As pinhocras, também conhecidas em algumas regiões de Portugal pelos nomes de pinhocas ou simplesmente pinhas, são um instrumento musical tradicional classificado como idiofone de fricção. O seu uso está profundamente enraizado na música folclórica do país, sendo composto especificamente por duas pinhas de pinheiro-bravo que se encontram bem abertas e secas. O executante ou tocador segura uma pinha em cada mão e raspa-as ritmicamente uma contra a outra. Este movimento de fricção produz um som rústico, estalado e bastante audível, que serve para acompanhar danças e cantares populares. Na classificação internacional de instrumentos musicais de Hornbostel e Sachs, as pinhocras encontram-se registadas sob o índice 13, o qual agrupa os idiofones de fricção onde o som resulta diretamente do contacto mecânico abrasivo entre as duas partes do próprio corpo do instrumento.

A nível geográfico e etnográfico, as pinhocras têm uma forte presença nas áreas rurais portuguesas que possuem grandes extensões de pinhal. A sua utilização é registada de forma muito expressiva na Batalha, onde o termo pinhocas é comummente aplicado. O instrumento integra as tocatas de vários ranchos folclóricos regionais, cumprindo o papel de marcador de tempo e ritmo de apoio, juntamente com outros instrumentos tradicionais. A sua origem está intimamente associada à engenhosidade popular e à sustentabilidade das comunidades agrícolas de outrora. Estas populações recorriam a materiais naturais e abundantes no seu quotidiano para construir ferramentas de expressão artística e musical, transformando um elemento florestal comum num recurso lúdico e festivo.

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