Henriette Burchardt (Viena, 1 de outubro de 1902 – Auschwitz-Birkenau, 1944 ou 1945) foi uma zoóloga e pesquisadora austríaca. Trabalhou na Biologische Versuchsanstalt (Instituto de Biologia Experimental) da Academia Austríaca de Ciências, em Viena, onde realizou pesquisas em zoologia experimental e regeneração de membros em anfíbios.

O trabalho científico de Henriette Burchardt contribuiu para o desenvolvimento da zoologia experimental e dos estudos sobre regeneração biológica nas primeiras décadas do século XX. Suas pesquisas com urodelos, anfíbios conhecidos pela capacidade de regenerar membros, ajudaram a ampliar a compreensão dos mecanismos de simetria e reconstrução tecidual durante a regeneração de órgãos e extremidades.

De família judia, foi perseguida após a anexação da Áustria pela Alemanha Nazista em 1938 e acabou deportada para o gueto de Theresienstadt e, posteriormente, para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, onde foi assassinada durante o Holocausto.

Biografia Burchardt nasceu em Viena, então parte do Império Austro-Húngaro, em 1 de outubro de 1902. Era filha de Martin Burchardt e de Elsa Maria Steiner Burchardt. Entre 1913 e 1921 estudou no Realgymnasium da Albertgasse, em Viena, concluindo seus estudos secundários com exame de maturidade.

No outono de 1921 ingressou na Universidade de Viena para estudar ciências naturais. Em 1923 transferiu-se temporariamente para a Universidade de Würzburg, na Alemanha. A partir de 1924 passou a desenvolver pesquisas na divisão zoológica da Biologische Versuchsanstalt da Academia Austríaca de Ciências, trabalhando sob orientação do zoólogo Hans Leo Przibram.

Seu trabalho científico concentrou-se em zoologia experimental e regeneração biológica. Entre 1924 e 1929 realizou pesquisas ligadas à sua tese de doutorado sobre a simetria da regeneração de membros transplantados em urodelos, grupo de anfíbios que inclui salamandras e tritões. Em 1929 obteve o doutorado pela Universidade de Viena com a dissertação Die Symmetrie der Regenerate durch den Urodelenkörper gesteckter Gliedmaßen (“A simetria dos regenerados de membros atravessados pelo corpo de urodelos”). Após a conclusão do doutorado, permaneceu trabalhando na instituição até 1932.

Perseguição nazista e morte Após a anexação da Áustria pela Alemanha Nazista em 1938, Burchardt passou a sofrer perseguição antissemita e foi impedida de continuar suas atividades científicas na Academia Austríaca de Ciências.

Durante esse período, trabalhou como professora em uma escola judaica localizada na Kleine Sperlgasse, no distrito vienense de Leopoldstadt. Na instituição também atuavam outras ex-pesquisadoras da Biologische Versuchsanstalt, como Leonore Brecher e Helene Jacobi. Sua última residência conhecida em Viena localizava-se na Müllnergasse 5, no distrito de Alsergrund. Em 24 de setembro de 1942, Henriette Burchardt e sua mãe, Elsa Maria Burchardt, foram deportadas para o gueto de Theresienstadt.

Sua mãe morreu em Theresienstadt em fevereiro de 1943. Henriette permaneceu no gueto até 23 de outubro de 1944, quando foi transferida para o campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau. O local e a data exata de sua morte não são conhecidos, mas ela foi assassinada pelos nazistas durante o Holocausto.

Legado Henriette Burchardt é lembrada como uma das cientistas austríacas vítimas do regime nazista. Seu nome integra o Gedenkbuch (“Livro da Memória”) da Academia Austríaca de Ciências, dedicado aos pesquisadores perseguidos e assassinados pelos nazistas.

Pesquisas históricas sobre a Biologische Versuchsanstalt identificaram ao menos sete pesquisadores da instituição mortos no Holocausto, tornando-a uma das instituições científicas austríacas mais afetadas pela perseguição nazista.

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