Rio Grande do Sul, no município de Rio Pardo, em 14 de março de 1938. Aos cinco anos, foi entregue por sua mãe, Antonieta da Rosa Franco, a uma família de origem alemã devido a dificuldades financeiras, em São Paulo. Nesta família, Franco teria sofrido diversos abusos até por volta dos 10 anos. Na adolescência, aos 12 anos, mudou-se para a capital Porto Alegre a fim de reencontrar familiares. Entretanto, analfabeta, passou a morar na rua, onde viveu de furtos, prostituição, dança e tráfico. Franco não possuía formação acadêmica nem primária. Alfabetizou-se somente durante o seu mandato como vereadora na Câmara Municipal de Porto Alegre (CMPA), na década de 1990.
Vida comunitária e trabalho na rádio Durante a vida adulta, tornou-se uma liderança comunitária nos bairros onde morou. Nessa época, criou seus filhos e organizava atividades locais como forma de subsistência. O primeiro contato com o radialista e político Sérgio Zambiasi, ocorreu após ele receber, durante seu programa de rádio, reclamações de moradores da região da Cruzeiro sobre o estabelecimento administrado por Franco.
Ao procurá-lo para esclarecer a situação, ela preferiu conversar reservadamente em vez de responder às críticas durante a transmissão. Na conversa, explicou a sua situação familiar e financeira, afirmando que abandonaria a atividade caso conseguisse outro emprego. Após a conversa, Zambiasi a convidou, em 1986, para trabalhar na Rádio Farroupilha, onde atuou como secretária e recepcionista da emissora. Segundo o radialista, Franco era responsável pelo atendimento inicial das pessoas que procuravam auxílio na emissora, realizando a triagem dos casos encaminhados ao programa.
Origem do nome "Nega Diaba" Segundo o jornalista Renato Dornelles, o nome "Nega Diaba" teria surgido após um episódio em que, ao ser perseguida por um homem e por um policial, teria ouvido a expressão "essa negra aí é o diabo". Outra versão, presente no Memorial da CMPA, atribui a origem a um episódio num bar, onde o proprietário do estabelecimento teria dito que Franco "era o próprio diabo".
Carreira política Vereadora de Porto Alegre miniaturadaimagem|Franco no Plenário Otávio Rocha, na CMPA Foi eleita vereadora em 1996 para a XII legislatura da Câmara Municipal de Porto Alegre (CMPA), pelo extinto Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), onde ficou até 2000. Durante o seu mandato, foi vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor e Direitos Humanos (CEDECONDH). Franco foi a primeira mulher negra a ter sido eleita vereadora no Rio Grande do Sul, na capital gaúcha, junto à vereadora suplente Saraí Soares, que assumiu posteriormente a vereança na mesma legislatura, substituindo o vereador José Valdir, pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Desempenho eleitoral AnoEleiçãoPartidoNúmeroCargoVotos%Resultado1996Municipal em Porto AlegrePTB14616Vereador6 4230,86
Premiações e homenagens miniaturadaimagem|Placa do "Espaço Vereadora Tereza Franco", na CMPA Em novembro de 2001, foi homenageada na CMPA com o "Espaço Vereadora Teresa Franco", conhecido como "T Cultural", onde acontecem exposições de arte. No ano seguinte, uma rua no bairro Ruben Berta, em Porto Alegre, foi batizada de "Rua Teresa Franco".
Em 2012, o então vereador Luiz Braz, à época filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), apresentou uma moção de repúdio sobre supostas discriminações que, segundo ele, chamavam-na de "bruxa" e "macumbeira".
Teresa Franco foi retratada em gravura pela artista carioca Panmela Castro junto a outras três mulheres negras que foram pioneiras em suas atividades: a coreógrafa e bailarina Iara Deodoro, a pintora Maria Lídia Magliani e a madrinha da Banda da Saldanha Nega Lu.
Legado A eleição de Franco foi um marco histórico na representatividade política de Porto Alegre, pois, desde a criação do poder legislativo da cidade em 1773, ela foi a primeira mulher negra eleita vereadora titular na capital. Até que, mais de duas décadas depois, na eleição municipal de Porto Alegre em 2020, outras mulheres negras foram eleitas vereadoras titulares: Laura Sito (PT), Bruna Rodrigues e Daiana Santos, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e Karen Santos, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL); esta última foi a candidata mais votada daquele pleito.
Vida pessoal Foi registrada somente pela mãe. Tinha seis filhos e uma delas, Adriana Soares Franco, foi candidata a deputada estadual pelo Rio Grande do Sul em 2022, pelo extinto Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e, no pleito seguinte, a vereadora em Porto Alegre em 2024, pelo Partido Renovação Democrática (PRD) sob o nome "Adriana Filha da Nega Diaba" e "Nega Diaba Filha".
Morte Teresa Franco morreu no dia 19 de junho de 2001, em decorrência de uma parada cardíaca e insuficiência respiratória em sua casa, no Morro Santa Teresa, em Porto Alegre, junto a três dos seus filhos e nove dos dezesseis netos. O velório ocorreu no Salão Adel Carvalho da Câmara Municipal de Porto Alegre (CMPA). Foi sepultada no Cemitério Ecumênico João XXIII, na capital gaúcha. A cerimônia contou com a presença dos familiares, amigos, colegas da Rádio Farroupilha, da CMPA e representantes da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS).
Ver também Antonieta de Barros Benedita da Silva Olívia Santana
Ligações externas
Categoria:Vereadores de Porto Alegre Categoria:Membros do Partido Trabalhista Brasileiro (1979) do Rio Grande do Sul Categoria:Naturais de Rio Pardo Categoria:Mulheres do Rio Grande do Sul na política Categoria:Afro-brasileiras do século XX