A imagem por ressonância magnética do cérebro utiliza a ressonância magnética (RM) para produzir imagens bi ou tridimensionais de alta qualidade do cérebro, tronco encefálico e cerebelo sem radiação ionizante (raios X) ou traçadores radioativos.

Histórico As primeiras imagens de ressonância magnética (RM) do cérebro humano foram obtidas em 1978 por dois grupos de pesquisadores dos Laboratórios EMI, liderados por Ian Robert Young e Hugh Clow. Em 1986, Charles L. Dumoulin e Howard R. Hart, da General Electric, desenvolveram a angiografia por RM; Denis Le Bihan obteve suas primeiras imagens por difusão e posteriormente patenteou alguns aspectos da difusão por RM . Em 1988, Arno Villringer e seus colegas demonstraram que agentes de contraste de susceptibilidade magnética podem ser empregados na perfusão por RM . Em 1990, Seiji Ogawa, dos Laboratórios Bell da AT&T, identificou que o sangue desoxigenado com desoxihemoglobina (dHb) era atraído por um campo magnético, e descobriu a técnica que fundamenta a Ressonância Magnética Funcional (MRf). miniaturadaimagem|Um capacete 'Jedi' em exposição no Museu da Ciência: Medicina: Galerias Wellcome. No início da década de 1980 e início da década de 1990, os capacetes "Jedi" (bobinas de cabeça), inspirados no filme " O Retorno de Jedi " da saga Star Wars, eram ocasionalmente utilizados por crianças para a obtenção de imagens de melhor qualidade. As bobinas de cobre do capacete funcionavam como uma antena de rádio para detectar os sinais, enquanto a associação "Jedi" incentivava as crianças a utilizar os capacetes para que não se assustassem com o procedimento. Esses capacetes tornaram-se desnecessários com o aprimoramento dos equipamentos de ressonância magnética.

No início da década de 1990, Peter Basser e Le Bihan, trabalhando no NIH (Institutos Nacionais de Saúde), e Aaron Filler, Franklyn Howe e colegas desenvolveram a imagem por tensor de difusão (DTI). A primeira tractografia cerebral por DTI foi publicada nos Estados Unidos como Figura 17 da Patente US 5.560.360 (depositada em 9 de março de 1993, concedida em 1º de outubro de 1996 - Filler, Howe, Richards e Tsuruda). Joseph Hajnal, Young e Graeme Bydder descreveram o uso da sequência de pulso FLAIR para demonstrar regiões de alto sinal na substância branca normal em 1992. No mesmo ano, John Detre, Alan P. Koretsky e colaboradores desenvolveram a marcação de spin arterial (ASL) . Em 1997, Jürgen R. Reichenbach, E. Mark Haacke e colaboradores da Universidade de Washington em St. Louis desenvolveram a imagem ponderada por susceptibilidade.

O primeiro estudo do cérebro humano em intensidade de campo de 3.0T foi publicado em 1994, e em 1998 em intensidade de campo de 8.0T. Estudos do cérebro humano foram realizados a 9.4T (2006), 10.5T (2019), e até 11.7T (2024).

Paul Lauterbur e Sir Peter Mansfield foram laureados com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2003 por suas descobertas relacionadas à RM. miniaturadaimagem|Esta imagem axial de ressonância magnética ponderada em T2 (LCR branco) mostra um cérebro normal ao nível dos ventrículos laterais. A maior resolução espacial registrada de um cérebro inteiro e intacto (post-mortem) é de 100 micrômetros, obtido pelo Massachusetts General Hospital. Os dados foram publicados na revista Scientific Data em 30 de outubro de 2019.

Aplicações Uma das vantagens da ressonância magnética do cérebro sobre a tomografia computadorizada (TC) de crânio é o melhor contraste tecidual, além de apresentar menos artefatos do que a TC na visualização do tronco encefálico . A ressonância magnética também é superior para a avaliação da hipófise . No entanto, pode ser menos eficaz na identificação de cerebrite em fase inicial.

Em caso de concussão, a ressonância magnética deve ser evitada, a menos que haja sintomas neurológicos progressivos, achados neurológicos focais ou suspeita de fratura craniana ao exame clínico. Na análise de uma concussão, medidas de Anisotropia Fracionada (AF), Difusividade Média (DM), Fluxo Sanguíneo Cerebral (FSC) e conectividade global podem ser realizadas para observar os mecanismos fisiopatológicos que ocorrem durante a recuperação.

Na avaliação do cérebro fetal , a RM fornece informações mais detalhadas sobre a girificação do que a ultrassonografia.

A RM é sensível para a detecção de abscessos cerebrais.

Diversas modalidades ou sequências de imagem podem ser utilizadas na visualização do sistema nervoso:

Imagens ponderadas em T1 (T1W): O líquido cefalorraquidiano (LCR) aparece escuro. Imagens ponderadas em T1 são úteis para a visualização da anatomia normal. Imagens ponderadas em T2 (T2W): o LCR é claro, mas a gordura (e, portanto, a substância branca ) é mais escura do que nas imagens ponderadas em T1 . As imagens ponderadas em T2 são úteis para a visualização de patologias. Imagens ponderadas por difusão (DWI): A DWI utiliza a difusão das moléculas de água para gerar contraste nas imagens de ressonância magnética. Imagens ponderadas em Densidade de Prótons (DP): O LCR tem um nível relativamente alto de prótons, fazendo com que o LCR pareça brilhante. A substância cinzenta é mais brilhante do que a substância branca.

miniaturadaimagem|Ressonância magnética em técnica de falsa cor (false color), aplicando-se a cor vermelha ao T1, verde ao PD e azul ao T2. )Clique no link acima para percorrer os cortes e para maiores informações sobre as cores adicionadas).

Inversão-recuperação com atenuação líquida ( FLAIR - Fluid-Attenuated Inversion Recovery): útil para avaliação de lesões/placas na substância branca próximas aos ventrículos. É útil na identificação de desmielinização .

Diagnóstico A ressonância magnética (RM) do cérebro e do crânio tem múltiplas aplicações diagnósticas, incluindo a identificação de aneurismas, AVCs, tumores e outras lesões cerebrais. Em diversas patologias, como doença de Parkinson ou Alzheimer, a RM é uma ferramenta útil que auxilia no diagnóstico diferencial de outras doenças. Dados de RM têm sido alicados a redes de deep learning para a identificação de tumores cerebrais .

Ver também

Projeto Conectoma Humano História da neuroimagem

Galeria

Referências

Categoria:Imagem por ressonância magnética Categoria:Neuroimagiologia