Os rebocadores de barcos (título original em francês: Les Haleurs de bateaux) é um curta-metragem mudo francês de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès e lançado pela Star Film. Registrado sob o número 49 do catálogo Star Film, classifica-se como filme de atualidade e documenta o trabalho dos haleurs — trabalhadores que puxavam embarcações a partir da margem por meio de cordas, num esforço humano de tração que substituía a propulsão mecânica —, provavelmente filmado no sul da França. O filme é atualmente considerado perdido.

Descrição

O conteúdo do filme não pode ser confirmado em detalhe: nenhuma cópia sobreviveu. Com base no título e na classificação como atualidade, o filme registrava o trabalho dos haleurs — trabalhadores que puxavam embarcações fluviais ou de canal por meio de cordas a partir da margem, prática comum nos rios e canais franceses do século XIX. A localização exata da filmagem não foi determinada; Malthête e Mannoni identificam o sul da França como local provável, com reservas.

Produção

Os haleurs como tema visual

A figura do haleur — o rebocador humano que puxava embarcações fluviais a partir da margem por meio de cordas — era um elemento familiar da paisagem fluvial francesa do século XIX. Diferentemente do rebocador mecânico (o barco a vapor que puxa outras embarcações), o haleur era um trabalhador que caminhava pela margem, preso por uma longa corda à proa da embarcação, exercendo tração humana ou animal para mover o barco contra a corrente ou ao longo de canais. O caminho percorrido por esses trabalhadores na margem era chamado de chemin de halage. A prática havia sido imortalizada na pintura europeia, mais notavelmente em Os Haladores do Volga (1870–1873) de Iliá Repin, que retratava o trabalho extenuante dos rebocadores de barcaças no rio russo. Em França, a prática era comum nos grandes rios navegáveis como o Ródano e o Sena. O tema oferecia a Méliès uma cena de trabalho coletivo ao ar livre — exatamente o tipo de imagem que os primeiros cineastas de atualidades buscavam para demonstrar as possibilidades documentais do novo meio.

Localização provável

A localização do filme no sul da França é indicada por Malthête e Mannoni com reservas — o ponto de interrogação que acompanha a indicação na filmografia reflete a ausência de documentação que confirme onde Méliès filmou a cena. Ao contrário dos filmes litorâneos do período de férias de julho de 1896 — como Baignade en mer (#40) e Effet de mer sur les rochers (#43) —, a data e o contexto de produção de Les Haleurs de bateaux não estão precisamente estabelecidos.

Contexto no catálogo

Registrado sob o número 49 do catálogo da Star Film, Les Haleurs de bateaux é precedido por Cortège du Tzar allant à Versailles (#48) e seguido por Cortège du Tzar au Bois de Boulogne (#50). O filme situa-se entre dois títulos da série imperial do czar Nicolau II da Rússia, constituindo uma pausa temática entre os registros diplomáticos com um retorno ao documentário de trabalho.

Preservação

O filme é considerado perdido. Nenhuma cópia ou fragmento foi localizado em arquivos ou coleções conhecidas.

Ver também

Georges Méliès Star Film Company Filme perdido

Ligações externas

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