Solange Adão é uma artista, atriz, educadora e ativista negra nascida em Florianópolis, Santa Catarina. Graduada em Educação Artística pela UDESC. Recebeu em 2018 a Medalha de Mérito Cultural Cruz e Souza.

Primeiros anos

Nascida na Rua Santos Saraiva, na Vila São João, localizada na porção continental de Florianópolis, Solange é filha de Zacarias Izidora Adão, que exercia a profissão de estivador, e de Terezinha Maria Adão, que trabalhava como servente em uma escola pública e costureira para escolas de samba .

Iniciou sua trajetória escolar na Escola Estadual Básica José Boiteux. Mais tarde buscou formação no curso de Magistério, estudando no Institudo Estadual de Educação (hoje UDESC), concluindo no Colégio Aplicação.

Teatro Solange iniciou suas atividades ainda na infância e juventude. Participou do grupo de dança e encenou Shapanã e do Grupo de Teatro do SESC. Aos 19 anos, integrou o elenco do espetáculo O Retorno, de Sérgio Cândido. Ingressou na primeira turma do curso de graduação em Artes Cênicas da Universidade do Estado de Santa Catarina. Na instituição, participou da peça Tartufo de Molière, interpretando a personagem Dorina.

Na década de 1980, passou a integrar os trabalhos do Grupo Armação. Na encenação de Gota D'Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes, interpretou travestida de homem o personagem Chulé. Por essa atuação, recebeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante do Festival de Blumenau. Atuou também também do espetáculo A mais forte, de August Strindberg, sob direção de Pio Borges. A atriz também protagonizou o solo Valsa número 6, de Nelson Rodrigues, dirigido por Gilmar Cordeiro.

A atuação de Solange está diretamente ligada a personagens negras. Em Vozes Veladas, sob a direção de Carmen Fossari, deu vida a Gavita Rosa Gonçalves, companheira do poeta simbolista Cruz e Souza. Também interpretou a professora e primeira deputada estadual negra do Brasil, Antonieta de Barros, no espetáculo O Encontro e eu montagens como Meu Filho Zumbi, Não Mexam Comigo e produções voltadas à obra do poeta Cruz e Souza, como Poemas do Cruz e Souza.

Na início dos anos 2000, Solange concentrou ações como diretora de peças e em coletivos. No início dos anos 2000, atuou no espetáculo Negros em Desterro (antigo nome de Florianópolis), que abordou a história da capital catarinense a partir da perspectiva e presença da população negra. Em novembro de 2010, participou da fundação do grupo Agudás com a peça Flor Ancestral, realizada no Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, NEAB-UDESC. Em 2017, fundou o Coletivo Pegada Nagô, grupo dedicado a apresentações teatrais e intervenções culturais focadas na ancestralidade africana, articulando dramaturgia, literatura, contos, percussão e poesia.

Prêmios e reconhecimentos Medalha de Mérito Cultural Cruz e Souza Homenagem da Escola de Samba Os Protegidos da Princesa no enredo do carnaval de 2027.